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22-04-2022

Entrevista a…

Jorge Martins, médico especialista em Medicina Interna e Coordenador da Equipa de Doentes Crónicos Complexos protagonizou, na companhia de um dos seus doentes, o momento de apresentação pública de uma nova aplicação móvel de telemonitorização clínica – o Telemonit SNS 24. Depois de uma “consulta” com direito à presença de jornalistas e até do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, quisemos conhecer melhor este projeto que, desde a primeira hora, contou com a parceria da ULSM.

 

A ULSM foi escolhida para este projeto-piloto de telemonitorização clínica. O que motivou esta colaboração?  

A SPMS decidiu criar uma aplicação de telemonitorização para o SNS e, para a fase de testes, convidou a ULSM como entidade parceira, pelo histórico de cooperação, pela experiência da ULS em integração de cuidados e por termos equipas que acompanham utentes com doenças crónicas de uma forma personalizada e intensiva. O projeto baseia-se em três pilares: uma aplicação do telemóvel, vários instrumentos de medição com capacidade de bluetooth incorporada e um programa informático acessível nos computadores com acesso à rede informática hospitalar. Os instrumentos de medição estão emparelhados com a aplicação do telemóvel por bluetooth. Os registos das medições podem ser depois visualizados pelos profissionais de saúde nos computadores hospitalares.

Que vantagens traz esta aplicação móvel, o Telemonit SNS 24,  à vigilância e acompanhamento dos doentes?

A telemonitorização permite uma maior segurança dos cuidados aos utentes. É uma forma de empoderar os utentes e prestadores de cuidados na gestão das suas doenças crónicas, aumentando a sua literacia em saúde. Permite aos profissionais de saúde um acompanhamento dos seus utentes com maior rigor, possibilidade de detetar precocemente as agudizações e inclusivamente manter o tratamento domiciliário em situações que noutras circunstâncias levariam ao internamento dos utentes.

Em que circunstâncias o uso desta aplicação pode ser um recurso a propor ao doente?

A telemonitorização pode ser utilizada quando os utentes apresentam agudizações das suas doenças crónicas e o registo dos sinais vitais dá uma maior segurança na sua abordagem em ambulatório; em utentes que necessitam de uma monitorização mais apertada dos seus sinais vitais pelo risco de instabilidade, em situações em que é importante constantes ajustes terapêuticos de acordo com a evolução dos sinais vitais, etc. Neste momento é necessário que o utente ou o prestador de cuidados tenha um smartphone e alguma literacia digital, embora no futuro esteja a ser equacionado um kit que, além dos equipamentos, tenha também um smartphone incorporado.

Uma das primeiras experiências é no acompanhamento de doentes com DPOC, mas em que outros diagnósticos ou quadros clínicos pode ser utilizada?

Os utentes que concordaram em participar na fase de testes tinham vários diagnósticos: Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, Insuficiência Cardíaca, etc. A telemonitorização pode ser usada em qualquer utente com doenças crónicas ou situação clínica, cuja monitorização se faça pela informação dada nos parâmetros avaliados pelos instrumentos – saturímetro, termómetro, balança e um oscilómetro.

Neste momento, quantos doentes podem usufruir deste sistema? E de futuro?

A fase de testes teve a participação de cinco utentes, estando previsto o sistema ser implementado na Equipa de Suporte de Doentes Crónicos Complexos, atualmente a acompanhar 175 utentes, na Unidade de Hospitalização Domiciliária com capacidade máxima de 10 utentes, e também na Clínica de insuficiência Cardíaca. A telemonitorização não vai ser utilizada em todos os doentes obviamente, apenas nas situações já relatadas previamente. Está previsto termos ao nosso dispor aproximadamente 30 Kits completos (cada kit incluiu uma balança, um saturímetro, um termómetro e um oscilómetro).  Cada utente pode ter um kit completo ou apenas um dos instrumentos, o que aumenta a nossa capacidade de resposta.

Na sua opinião, e pela sua experiência clinica, que potencialidades acrescenta este sistema?

Para além das vantagens já referidas, de um melhor e mais seguro acompanhamento dos nossos utentes em ambulatório, nas agudizações ou instabilidade clínica, este sistema tem potencial de melhorar a gestão das doenças crónicas. Um exemplo é de a aplicação poder ser usada sem ter um instrumento emparelhado, ou seja, o utente pode fazer o registo manual do parâmetro vital. Podemos dar uma instrução, através da aplicação, para o utente se pesar diariamente ao acordar. O valor do peso poderá ser registado na aplicação e o profissional de saúde vai poder vê-lo imediatamente na plataforma a que acede através do seu computador ligado à rede hospitalar, podendo inclusive fazer a comparação com a evolução do peso nos dias\semanas anteriores.

Qual tem sido a reação dos doentes?

Os utentes têm-se sentido confortáveis e seguros. Foram selecionados já por terem algumas características a predispor para este projeto, como é óbvio, mas a adaptação foi fácil e o feedback tem sido bom. Vamos tentar que assim continue, quando fizermos a massificação do sistema.

 


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