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24-03-2022

Dia Mundial da Tuberculose

As últimas décadas foram caracterizadas por conquistas sucessivas no projeto internacional de erradicação da Tuberculose a nível mundial:“The End TB Strategy”. No último biénio, porém, as medidas de confinamento, a realocação de meios, tempo e recursos para o combate à pandemia COVID-19 condicionaram o progresso global no combate à Tuberculose.
As dificuldades no acesso aos cuidados de saúde, o consequente atraso ou até mesmo o subdiagnóstico da Tuberculose, conduziram, pela primeira vez em mais de uma década, a um aumento do número de óbitos associados a esta patologia a nível mundial, segundo o relatório global da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 20211.
Por outro lado, foi evidente a quebra na notificação de casos de Tuberculose diagnosticados e tratados, assim como no número de pessoas submetidas a tratamento preventivo entre 2019 e 2021. Sendo este impacto mais acentuado nos países com maior prevalência e incidência desta patologia, ainda está por determinar a sua verdadeira repercussão nos países de média e baixa incidência.

Portugal tem vindo a apresentar um decréscimo consistente do número de casos de Tuberculose notificados anualmente nas últimas décadas. No Município de Matosinhos, a estratégia multidisciplinar concertada da ULSM nos últimos vinte anos contribuiu para a redução consistente do número de casos anuais de Tuberculose no concelho. Este, porém, mantem uma das taxas de incidência de Tuberculose mais elevadas a nível nacional.
O Relatório de Vigilância e Monitorização da Tuberculose em Portugal relativo ao ano de 2020,publicado pela Direção Geral de Saúde, revela uma ”desaceleração na redução percentual anual da doença, associada a uma diminuição abrupta do número de casos em 2020 e ao aumento da mediana de dias até ao diagnóstico”2. A conjugação destes fatores poderá ter consequências na trajetória previamente decrescente da incidência da Tuberculose em Portugal dos últimos anos.

Também em Matosinhos, dados preliminares apontam para uma quebra no número de casos de Tuberculose notificados nos anos de 2020 e 2021. Mais do que uma diminuição da incidência desta patologia em Matosinhos este poderá ser o reflexo do atraso ou até ausência do seu diagnóstico que podem acarretar o desenvolvimento de formas mais graves e períodos mais longos de exposição de contactos.
Por sua vez, fatores como o impacto socio-económico da pandemia, o aumento da população migrante oriunda de países com alta incidência de Tuberculose e, mais recentemente, a previsão de integração de refugiados de guerra da Ucrânia, país com alta prevalência de Tuberculose e elevada incidência de estirpes multirresistentes de Mycobacterium tuberculosis, poderão contribuir
para o retrocesso nas conquistas dos últimos anos no âmbito da luta contra a Tuberculose.

Urge retomar o foco em todas as patologias descuradas em favor do COVID nos últimos dois anos, incluindo-se entre estas a Tuberculose. É essencial retomar o percurso, interrompido em 2020, visando as metas definidas para a comunidade de Matosinhos, claramente ao nosso alcance desde que assegurada a consistência na sua abordagem estratégica.

O investimento no diagnóstico precoce e a prevenção primária e secundária ativa da Tuberculose já mostrou os seus frutos num passado recente. O contributo de todo e de cada um dos profissionais de saúde da ULSM nesta tarefa é agora, mais do que nunca, essencial, para consolidar todas as conquistas prévias na luta contra a Tuberculose em Matosinhos.

Bárbara Seabra
Interlocutora Hospitalar do Programa Nacional para a Tuberculose

 


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