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Reabilitação Respiratória

Projeto ensina doentes com DPOC e Asma a viver melhor

Sabia que em Portugal a prevalência da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (mais conhecida por DPOC) atinge 14,2% dos indivíduos com mais de 40 anos? E que 6,8 % da população portuguesa sofre de asma? Tendo em conta esta realidade e a possibilidade de prevenir situações agudas da doença, as Unidades de Cuidados na Comunidade (UCCs) do Aces Matosinhos, integrado na ULSM, estão a dinamizar um projeto dirigido a estes utentes.

  • Em que contexto surge este projeto direcionado a doentes com DPOC e Asma?

Trata-se de um programa de reabilitação respiratória que visa dotar o doente de estratégias para melhor lidar com estas doenças crónicas, nomeadamente na gestão do regime terapêutico.
O recurso a programas educacionais de autogestão realizados individualmente, no domicílio, ou em grupo, nos centros de saúde, devem ser implementados integrados na reabilitação respiratória, visando o maior controlo da doença respiratória, com menos infeções respiratórias associadas e melhor qualidade de vida.
É neste contexto que as UCC da ULSM têm vindo a dinamizar um projeto de reabilitação respiratória dirigido aos seus utentes com DPOC e Asma, tendo por base as recomendações da DGS, e em sintonia com as orientações mais recentes e a investigação desenvolvida nesta área.

  • Como surgiu a necessidade deste programa?

A DPOC — que se caracteriza por uma limitação progressiva e persistente do fluxo aéreo, resultante de uma resposta inflamatória crónica das vias aéreas e do pulmão — provoca danos irreversíveis, acarretando pesados custos económicos e sociais. As exacerbações (situações agudas) da doença estão associadas ao seu agravamento, ao declínio acelerado da função respiratória e ao aumento da mortalidade. Da mesma forma, a asma é uma doença crónica frequente e potencialmente grave que afeta crianças e adultos. Não tem cura, mas pode ser controlada. Caracteriza-se por uma inflamação crónica das vias aéreas que quando são expostas a vários estímulos ou fatores desencadeantes tornam-se híper-reativas e obstruídas, limitando o fluxo de ar através de bronco-constrição, produção de muco e aumento da inflamação.
Assim, além das estratégias mais comuns para prevenir as exacerbações agudas da DPOC e Asma — cessação tabágica, vacinação antigripal e antipneumocócica e reabilitação respiratória — é necessário dotar o doente de conhecimentos clínicos que abordem a questão da gestão do regime terapêutico (farmacológico e não farmacológico).

  • Trata-se de capacitar o doente para a gestão da sua doença, é esse o objetivo?

É esse o nosso objetivo, e é nesse sentido que as equipas das UCC da ULSM têm vindo a trabalhar área da reabilitação respiratória. Desde logo, com esta intervenção pretendemos o alívio dos sintomas, a diminuição da limitação funcional, a melhor tolerância ao esforço, a participação do doente na vida social e uma melhor qualidade de vida. Mas, a longo prazo, o objetivo é a diminuição da utilização de recursos de saúde, incluindo uma diminuição do número de internamento hospitalares, ao mesmo tempo que se investe na capacitação do utente para a gestão de sintomas da doença.

  • Como se dinamiza, na prática, este projeto?

O projeto é dinamizado através de sessões psicoeducacionais realizadas em grupo ou individuais (com acompanhamento no domicílio), pois desta forma será possível abranger um maior número de utentes com diagnóstico de DPOC e Asma inscritos nas unidades de saúde.
Ao longo de seis sessões são abordados temas que se relacionam com a fisiopatologia das doenças respiratórias e patologias associadas, as causas de dificuldade respiratórias, sinais e sintomas, a utilização da terapia farmacológica, o ensino e treino do uso de dispositivos inalatórios, técnicas de reeducação funcional respiratória, de relaxamento, e ainda sobre a intervenção nas agudizações, bem como a importância da comunicação com a equipa de saúde. O exercício físico é feito de acordo com as limitações de cada doente.
Para os utentes que não têm condições para frequentar as sessões de grupo por elevada limitação funcional, é disponibilizado acompanhamento domiciliário, após um internamento por agudização ou devido à exacerbação de sintomas da doença.
Tanto nas sessões de grupo como individuais, a abordagem dos temas é realizada de uma forma personalizada, indo ao encontro das necessidades específicas do utente.

  • Como é que o doente pode integrar este projeto? Qual o critério?

São candidatos a este projeto todos os utentes com DPOC e Asma, independentemente do estadio ou gravidade doença, desde que reúnam condições para fazer exercício físico e não tenham outras patologias que comprometam a sua adesão a este tipo de intervenção (como por exemplo, demência ou patologia psiquiátrica grave). A referenciação do utente para o projeto deve ser realizada, preferencialmente, pelo médico ou enfermeiro de família, mas também pode ser encaminhada pelo pneumologista e/ou internista. Este projeto está disponível em todas as UCC que integram a ULSM.

Enfª Liliana Silva |Núcleo de Enfermeiros de Reabilitação da Comunidade (NERC) da ULSM


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