Ir para o conteúdo
Início
/
Cidadão
/
Mais Saúde

Atividades preventivas em Saúde

De que se fala exatamente quando se usa a palavra prevenção em Saúde? O que são atividades preventivas? O que é a prevenção primária? E o que significa a prevenção quartenária de que nos últimos tempos passou a fazer parte do discurso dos profissionais de Saúde? O Núcleo de Atividades em Prevenção Quaternária do Aces Matosinhos elegeu este tema para fazer informação em Saúde e contribuir para uma atitude mais critica e refletida, tanto por parte dos profissionais de saúde, como dos utentes.

  • O que são atividades preventivas em Saúde?

Desde há longos tempos que vamos ouvindo nas conversas do quotidiano que “prevenir é o melhor remédio”. Este ditado aplica-se a diversas esferas das nossas vidas, mas o conceito do “remédio” integrado na expressão liga-a especialmente ao contexto de Saúde. Efetivamente, toda a prática clínica (quer de Medicina, Enfermagem, Psicologia, Nutrição, Fisioterapia e outras áreas ligadas à Saúde) tem uma importante componente preventiva no seu processo de planeamento e acção. Através de uma consulta de Medicina Geral e Familiar podemos explicar os diversos conceitos preventivos.
Assim, as atividades preventivas podem ser classicamente divididas em quatro grandes grupos: prevenção primária, secundária, terciária e quaternária.

  • Ou seja, existem diferentes atividades preventivas — prevenção primária, secundária, terciária e quaternária. Como se distinguem?

Começando pela prevenção primária, podemos afirmar que o objetivo é evitar o aparecimento da doença. Uma atividade clínica orientada para a prevenção primária refere-se ao aconselhamento para bons hábitos ou estilos de vida, como uma alimentação equilibrada e com baixo teor em sal, e a prática de exercício físico para que se evite ou atrase o aparecimento da hipertensão ou diabetes. A vacinação é também, por si só, um acto primariamente preventivo: a imunização (genericamente traduzida para “protecção”) dada pela vacina reduz probabilidade de doença.

  • Sobre a prevenção secundária, podemos dizer que o médico está já a intervir perante um diagnóstico?

Sim, a prevenção secundária tem como objectivo diminuir as sequelas ou consequências da doença já diagnosticada, quer ao nível dos sintomas/ qualidade de vida, quer ao nível da mortalidade. Um exemplo ilustrativo da prevenção secundária é a prescrição de fármacos antihipertensores ou antidiabéticos de forma a adquirir-se controlo das doenças instaladas (hipertensão e diabetes). Neste contexto, as medidas de prevenção secundária constroem-se sobre as medidas de prevenção primária, que se mantêm como os alicerces de qualquer atividade preventiva.

  • E que diferenças existem relativamente à prevenção terciária?

Podemos afirmar que a prevenção terciária consiste nos procedimentos clínicos que reduzem o impacto e as consequência da doença na vida das pessoas. Um exemplo das atividades de prevenção terciária são as medidas orientadas para a reabilitação de uma pessoa que tenha sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) devido a uma hipertensão descontrolada. Outro exemplo será o aconselhamento sobre os cuidados necessários (higiene, hidratação, calçado especial, tratamento diferenciado podológico…) numa situação em que já existem lesões na enervação ou na circulação sanguínea dos pés causadas por uma diabetes não-regulada.

  • Finalmente, sobre a prevenção quaternária. Como se define? O que significa esta expressão cada vez mais recorrente?

A prevenção quaternária é a não realização de procedimentos no âmbito de cuidados de saúde que possam, por si só, ser excessivos ou lesivos para o paciente. A prevenção quaternária é, portanto, muito abrangente porque envolve um trabalho intenso de informação e esclarecimento:
• ao paciente: mitos em saúde que condicionam parte da população a iniciar estratégias para o seu bem-estar e saúde
• ao profissional de saúde: actualização científica e discussão interpares das práticas clínicas que possam ser entendidas como benéficas, mas que na verdade não têm bases científicas para serem entendidas como tal.
• na relação profissional de saúde-doente: melhoria da comunicação entre médico e doente, de forma a que as decisões sejam tomadas em acordo, e com ambos intervenientes mutuamente informados.

  • Quer dar um exemplo de prevenção quaternária?

Um exemplo típico de prevenção quaternária é o rastreio do cancro da próstata através do valor sanguíneo do PSA. Poderá ser surpreendente, mas este rastreio não tem uma sólida base científica que o sustente, apesar de vários profissionais de saúde, instituições de saúde e uma grande parte da população o ter como uma atividade preventiva com um saldo positivo benefício/risco. Na verdade, os estudos revelam que, apesar de haver um considerável número de casos de cancro detectados a partir de uma alteração inicial neste rastreio, há também um determinado número de homens que sofrem as consequências dos tratamentos, mas que não tiveram qualquer efeito positivo na sua qualidade de vida ou longevidade.
Assim, a decisão de avançar para o rastreio do cancro da próstata envolve uma decisão partilhada entre paciente e médico, em que o paciente pondera a sua decisão após receber informação sobre os riscos/benefícios trazida pelas inquietações clínicas honestas do seu médico.

  • Finalmente, como surgiu o do Núcleo de Actividades em Prevenção Quaternária do ACES de Matosinhos, e quais os seus objetivos?

O núcleo surgiu da necessidade do Conselho Clínico e de Saúde organizar grupos de atividades nas diversas áreas de governação clínica. A Prevenção Quaternária é um conceito recente, mas já havia um projeto estruturado neste âmbito na ULSM que não tinha sido possível implementar, o que foi visto como uma oportunidade para abordar esta temática. Foi convidado para o grupo o Dr. José Agostinho (um dos autores do projeto) e o Dr. Luís Filipe Silva para iniciar o trabalho e aperfeiçoar o mesmo à luz das necessidades atuais. Os principais objetivos deste núcleo são:
• atualização científico-médica em questões centrais da Prevenção Quaternária com revisão de orientações de prática clínica;
• facilitar uma comunicação efectiva, humana e bidireccional das questões e dúvidas em torno de determinados temas de interesse para a consulta;
• aumentar o grau de literacia em Saúde com divulgação de informação ao paciente que favoreça uma capacitação na gestão da sua saúde e auto-cuidado enquanto agente da negociação clínica.

Núcleo de Atividades em Prevenção Quaternária do Aces Matosinhos:
Dra. Carla Ponte, especialista de Medicina Geral e Familiar | Dr Luís Filipe Silva, especialista de Medicina Geral e Familiar   | Dr. José Agostinho Santos, especialista de Medicina Geral e Familiar

Na foto, a Dra. Carla Ponte, especialista de Medicina Geral e Familiar, e o Dr. Agostinho Santos, especialista de Medicina Geral e Familiar, sendo que do grupo ainda faz parte o Dr. Luís Filipe Silva, especialista de Medicina Geral e Familiar.


Partilhar: