A nossa Coluna Vertebral é composta por 24 vértebras que formam um conjunto harmonioso que serve de suporte ao nosso tronco. Articula-se com o crânio, superiormente, e com o sacro e a bacia, na parte inferior.
Essas mesmas vértebras estão unidas por um conjunto de discos intervertebrais que permitem a mobilidade da coluna e servem como “amortecedores” entre as vértebras.
Quando esses discos se estragam, quer por via do desgaste, quer devido a trauma ou esforços súbitos, podem surgir as hérnias discais, que têm significado clínico quando comprimem estruturas neurológicas, quer seja o canal vertebral, onde estão os nervos, quer seja os pequenos buracos por onde estes saem da coluna para enervar a pele, músculos ou articulações.
Os nervos têm importantes funções para a sensibilidade da pele e estruturas do corpo, para transmitir os impulsos nervosos que fazem contrair os músculos (função motora), ou para a sensibilidade específica das articulações (propriocepção).
Como tal, quando parte do disco comprime as estruturas nervosas ou aperta o canal, o que vai surgir vai ser dor nas costas (pescoço, dorso ou lombar), dor irradiada (por exemplo, dor tipo ciática), assim como alterações da sensibilidade (por exemplo, formigueiros ou sensação de calor ou frio).
O diagnóstico faz-se com a ajuda da Tomografia Axial Computorizada (TAC) ou da Ressonância Magnética Nuclear (RMN). O primeiro exame é mais rápido, mas tem radiação, ao passo que o segundo apresenta melhores imagens e não tem radiação, podendo ser feito as vezes que for necessário.
Quanto ao tratamento, há que ter a noção de que a maior parte das hérnias não necessita de ser operada.
De facto, o tratamento inicial passa por repouso, a toma de medicamentos para aliviar a dor (analgésicos ou anti-inflamatórios), ortóteses para imobilizar a coluna – colar cervical ou lombostato, tratamento de Fisioterapia (associado ou não a terapias alternativas), e acima de tudo o tempo…
Se os sintomas forem graves, nomeadamente com falta de força no membro afetado, ou se persistirem durante muito tempo (período mínimo de 4 a 6 semanas), temos de empreender por tratamentos invasivos, quer sejam Procedimentos Minimamente Invasivos – por exemplo Nucleoplastia, Ozonoterapia ou IDET – que geralmente são adequados para hérnias pequenas, quer sejam cirurgias para extração da hérnia ou alargamento do canal ou foramens, com ou sem fixação das vértebras.
O tratamento invasivo, quando tem uma indicação precisa e motivação por parte do doente (com um perfil psicológico adequado), tem uma taxa de sucesso superior a 90% no alívio da dor e da incapacidade. As sequelas graves, como os défices neurológicos, são extremamente raras, e mais incidentes nos casos com doença mais arrastada ou grave.
A evolução registada nesta área tem sido notória. Recentemente, e pela primeira vez, o Serviço de Ortopedia do Hospital Pedro Hispano/ULSM realizou uma intervenção cirúrgica inovadora que permite uma abordagem menos invasiva no tratamento das hérnias discais lombares e com vantagens na recuperação do doente. A técnica, designada por Discectomia Lombar Endoscópica é uma cirurgia minimamente invasiva, que se executa através de uma pequena incisão e com recurso a um endoscópio que permite retirar a hérnia.
Esta intervenção menos agressiva da hérnia discal reduz o internamento para um dia e será brevemente realizada em ambulatório.
Dr. Nuno Bastos | Assistente Hospitalar de Ortopedia |Unidade de Coluna do Hospital Pedro Hispano/ULSM