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A Amamentação

  • Porquê amamentar?

O leite materno é o melhor alimento para o bebé.
O leite materno adapta-se exatamente às necessidades nutricionais do bebé nas diferentes etapas de crescimento, modificando a sua composição à medida que o bebé cresce. Previne doenças como as infeções, obesidade, diabetes, entre outras, sendo esta uma vantagem exclusiva do leite materno. O leite materno está sempre pronto e à temperatura ideal, sendo o alimento mais completo e económico.
A Organização Mundial de Saúde recomenda a amamentação exclusiva pelo menos até aos 6 meses e a sua manutenção até aos 2 anos ou mais, complementando com outros alimentos.
Amamentar também é benéfico para a mãe. A mãe que amamenta recupera rapidamente o seu peso habitual, tem também menos risco de cancro da mama, do ovário e de osteoporose.
Amamentar é um ato de amor e carinho, reforça a relação íntima entre mãe e bebé, sendo uma experiência enriquecedora para ambos.

  • Como ter sucesso na amamentação?

A amamentação é um processo evolutivo de aprendizagem e adaptação tanto para o bebé como para a mãe.

  • Dar de mamar sempre que o bebé apresentar sinais de fome e em horário livre (caso o bebé deseje poderá mesmo mamar a cada hora).
  • Assegurar uma pega correta.
  • Manter as mamadas da noite, de modo a assegurar uma boa produção de leite.
  • Evitar a utilização de mamilos artificiais, chupetas e biberões (confundem o bebé em relação ao mamilo).
  • Procurar ajuda especializada sempre que necessitar.

Para o efeito, o Hospital Pedro Hispano, acreditado como Hospital Amigo dos Bebés, dispõe de profissionais com competências em aconselhamento em aleitamento materno, um “Cantinho de Amamentação” e uma linha telefónica que funciona 24 horas por dia. Também em todos os centros de saúde da Unidade Local de Saúde de Matosinhos existem “Cantinhos de Amamentação” onde as mães podem recorrer e esclarecer as dúvidas.

  • O que é um “Hospital Amigo dos Bebés”?

O Hospital Pedro Hispano é desde Setembro de 2011 considerado “Hospital Amigo dos Bebés”. Um título que renovou em maio de 2015 e que garante que continua a implementar as medidas definidas pela OMS e pela UNICEF de promoção e incentivo ao aleitamento materno. O próximo passo é conseguir o mesmo título para o ACES Matosinhos, a caminho de “Unidade Local de Saúde Amiga dos Bebés”.

  • O que defende essa estratégia de incentivo ao aleitamento materno?

As recomendações da OMS e da Unicef, responsáveis pela iniciativa “Hospital Amigo dos Bebé”, contemplam dez medidas consideradas fundamentais para o sucesso do aleitamento materno e que devem ser implementadas nos serviços de saúde vocacionados para a assistência a grávidas e recém-nascidos. Entre essas medidas destaca-se, por exemplo, a ajuda à mãe a iniciar o aleitamento na primeira hora após o nascimento, a não dar tetinas ou chupetas aos bebés, e a informar todas as grávidas sobre as vantagens do aleitamento no crescimento e saúde do seu filho.

O primeiro objetivo é, sem dúvida, aumentar as taxas de amamentação, estabelecendo como meta que um maior número de bebés até aos seis meses usufrua das vantagens do aleitamento materno exclusivo. Este foi um dos pontos de partida deste projecto de candidatura a “Hospital Amigo dos Bebés” que se iniciou em 2007 e que exigiu uma mudança de atitude dos profissionais de saúde – médicos, enfermeiros e assistentes –, bem como o envolvimento dos diferentes serviços do Hospital Pedro Hispano e da ULSM, onde se insere.

  • E depois da alta hospitalar, que apoio é prestado às mães na amamentação?

As dúvidas surgem com maior incidência na primeira semana de vida do bebé, após o momento da alta hospitalar, prolongando-se, geralmente, até ao 10º dia. Nesse sentido, foram criados os “Cantinhos de Amamentação” que funcionam como espaços de apoio às mães e funcionária lactantes. Nos “cantinhos” as mães podem receber ajuda, esclarecer dúvidas e partilhar receios, ou simplesmente amamentar em privacidade, e sempre com o apoio de um profissional com competências em aconselhamento em aleitamento materno.´

Depois dos “cantinhos” foi criada também a Linha Verde de Amamentação, uma linha direta de apoio à amamentação (22 939 13 40) que garante às mães a disponibilidade de uma enfermeira especialista 24 horas por dia. Além do atendimento no momento, a partir da situação que a mãe descreve, a enfermeira faz a orientação para os serviços que considerar necessários, seja o “Cantinho de Amamentação”, o Serviço de Urgência ou Unidade de Saúde.

A Linha de Amamentação está acessível a todas as mães da área de influência da ULSM, e também àquelas que escolherem o HPH para o parto. E não só, pois os telefonemas chegam de cidades tão distintas como Coimbra ou Cascais, também dos Açores e Madeira e até de fora do país.

Comité do Aleitamento Materno da ULSM | Consultora Internacional de Lactação

Enfermeira Ana Ribeiro, Especialista em Saúde Infantil

Comité do Aleitamento Materno da ULSM |Consultora Internacional de Lactação

A Hérnia Discal

  • O que é uma hérnia discal?

A nossa Coluna Vertebral é composta por 24 vértebras que formam um conjunto harmonioso que serve de suporte ao nosso tronco. Articula-se com o crânio, superiormente, e com o sacro e a bacia, na parte inferior.
Essas mesmas vértebras estão unidas por um conjunto de discos intervertebrais que permitem a mobilidade da coluna e servem como “amortecedores” entre as vértebras.
Quando esses discos se estragam, quer por via do desgaste, quer devido a trauma ou esforços súbitos, podem surgir as hérnias discais, que têm significado clínico quando comprimem estruturas neurológicas, quer seja o canal vertebral, onde estão os nervos, quer seja os pequenos buracos por onde estes saem da coluna para enervar a pele, músculos ou articulações.

  • Quais os sintomas?

Os nervos têm importantes funções para a sensibilidade da pele e estruturas do corpo, para transmitir os impulsos nervosos que fazem contrair os músculos (função motora), ou para a sensibilidade específica das articulações (propriocepção).
Como tal, quando parte do disco comprime as estruturas nervosas ou aperta o canal, o que vai surgir vai ser dor nas costas (pescoço, dorso ou lombar), dor irradiada (por exemplo, dor tipo ciática), assim como alterações da sensibilidade (por exemplo, formigueiros ou sensação de calor ou frio).

  • Como de se faz o diagnóstico?

O diagnóstico faz-se com a ajuda da Tomografia Axial Computorizada (TAC) ou da Ressonância Magnética Nuclear (RMN). O primeiro exame é mais rápido, mas tem radiação, ao passo que o segundo apresenta melhores imagens e não tem radiação, podendo ser feito as vezes que for necessário.

  • Qual o tratamento?

Quanto ao tratamento, há que ter a noção de que a maior parte das hérnias não necessita de ser operada.
De facto, o tratamento inicial passa por repouso, a toma de medicamentos para aliviar a dor (analgésicos ou anti-inflamatórios), ortóteses para imobilizar a coluna – colar cervical ou lombostato, tratamento de Fisioterapia (associado ou não a terapias alternativas), e acima de tudo o tempo…

  • Quando é preciso recorrer à cirurgia?

Se os sintomas forem graves, nomeadamente com falta de força no membro afetado, ou se persistirem durante muito tempo (período mínimo de 4 a 6 semanas), temos de empreender por tratamentos invasivos, quer sejam Procedimentos Minimamente Invasivos – por exemplo Nucleoplastia, Ozonoterapia ou IDET – que geralmente são adequados para hérnias pequenas, quer sejam cirurgias para extração da hérnia ou alargamento do canal ou foramens, com ou sem fixação das vértebras.
O tratamento invasivo, quando tem uma indicação precisa e motivação por parte do doente (com um perfil psicológico adequado), tem uma taxa de sucesso superior a 90% no alívio da dor e da incapacidade. As sequelas graves, como os défices neurológicos, são extremamente raras, e mais incidentes nos casos com doença mais arrastada ou grave.
A evolução registada nesta área tem sido notória. Recentemente, e pela primeira vez, o Serviço de Ortopedia do Hospital Pedro Hispano/ULSM realizou uma intervenção cirúrgica inovadora que permite uma abordagem menos invasiva no tratamento das hérnias discais lombares e com vantagens na recuperação do doente. A técnica, designada por Discectomia Lombar Endoscópica é uma cirurgia minimamente invasiva, que se executa através de uma pequena incisão e com recurso a um endoscópio que permite retirar a hérnia.
Esta intervenção menos agressiva da hérnia discal reduz o internamento para um dia e será brevemente realizada em ambulatório.

Dr. Nuno Bastos | Assistente Hospitalar de Ortopedia |Unidade de Coluna do Hospital Pedro Hispano/ULSM

A Saúde Oral

 

A Tuberculose

  • O que é a tuberculose?

A tuberculose é uma doença causada pelo Mycobacterium Tuberculosis, uma bactéria que se adquire por via inalatória. Geralmente a doença atinge os pulmões (tuberculose pulmonar), mas poderá atingir qualquer outro órgão (tuberculose extra-pulmonar).

É uma doença curável, que tem tratamento.

  • Como se transmite?

A transmissão faz-se por via aérea. Um doente com tuberculose das vias respiratórias emite bacilos para o ar quando tosse, espirra, fala ou canta.

Quando exposto em ambiente fechado a um doente com TB das vias respiratórias, os seus contactos vão inalar os bacilos que se encontram no ar e podem ficar infetados (infecção latente). Mas nem toda a gente exposta fica infectada, e nem toda a gente infectada fica doente.

Cerca de 10% das pessoas com tuberculose latente irão desenvolver tuberculose doença no decorrer das suas vidas, sendo esse risco maior nos dois primeiros anos após o contacto que originou a infecção.

A bactéria responsável pela tuberculose não se transmite através de contacto com artigos domésticos, como louça, talheres ou roupas.

  • Quais são os sintomas da tuberculose pulmonar?

Os doentes iniciam os sintomas de uma forma insidiosa, que frequentemente não valorizam. Tosse, inicialmente seca e depois com expetoração (por vezes com sangue), cansaço, falta de apetite, emagrecimento, suores noturnos e febre baixa de predomínio noturno são os sintomas mais comuns.

  • Como é feito o diagnóstico de tuberculose?

O diagnóstico de tuberculose doença é efetuado através da pesquisa de Mycobacterium Tuberculosis nos produtos orgânicos (expectoração, sangue e urina).

  • Como é feito o Rastreio de tuberculose pulmonar?

Para despistar doença é efetuada uma radiografia ao tórax e, possivelmente, é também realizada colheita de expectoração para pesquisa do Mycobacterium Tuberculosis. A prova tuberculínica (ou prova de Mantoux) e o teste IGRA (interferon-gama) poderão ser úteis para diagnosticar, após exclusão de doença ativa, os casos de tuberculose infecção latente.

  • Em que consiste o tratamento?

O tratamento farmacológico da tuberculose associa em regra quatro a cinco fármacos, consoante se trata de um primeiro tratamento ou de um retratamento, tomados diariamente, em regime de TOD (Toma Observada Directamente).

  • Como posso evitar o contágio da doença?

O uso de máscara pelo doente com tuberculose em fase bacilífera (contagiosa) é fundamental, assim como a adoção de estratégias permanentes de higienização e renovação do ar em espaços fechados, com arejamento e exposição aos raios UV dos compartimentos da habitação.

  • É possível prevenir a doença?

Sim. A vacinação com BCG, nos moldes definidos pela Direção Geral da Saúde (DGS), é aconselhada.
Perante a exposição a um doente com tuberculose, e enquadrando-se nos critérios definidos pela DGS, são seleccionados os contactos a rastrear. Nestes serão adotados os procedimentos para excluir doença e posteriormente a infecção latente.  Se detetados casos de tuberculose-doença, iniciam de imediato o seu tratamento.  Se detetados casos de tuberculose- infecção latente, serão eventualmente elegíveis para tratamento preventivo, de acordo com avaliação clínica individual.

A equipa do Centro de Diagnóstico Pneumológico da ULSM, liderada pelo médico Neto Rodrigues (segundo da direita para a esquerda)

O Centro de Diagnóstico Pneumológico (CDP), integrado na ULSM, é o serviço responsável pela prevenção e tratamento da tuberculose, nas suas múltiplas formas. O seu âmbito de atuação estende-se a toda a população residente no concelho de Matosinhos.

A propósito deste dia e deste tema estivemos no Programa Consultório do Porto Canal.

Veja aqui

Acidente Vascular Cerebral (AVC)

  • O que é o Acidente Vascular Cerebral (AVC)?

O Acidente Vascular Cerebral isquémico é uma lesão do cérebro que ocorre devido a uma interrupção do fornecimento de sangue a uma parte deste órgão. Sem o fornecimento de sangue, as células cerebrais podem ficar danificadas e impossibilitadas de cumprir a sua função. Existe ainda o AVC hemorrágico, menos frequente que o subtipo anterior e que resulta da ruptura de um vaso sanguíneo com extravasamento de sangue e dano do tecido cerebral.

  • Qual a importância do AVC?

O AVC é uma das principais doenças neurológicas que podem danificar o cérebro, provocando incapacidade a longo prazo. Em Portugal constitui a principal causa de morte. Podemos mesmo falar numa epidemia que no nosso país atinge cerca de três pessoas por hora, resultando num total aproximado de 25 000 portugueses por ano. Só no Serviço de Urgência do Hospital Pedro Hispano/ULSM são atendidos, todos os anos, cerca de 800 novos doentes com AVC, provenientes dos concelhos de Matosinhos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim.
É sobre estes números que importa reflectir, por duas razões fundamentais: primeiro porque o AVC se pode prevenir, e segundo porque o AVC se pode tratar. Isto significa que o AVC não é uma fatalidade. É possível reduzir o seu número e aumentar a proporção de doentes que recupera completamente depois de um AVC, voltando a assumir as suas funções na sociedade e na família.

  • Como se pode prevenir um AVC?

Como cidadãos somos responsáveis por reduzir, desde cedo, o nosso risco individual de sofrer um AVC, sendo essencial para isso vigiar e combater activamente os principais factores de risco modificáveis: tabagismo, consumo excessivo de álcool, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, sedentarismo, colesterol elevado, doença cardíaca como a fibrilação auricular. É muito importante que, todos os anos, com a ajuda do nosso médico de família, façamos um balanço individual destes factores e iniciemos estratégias para os corrigir.

  • Como se trata?

Ao longo da vida, uma em cada seis pessoas serão atingidas por um AVC.
Para melhorarmos o nosso sucesso na resposta ao AVC temos de nos preparar para ele, pois muito tem mudado nos últimos 20 anos no tratamento agudo do AVC. Hoje é possível desobstruir, atempadamente, os vasos sanguíneos e tratar os doentes em unidades de AVC, aumentando assim a probabilidade de uma boa recuperação. Tanto a população como as instituições de saúde devem estar preparadas, pois “tempo é cérebro”.
Por cada 15 minutos de atraso aumenta a mortalidade em 4% e reduz-se a probabilidade de independência à alta em 4%.

  • Quais os sinais de alerta? Como se identifica um AVC?

A população precisa de conhecer os sinais de alerta e saber como activar, rapidamente, a Via Verde para o AVC. Assim, sempre que identifique a instalação abrupta de um dos sinais de alerta para AVC ou 3F, como será mais fácil de fixar — alteração na Fala com dificuldade em se expressar ou perceber o que lhe dizem, Face descaída de um dos lados (boca ao lado), ou perda de Força num dos lados do corpo –, deve contactar o número nacional de emergência médica 112, e activar a Via Verde para o AVC. Ao fazê-lo, está a garantir que o doente chega rapidamente ao hospital e que vai ter acesso ao tratamento indicado o mais precocemente possível, aumentando assim as probabilidades de uma recuperação completa.
Estamos certos de que a sensibilização da população para o AVC é fundamental aos nossos objectivos: reduzir o número de novos AVC por ano e aumentar o número de doentes devolvidos à sociedade sem sequelas depois de um AVC.

 

Dr. Vítor Tedim Cruz, Neurologista | Diretor do Serviço de Neurologia da Unidade Local de Saúde de Matosinhos | Investigador Doutorado do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto |Membro da Direcção da Sociedade Portuguesa do AVC

 

Alimentação Saudável

Aqui vamos dar-lhe a oportunidade para conhecer um site útil que o pode guiar na sua alimentação: o nutrimento.pt

E o que é um nutrimento? “Um Nutrimento é uma “substância ou princípio nutriente ou nutritivo, elemento útil ao funcionamento do organismo, que é próprio dos alimentos”. Foi esta a definição escrita pelo Dr. Emílio Peres, um dos responsáveis  por instituir a formação superior na área das Ciências da Nutrição em Portugal, e foi também este o nome escolhido para o blog do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direção-Geral da Saúde, como forma de homenagear este ilustre investigador e pedagogo.

Saiba mais aqui

Atividade física & Exercício físico

O Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física (PNPAF) foi criado em 2016 e tem como documento orientador a Estratégia Nacional para a Promoção da Atividade Física, Saúde e Bem-Estar (ENPAF). Funciona em harmonia com o Plano Nacional de Saúde e com as principais orientações internacionais na área, nomeadamente da Organização Mundial da Saúde.

Saiba mais aqui

 

 

Atividades preventivas em Saúde

De que se fala exatamente quando se usa a palavra prevenção em Saúde? O que são atividades preventivas? O que é a prevenção primária? E o que significa a prevenção quartenária de que nos últimos tempos passou a fazer parte do discurso dos profissionais de Saúde? O Núcleo de Atividades em Prevenção Quaternária do Aces Matosinhos elegeu este tema para fazer informação em Saúde e contribuir para uma atitude mais critica e refletida, tanto por parte dos profissionais de saúde, como dos utentes.

  • O que são atividades preventivas em Saúde?

Desde há longos tempos que vamos ouvindo nas conversas do quotidiano que “prevenir é o melhor remédio”. Este ditado aplica-se a diversas esferas das nossas vidas, mas o conceito do “remédio” integrado na expressão liga-a especialmente ao contexto de Saúde. Efetivamente, toda a prática clínica (quer de Medicina, Enfermagem, Psicologia, Nutrição, Fisioterapia e outras áreas ligadas à Saúde) tem uma importante componente preventiva no seu processo de planeamento e acção. Através de uma consulta de Medicina Geral e Familiar podemos explicar os diversos conceitos preventivos.
Assim, as atividades preventivas podem ser classicamente divididas em quatro grandes grupos: prevenção primária, secundária, terciária e quaternária.

  • Ou seja, existem diferentes atividades preventivas — prevenção primária, secundária, terciária e quaternária. Como se distinguem?

Começando pela prevenção primária, podemos afirmar que o objetivo é evitar o aparecimento da doença. Uma atividade clínica orientada para a prevenção primária refere-se ao aconselhamento para bons hábitos ou estilos de vida, como uma alimentação equilibrada e com baixo teor em sal, e a prática de exercício físico para que se evite ou atrase o aparecimento da hipertensão ou diabetes. A vacinação é também, por si só, um acto primariamente preventivo: a imunização (genericamente traduzida para “protecção”) dada pela vacina reduz probabilidade de doença.

  • Sobre a prevenção secundária, podemos dizer que o médico está já a intervir perante um diagnóstico?

Sim, a prevenção secundária tem como objectivo diminuir as sequelas ou consequências da doença já diagnosticada, quer ao nível dos sintomas/ qualidade de vida, quer ao nível da mortalidade. Um exemplo ilustrativo da prevenção secundária é a prescrição de fármacos antihipertensores ou antidiabéticos de forma a adquirir-se controlo das doenças instaladas (hipertensão e diabetes). Neste contexto, as medidas de prevenção secundária constroem-se sobre as medidas de prevenção primária, que se mantêm como os alicerces de qualquer atividade preventiva.

  • E que diferenças existem relativamente à prevenção terciária?

Podemos afirmar que a prevenção terciária consiste nos procedimentos clínicos que reduzem o impacto e as consequência da doença na vida das pessoas. Um exemplo das atividades de prevenção terciária são as medidas orientadas para a reabilitação de uma pessoa que tenha sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) devido a uma hipertensão descontrolada. Outro exemplo será o aconselhamento sobre os cuidados necessários (higiene, hidratação, calçado especial, tratamento diferenciado podológico…) numa situação em que já existem lesões na enervação ou na circulação sanguínea dos pés causadas por uma diabetes não-regulada.

  • Finalmente, sobre a prevenção quaternária. Como se define? O que significa esta expressão cada vez mais recorrente?

A prevenção quaternária é a não realização de procedimentos no âmbito de cuidados de saúde que possam, por si só, ser excessivos ou lesivos para o paciente. A prevenção quaternária é, portanto, muito abrangente porque envolve um trabalho intenso de informação e esclarecimento:
• ao paciente: mitos em saúde que condicionam parte da população a iniciar estratégias para o seu bem-estar e saúde
• ao profissional de saúde: actualização científica e discussão interpares das práticas clínicas que possam ser entendidas como benéficas, mas que na verdade não têm bases científicas para serem entendidas como tal.
• na relação profissional de saúde-doente: melhoria da comunicação entre médico e doente, de forma a que as decisões sejam tomadas em acordo, e com ambos intervenientes mutuamente informados.

  • Quer dar um exemplo de prevenção quaternária?

Um exemplo típico de prevenção quaternária é o rastreio do cancro da próstata através do valor sanguíneo do PSA. Poderá ser surpreendente, mas este rastreio não tem uma sólida base científica que o sustente, apesar de vários profissionais de saúde, instituições de saúde e uma grande parte da população o ter como uma atividade preventiva com um saldo positivo benefício/risco. Na verdade, os estudos revelam que, apesar de haver um considerável número de casos de cancro detectados a partir de uma alteração inicial neste rastreio, há também um determinado número de homens que sofrem as consequências dos tratamentos, mas que não tiveram qualquer efeito positivo na sua qualidade de vida ou longevidade.
Assim, a decisão de avançar para o rastreio do cancro da próstata envolve uma decisão partilhada entre paciente e médico, em que o paciente pondera a sua decisão após receber informação sobre os riscos/benefícios trazida pelas inquietações clínicas honestas do seu médico.

  • Finalmente, como surgiu o do Núcleo de Actividades em Prevenção Quaternária do ACES de Matosinhos, e quais os seus objetivos?

O núcleo surgiu da necessidade do Conselho Clínico e de Saúde organizar grupos de atividades nas diversas áreas de governação clínica. A Prevenção Quaternária é um conceito recente, mas já havia um projeto estruturado neste âmbito na ULSM que não tinha sido possível implementar, o que foi visto como uma oportunidade para abordar esta temática. Foi convidado para o grupo o Dr. José Agostinho (um dos autores do projeto) e o Dr. Luís Filipe Silva para iniciar o trabalho e aperfeiçoar o mesmo à luz das necessidades atuais. Os principais objetivos deste núcleo são:
• atualização científico-médica em questões centrais da Prevenção Quaternária com revisão de orientações de prática clínica;
• facilitar uma comunicação efectiva, humana e bidireccional das questões e dúvidas em torno de determinados temas de interesse para a consulta;
• aumentar o grau de literacia em Saúde com divulgação de informação ao paciente que favoreça uma capacitação na gestão da sua saúde e auto-cuidado enquanto agente da negociação clínica.

Núcleo de Atividades em Prevenção Quaternária do Aces Matosinhos:
Dra. Carla Ponte, especialista de Medicina Geral e Familiar | Dr Luís Filipe Silva, especialista de Medicina Geral e Familiar   | Dr. José Agostinho Santos, especialista de Medicina Geral e Familiar

Na foto, a Dra. Carla Ponte, especialista de Medicina Geral e Familiar, e o Dr. Agostinho Santos, especialista de Medicina Geral e Familiar, sendo que do grupo ainda faz parte o Dr. Luís Filipe Silva, especialista de Medicina Geral e Familiar.

Cancro cutâneo

Com o bom tempo e o Verão à porta, o tema é inevitável: Sol e cancro de pele. Apesar das campanhas e dos rastreios dos últimos anos, continua a fazer sentido falar da importância da prevenção e de estar atento aos sinais de alerta. “Devemos educar a população para as alterações a valorizar nos sinais”, defende Marta Pereira, diretora do Serviço de Dermatologia do Hospital Pedro Hispano/Unidade Local de Saúde de Matosinhos, alertando também para a necessidade de sensibilizar para “uma exposição solar consciente e controlada”.

  • O cancro da pele é uma das doenças que nos últimos anos passou a fazer parte das preocupações dos portugueses. Na sua opinião essa preocupação corresponde a uma mudança de atitude relativamente aos fatores de risco?

A população está mais atenta à pele e aos “sinais”, talvez como resultado de um trabalho de sensibilização de vários agentes para o problema do aumento da incidência do cancro da pele. No geral, os portugueses reconhecem que a exposição solar desregrada é o principal fator de risco para o aparecimento de cancro cutâneo.
Contudo, ainda não se assiste a uma verdadeira mudança de comportamentos: a exposição solar continua a ser feita de forma muito precoce na vida, é comum vermos crianças na praia sem qualquer protecção física (camisola, chapéu, óculos de sol) e em horas desaconselháveis (famílias a “chegarem” à praia pelas 11h00 e aí permanecerem sem recorrer a sombras). Também nas actividades lúdicas e desportivas, a protecção solar ainda não é uma regra, sendo muito comum observar ciclistas ou corredores sem chapéu ou óculos de sol.
Outro comportamento que assume dimensões preocupantes nos adolescentes e adultos jovens é a utilização de “solários”, com a intenção de obter um “bronzeado” rápido, e que acarreta uma exposição a radiação ultravioleta não calculada e potencialmente cancerígena.

  • O diagnóstico em tempo útil é decisivo para o tratamento, mas existem meios e recursos nos serviços de saúde que permitem fazer esse diagnóstico e tratar atempadamente?

O cancro cutâneo é visível e a população deve procurar informação sobre que “sinais” ou alterações da pele, nomeadamente da pele exposta ao sol, serão de valorizar. O diagnóstico e tratamento numa fase inicial da doença podem significar a cura.
A articulação entre o médico assistente (ou médico de família) e o dermatologista são fundamentais para a referenciação precoce das situações potencialmente mais graves. Na Unidade Local de Saúde de Matosinhos utilizamos a referenciação por Telemedicina cuja eficácia na priorização dos casos oncológicos está bem estabelecida.

  • Entre as várias doenças de pele, que expressão tem o cancro da pele no dia – a -dia da prática clínica do Serviço de Dermatologia?

Presentemente, cerca de 25% da patologia seguida no Serviço Dermatologia da ULSM é oncológica.

  • Além dos fatores de risco já identificados, como a exposição solar, por exemplo, existe ou não uma predisposição genética, individual para desenvolver cancro da pele?

As doenças genéticas de predisposição ao cancro cutâneo são relativamente raras, como o Albinismo, o Xeroderma pigmentoso ou mesmo o Síndrome dos basaliomas nevóides. Determinadas condições, como os transplantados renais, têm também risco acrescido de tumores cutâneos.
O factor de risco mais importante para cancro cutâneo é a exposição solar aguda intensiva (aumento do risco de melanoma e carcinoma basocelular) e a exposição solar crónica cumulativa (risco de carcinoma espinocelular).
A susceptibilidade individual à radiação varia consoante o fototipo, isto é, o tom de pele. Indivíduos de fototipo baixo (I e II) ruivos ou loiros de pele clara e olhos claros, têm menor “resistência” ao sol. Indivíduos de pele morena, cabelo e olhos castanhos (fototipo III) têm resistência moderada, já os indivíduos de pele escura (fotótipos IV e V) são menos susceptíveis aos efeitos nefastos da radiação solar.

  • Quando se aproxima o Verão, começamos a ouvir falar mais de rastreios de cancro da pele. Continua a ser importante insistir na sua realização?

Os rastreios são importantes, na medida em que são uma oportunidade para realizar o exame completo da pele, para educar os utentes sobre as alterações a valorizar nos “sinais” e sobre os cuidados a ter com a exposição solar.

  • Qual a melhor forma de prevenir o cancro cutâneo?

Educar para uma exposição solar consciente e controlada, dado que a radiação solar continua a ser o principal fator contributivo para o desenvolvimento de cancro cutâneo, é fundamental.

Assim, é importante:

  • Respeitar os horários de exposição solar (evitar a exposição entre as 11h e as 16h).
  • Usar proteção física: roupa adequada, chapéu de abas, óculos de sol
  • Promover o uso da sombra, sobretudo nas horas de maior intensidade de radiação
  • Utilizar corretamente os cremes protetores solares, não aumentado o tempo de exposição, com a justificação de que se colocou creme com filtros solares.
  • Educar as crianças promovendo o uso do “kit Sol seguro” (chapéu, vestuário adequado, óculos de sol, creme protector solar pediátrico). Ensinar que “sombra pequena, Sol intenso”, “sombra comprida, Sol amigo”.

Começar desde bem cedo a ensinar às crianças bons hábitos de convivência com o Sol, revela-se a melhor estratégia a longo prazo, pois esses bons hábitos irão perdurar ao longo da vida.

Marta Pereira, diretora do Serviço de Dermatologia do Hospital Pedro Hispano/Unidade Local de Saúde de Matosinhos

Centro de Ensaios Clínicos - investigação clínica na ULSM

Criado em 2014 com a missão de apoiar e promover a investigação clínica na Unidade Local de Saúde de Matosinhos, o Centro de Ensaios Clínicos, a funcionar no Hospital Pedro Hispano, resultou de um protocolo de colaboração com a Blueclinical, na sequência da publicação da Lei da Investigação Clínica, que se traduziu numa oportunidade de enquadramento para a dinamização desta atividade.
A Prof. Doutora Rosa Maria Príncipe, recém-nomeada coordenadora do CES, fala-nos sobre a atividade destes últimos anos e dos objetivos futuros.

  • O Centro de Ensaios Clínicos nasceu com o objetivo de dinamizar a investigação clínica na ULSM, tornando-a mais “profissionalizada”. Que balanço da atividade até agora desenvolvida?

O balanço é, sem dúvida, bastante positivo e promissor. Desde 2014, o crescimento tem sido muito significativo tanto do ponto de vista de quantidade de ensaios como de qualidade dos mesmos, crescimento que queremos continuar. A ULSM tem recursos físicos, humanos e organizacionais que lhe permitem crescer muito mais na área dos ensaios clínicos.

  • Quais os estudos clínicos que a ULSM desenvolve e/ou participa neste momento?

Neste momento temos cerca de 30 ensaios clínicos ativos e cerca de 15 estudos observacionais em diferentes áreas terapêuticas, nomeadamente diabetes, obesidade, AVC, Alzheimer, HIV… São estudos de diferentes fases desde fase II a IV. No entanto queremos muito desenvolver ensaios noutras áreas terapêuticas para envolvermos todos os profissionais que assim o desejem.

  •  Qual a importância estratégica que a investigação clínica tem para a ULSM?

Por um lado a investigação clínica permite que os utentes da ULSM tenham acesso a terapias inovadoras que possam responder às suas necessidades, por outro, poderá ser uma fonte de financiamento importante num momento em que o SNS se debate com tantos problemas orçamentais e a ULS continua a aspirar prestar um serviço de excelência à sua comunidade.
Já para os profissionais é mais um fator de envolvimento no desenvolvimento de medicamentos e dispositivos médicos que permite aumentar o seu conhecimento e formação.

  • Que áreas de investigação considera de maior interesse para a instituição, uma vez que como Unidade Local de Saúde caracteriza-se pela integração de cuidados hospitalares e cuidados de saúde primários?

Temos interesse em desenvolver todas as áreas que vão de encontro ao perfil de cuidados de saúde prestados pela ULSM, seja no âmbito hospitalar, seja nos Cuidados de Saúde Primários. Acreditamos que essa proximidade com os cuidados de saúde primários pode ser uma mais valia na capacidade de identificar doentes permitindo que estes tenham acesso a terapêuticas inovadoras.

  • Acaba de ser nomeada para a coordenação do Centro de Ensaios Clínicos, quais são os objetivos para o CEC?

Acima de tudo queremos aumentar o número de ensaios tanto nas áreas que já são de excelência no nosso Centro, como nas áreas terapêuticas que ainda estão a começar, mantendo sempre o rigor ético e cientifico pelo qual queremos que a ULS seja sempre reconhecida. Para tal o nosso Centro está a apostar na optimização dos recursos humanos e materiais dedicados aos EC, bem como na formação de todos os intervenientes, sejam profissionais sejam membros da comunidade em geral. No que se refere aos profissionais estamos a incentivar a formação especifica nesta área, e quanto à comunidade queremos aumentar o seu conhecimento relativamente ao que é um EC, de forma a que possam reconhecer as suas vantagens e reduzir o estigma que ainda envolve a palavra Ensaio Clínico.
Com tudo isto pretendemos tornar a ULSM um centro de referência nacional e internacional no que respeita à Investigação Clínica.

Prof Doutora Rosa Maria Príncipe, Coordenadora do Centro de Ensaios Clínicos

 

 

Dia Mundial da Esclerose Múltipla

Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2.500.000 pessoas com Esclerose Múltipla, em Portugal são mais de 5000 doentes, estimando-se uma prevalência de 50 casos por cada 100 mil habitantes. O acompanhamento destes doentes requer uma abordagem multidisciplinar, envolvendo várias especialidades médicas e tendo em conta o impacte da doença na vida da pessoa.

  • O que é a Esclerose Múltipla?

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença crónica, inflamatória e degenerativa, que atinge o Sistema Nervoso Central. Esta patologia surge, frequentemente, entre os 20 e os 40 anos de idade, sendo mais incidente nas mulheres. Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2.500.000 pessoas com EM e, em Portugal, mais de 5000, com uma prevalência estimada de 50 casos por cada 100 mil habitantes.

  • Quais os sintomas ou sinais da doença?

As manifestações clínicas da EM variam de pessoa para pessoa devido à grande variabilidade de localizações neuroanatómicas e da sequência temporal das lesões inflamatórias. Por exemplo, uma alteração da acuidade visual, visão dupla, diminuição da sensibilidade ou força num membro, desequilíbrio na marcha. Geralmente não é um sintoma transitório, mas sim de duração superior a 24 horas e que pode prologar-se por várias semanas, se não se realizar um tratamento precoce.

  • Como se trata a EM?

A intervenção terapêutica na doença desenvolve-se em duas vertentes: o tratamento farmacológico (agentes modificadores da doença e medicamentos sintomáticos) e a reabilitação, motora e cognitiva. É importante salientar que o acompanhamento destes doentes requer uma abordagem multidisciplinar envolvendo as especialidades de Neurologia, Oftalmologia, Fisiatria, Urologia, Psiquiatria, Enfermeiro de referência para a EM, Médico e Enfermeiro de Família, Psicólogo e Assistente Social.

  • O Serviço de Neurologia, por sua iniciativa, já organizou sessões informativas sobre a EM dirigidas a doentes e seus familiares. Qual a importância destas iniciativas?

Sim, já realizamos uma sessão no âmbito da comemoração do Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla dedicada aos doentes e seus familiares. Através de uma abordagem mais informal, e fora do contexto da consulta, a nossa intenção foi debater o impacte da doença na vida da pessoa, os tratamentos, o apoio de enfermagem e as alterações neuropsicológicas da EM, com o objetivo de esclarecer, desmistificar a doença e, ao mesmo tempo, estreitar a relação entre os vários intervenientes. É importante, e é nossa intenção, realizar mais ações destas.

Dr. Filipe Correia, Neurologista | Enfª Teresa Torres, Consulta de Enfermagem

Unidade de Esclerose Múltipla do Hospital Pedro Hispano/ULSM

Dr. Filipe Correia

O Sarampo

Plano de Contingência Módulo Calor - 2018

Já se encontra aprovado e em exercício o Plano de Contingência Saúde Sazonal – Módulo Calor para 2018.

Consulte o documento aqui: ULSM_plano_contigencia_modulo_verao_2018

Preparação em meio aquático para o parto

A Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM) começou a disponibilizar, em abril, aulas de preparação em meio aquático para o parto. Estas aulas decorrem na Piscina Municipal de Guifões e destinam-se a todas as grávidas/casais que estão a frequentar o curso de preparação para o parto e parentalidade no Serviço de Obstetrícia do Hospital Pedro Hispano e nas Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC) do ACeS Matosinhos.

  • A preparação para o parto e parentalidade já tem uma experiência de largos anos na ULSM, com o projeto Bem-me-Quer. Com a preparação em meio aquático para o parto, podemos dizer que agora entramos num novo ciclo?

O projeto Bem-me-quer – Preparação para o Parto e Parentalidade tem como finalidade promover a vivência saudável da gravidez, parto e parentalidade, dando resposta a uma das necessidades de saúde identificadas no Plano Local de Saúde de Matosinhos. Este projeto tem como objetivos promover a aquisição de conhecimentos e de estratégias facilitadoras para que a grávida /casal assuma um papel ativo na gravidez e no trabalho de parto, contribuindo para uma experiência mais satisfatória.
Desde o desenho inicial que havia também a intenção de incluir a preparação para o parto realizada em meio aquático. É este passo que agora concretizamos, com a ULSM a continuar a inovar no acompanhamento das grávidas/casais grávidos que procuram os seus serviços para o seguimento da gravidez, mas também no momento do nascimento.

  • Esta inovação na preparação para a parentalidade vem dar uma nova dinâmica ao trabalho já desenvolvido?

Sim, uma evolução já há muito aguardada pelas enfermeiras especialistas em Saúde Materna, envolvidas neste projeto, e que vem complementar o trabalho já realizado. Pelas suas características específicas, a preparação em meio aquático para o parto permite aos futuros pais viver a experiência da gestação, trabalho de parto, e parto de forma mais consciente e gratificante.

  • Quais as vantagens da preparação em meio aquático face à abordagem mais “tradicional” (aulas no solo)?

Alguns dos efeitos físicos mais importantes da água na preparação pré natal são a flutuabilidade, a temperatura e o relaxamento, a pressão hidrostática, a consciencialização da respiração e do corpo.
O efeito relaxante da água quente promove a eliminação das sensações de tensão aumentando a produção de endorfinas, responsáveis pela diminuição da perceção de dor e promotoras da sensação de bem-estar e relaxamento. Essa sensação de bem-estar permite também uma melhor perceção dos movimentos do bebé, ao mesmo tempo que diminui a frequência cardíaca e a tensão arterial.
A pressão hidrostática em meio aquático proporciona à grávida uma sensação de conforto e proteção, bem como o aumento da coordenação de movimentos. Favorece ainda a diminuição da retenção venosa, produzindo um efeito preventivo contra as varizes e os edemas, pois o movimento na água melhora a circulação linfática contribuindo para drenar os líquidos acumulados.
Durante as aulas são praticados exercícios de flexibilidade, postura corporal, mobilidade da pelve, tonificação muscular, relaxamento, perceção do feto e consciencialização do corpo e da respiração.

  • Quais os objetivos dos exercícios realizados em meio aquático?

A imersão parcial em meio aquático recria um ambiente de microgravidade, do qual resulta uma sensação de leveza ainda mais notória na gravidez avançada. A imersão aumenta a flutuabilidade: quanto mais imerso estiver o corpo, maior será a força de impulsão da água pelo que será mais fácil praticar os exercícios. Dessa forma, a grávida poderá manter a sua autonomia e agilidade de movimentos, aliviar a carga nas articulações, tonificar os músculos e corrigir a postura, bem como diminuir as dores lombares e o risco de lesão durante o exercício. Ao mesmo tempo, os exercícios respiratórios em meio aquático permitem aumentar a capacidade respiratória (a expiração será mais intensa e a inspiração mais profunda, exercendo pressão contra a resistência da água).
Resumindo, podemos dizer que os objetivos dos exercícios praticados em meio aquático são: fornecer preparação física no período perinatal, aumentar a sensação de segurança do casal grávido, eliminar medos e angústias relacionados com a gravidez e o parto, promover a auto confiança/segurança, a consciencialização do corpo, a ligação da tríade mãe/pai/bebé e o bem-estar durante a gravidez.

  • Que condições são necessárias à realização destas aulas?

Estas aulas decorrem em grupo, constituídos no máximo por 10 grávidas/casais, numa piscina aquecida entre os 28ºC e os 32ºC, com duração aproximada de 45 minutos.
As aulas são gratuitas e vão decorrer uma vez por semana (um grupo à quarta-feira e outro à sexta-feira), na Piscina Municipal de Guifões, orientadas por enfermeiras especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia com formação em Preparação Aquática Pré e Pós-Natal e aclimatização de bebés à água, certificada pela associação Aquanatal- Aquarius (Ostend, Bélgica). Este projeto resulta de uma parceria com a Matosinhos Sport e a Câmara Municipal de Matosinhos.

 

As Enfermeiras Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia: Conceição Santa-Martha, Clara Aires e Joana Varela,

Mais Saúde

A Amamentação

  • Porquê amamentar?

O leite materno é o melhor alimento para o bebé.
O leite materno adapta-se exatamente às necessidades nutricionais do bebé nas diferentes etapas de crescimento, modificando a sua composição à medida que o bebé cresce. Previne doenças como as infeções, obesidade, diabetes, entre outras, sendo esta uma vantagem exclusiva do leite materno. O leite materno está sempre pronto e à temperatura ideal, sendo o alimento mais completo e económico.
A Organização Mundial de Saúde recomenda a amamentação exclusiva pelo menos até aos 6 meses e a sua manutenção até aos 2 anos ou mais, complementando com outros alimentos.
Amamentar também é benéfico para a mãe. A mãe que amamenta recupera rapidamente o seu peso habitual, tem também menos risco de cancro da mama, do ovário e de osteoporose.
Amamentar é um ato de amor e carinho, reforça a relação íntima entre mãe e bebé, sendo uma experiência enriquecedora para ambos.

  • Como ter sucesso na amamentação?

A amamentação é um processo evolutivo de aprendizagem e adaptação tanto para o bebé como para a mãe.

  • Dar de mamar sempre que o bebé apresentar sinais de fome e em horário livre (caso o bebé deseje poderá mesmo mamar a cada hora).
  • Assegurar uma pega correta.
  • Manter as mamadas da noite, de modo a assegurar uma boa produção de leite.
  • Evitar a utilização de mamilos artificiais, chupetas e biberões (confundem o bebé em relação ao mamilo).
  • Procurar ajuda especializada sempre que necessitar.

Para o efeito, o Hospital Pedro Hispano, acreditado como Hospital Amigo dos Bebés, dispõe de profissionais com competências em aconselhamento em aleitamento materno, um “Cantinho de Amamentação” e uma linha telefónica que funciona 24 horas por dia. Também em todos os centros de saúde da Unidade Local de Saúde de Matosinhos existem “Cantinhos de Amamentação” onde as mães podem recorrer e esclarecer as dúvidas.

  • O que é um “Hospital Amigo dos Bebés”?

O Hospital Pedro Hispano é desde Setembro de 2011 considerado “Hospital Amigo dos Bebés”. Um título que renovou em maio de 2015 e que garante que continua a implementar as medidas definidas pela OMS e pela UNICEF de promoção e incentivo ao aleitamento materno. O próximo passo é conseguir o mesmo título para o ACES Matosinhos, a caminho de “Unidade Local de Saúde Amiga dos Bebés”.

  • O que defende essa estratégia de incentivo ao aleitamento materno?

As recomendações da OMS e da Unicef, responsáveis pela iniciativa “Hospital Amigo dos Bebé”, contemplam dez medidas consideradas fundamentais para o sucesso do aleitamento materno e que devem ser implementadas nos serviços de saúde vocacionados para a assistência a grávidas e recém-nascidos. Entre essas medidas destaca-se, por exemplo, a ajuda à mãe a iniciar o aleitamento na primeira hora após o nascimento, a não dar tetinas ou chupetas aos bebés, e a informar todas as grávidas sobre as vantagens do aleitamento no crescimento e saúde do seu filho.

O primeiro objetivo é, sem dúvida, aumentar as taxas de amamentação, estabelecendo como meta que um maior número de bebés até aos seis meses usufrua das vantagens do aleitamento materno exclusivo. Este foi um dos pontos de partida deste projecto de candidatura a “Hospital Amigo dos Bebés” que se iniciou em 2007 e que exigiu uma mudança de atitude dos profissionais de saúde – médicos, enfermeiros e assistentes –, bem como o envolvimento dos diferentes serviços do Hospital Pedro Hispano e da ULSM, onde se insere.

  • E depois da alta hospitalar, que apoio é prestado às mães na amamentação?

As dúvidas surgem com maior incidência na primeira semana de vida do bebé, após o momento da alta hospitalar, prolongando-se, geralmente, até ao 10º dia. Nesse sentido, foram criados os “Cantinhos de Amamentação” que funcionam como espaços de apoio às mães e funcionária lactantes. Nos “cantinhos” as mães podem receber ajuda, esclarecer dúvidas e partilhar receios, ou simplesmente amamentar em privacidade, e sempre com o apoio de um profissional com competências em aconselhamento em aleitamento materno.´

Depois dos “cantinhos” foi criada também a Linha Verde de Amamentação, uma linha direta de apoio à amamentação (22 939 13 40) que garante às mães a disponibilidade de uma enfermeira especialista 24 horas por dia. Além do atendimento no momento, a partir da situação que a mãe descreve, a enfermeira faz a orientação para os serviços que considerar necessários, seja o “Cantinho de Amamentação”, o Serviço de Urgência ou Unidade de Saúde.

A Linha de Amamentação está acessível a todas as mães da área de influência da ULSM, e também àquelas que escolherem o HPH para o parto. E não só, pois os telefonemas chegam de cidades tão distintas como Coimbra ou Cascais, também dos Açores e Madeira e até de fora do país.

Comité do Aleitamento Materno da ULSM | Consultora Internacional de Lactação

Enfermeira Ana Ribeiro, Especialista em Saúde Infantil

Comité do Aleitamento Materno da ULSM |Consultora Internacional de Lactação

A Hérnia Discal

  • O que é uma hérnia discal?

A nossa Coluna Vertebral é composta por 24 vértebras que formam um conjunto harmonioso que serve de suporte ao nosso tronco. Articula-se com o crânio, superiormente, e com o sacro e a bacia, na parte inferior.
Essas mesmas vértebras estão unidas por um conjunto de discos intervertebrais que permitem a mobilidade da coluna e servem como “amortecedores” entre as vértebras.
Quando esses discos se estragam, quer por via do desgaste, quer devido a trauma ou esforços súbitos, podem surgir as hérnias discais, que têm significado clínico quando comprimem estruturas neurológicas, quer seja o canal vertebral, onde estão os nervos, quer seja os pequenos buracos por onde estes saem da coluna para enervar a pele, músculos ou articulações.

  • Quais os sintomas?

Os nervos têm importantes funções para a sensibilidade da pele e estruturas do corpo, para transmitir os impulsos nervosos que fazem contrair os músculos (função motora), ou para a sensibilidade específica das articulações (propriocepção).
Como tal, quando parte do disco comprime as estruturas nervosas ou aperta o canal, o que vai surgir vai ser dor nas costas (pescoço, dorso ou lombar), dor irradiada (por exemplo, dor tipo ciática), assim como alterações da sensibilidade (por exemplo, formigueiros ou sensação de calor ou frio).

  • Como de se faz o diagnóstico?

O diagnóstico faz-se com a ajuda da Tomografia Axial Computorizada (TAC) ou da Ressonância Magnética Nuclear (RMN). O primeiro exame é mais rápido, mas tem radiação, ao passo que o segundo apresenta melhores imagens e não tem radiação, podendo ser feito as vezes que for necessário.

  • Qual o tratamento?

Quanto ao tratamento, há que ter a noção de que a maior parte das hérnias não necessita de ser operada.
De facto, o tratamento inicial passa por repouso, a toma de medicamentos para aliviar a dor (analgésicos ou anti-inflamatórios), ortóteses para imobilizar a coluna – colar cervical ou lombostato, tratamento de Fisioterapia (associado ou não a terapias alternativas), e acima de tudo o tempo…

  • Quando é preciso recorrer à cirurgia?

Se os sintomas forem graves, nomeadamente com falta de força no membro afetado, ou se persistirem durante muito tempo (período mínimo de 4 a 6 semanas), temos de empreender por tratamentos invasivos, quer sejam Procedimentos Minimamente Invasivos – por exemplo Nucleoplastia, Ozonoterapia ou IDET – que geralmente são adequados para hérnias pequenas, quer sejam cirurgias para extração da hérnia ou alargamento do canal ou foramens, com ou sem fixação das vértebras.
O tratamento invasivo, quando tem uma indicação precisa e motivação por parte do doente (com um perfil psicológico adequado), tem uma taxa de sucesso superior a 90% no alívio da dor e da incapacidade. As sequelas graves, como os défices neurológicos, são extremamente raras, e mais incidentes nos casos com doença mais arrastada ou grave.
A evolução registada nesta área tem sido notória. Recentemente, e pela primeira vez, o Serviço de Ortopedia do Hospital Pedro Hispano/ULSM realizou uma intervenção cirúrgica inovadora que permite uma abordagem menos invasiva no tratamento das hérnias discais lombares e com vantagens na recuperação do doente. A técnica, designada por Discectomia Lombar Endoscópica é uma cirurgia minimamente invasiva, que se executa através de uma pequena incisão e com recurso a um endoscópio que permite retirar a hérnia.
Esta intervenção menos agressiva da hérnia discal reduz o internamento para um dia e será brevemente realizada em ambulatório.

Dr. Nuno Bastos | Assistente Hospitalar de Ortopedia |Unidade de Coluna do Hospital Pedro Hispano/ULSM

A Saúde Oral

 

A Tuberculose

  • O que é a tuberculose?

A tuberculose é uma doença causada pelo Mycobacterium Tuberculosis, uma bactéria que se adquire por via inalatória. Geralmente a doença atinge os pulmões (tuberculose pulmonar), mas poderá atingir qualquer outro órgão (tuberculose extra-pulmonar).

É uma doença curável, que tem tratamento.

  • Como se transmite?

A transmissão faz-se por via aérea. Um doente com tuberculose das vias respiratórias emite bacilos para o ar quando tosse, espirra, fala ou canta.

Quando exposto em ambiente fechado a um doente com TB das vias respiratórias, os seus contactos vão inalar os bacilos que se encontram no ar e podem ficar infetados (infecção latente). Mas nem toda a gente exposta fica infectada, e nem toda a gente infectada fica doente.

Cerca de 10% das pessoas com tuberculose latente irão desenvolver tuberculose doença no decorrer das suas vidas, sendo esse risco maior nos dois primeiros anos após o contacto que originou a infecção.

A bactéria responsável pela tuberculose não se transmite através de contacto com artigos domésticos, como louça, talheres ou roupas.

  • Quais são os sintomas da tuberculose pulmonar?

Os doentes iniciam os sintomas de uma forma insidiosa, que frequentemente não valorizam. Tosse, inicialmente seca e depois com expetoração (por vezes com sangue), cansaço, falta de apetite, emagrecimento, suores noturnos e febre baixa de predomínio noturno são os sintomas mais comuns.

  • Como é feito o diagnóstico de tuberculose?

O diagnóstico de tuberculose doença é efetuado através da pesquisa de Mycobacterium Tuberculosis nos produtos orgânicos (expectoração, sangue e urina).

  • Como é feito o Rastreio de tuberculose pulmonar?

Para despistar doença é efetuada uma radiografia ao tórax e, possivelmente, é também realizada colheita de expectoração para pesquisa do Mycobacterium Tuberculosis. A prova tuberculínica (ou prova de Mantoux) e o teste IGRA (interferon-gama) poderão ser úteis para diagnosticar, após exclusão de doença ativa, os casos de tuberculose infecção latente.

  • Em que consiste o tratamento?

O tratamento farmacológico da tuberculose associa em regra quatro a cinco fármacos, consoante se trata de um primeiro tratamento ou de um retratamento, tomados diariamente, em regime de TOD (Toma Observada Directamente).

  • Como posso evitar o contágio da doença?

O uso de máscara pelo doente com tuberculose em fase bacilífera (contagiosa) é fundamental, assim como a adoção de estratégias permanentes de higienização e renovação do ar em espaços fechados, com arejamento e exposição aos raios UV dos compartimentos da habitação.

  • É possível prevenir a doença?

Sim. A vacinação com BCG, nos moldes definidos pela Direção Geral da Saúde (DGS), é aconselhada.
Perante a exposição a um doente com tuberculose, e enquadrando-se nos critérios definidos pela DGS, são seleccionados os contactos a rastrear. Nestes serão adotados os procedimentos para excluir doença e posteriormente a infecção latente.  Se detetados casos de tuberculose-doença, iniciam de imediato o seu tratamento.  Se detetados casos de tuberculose- infecção latente, serão eventualmente elegíveis para tratamento preventivo, de acordo com avaliação clínica individual.

A equipa do Centro de Diagnóstico Pneumológico da ULSM, liderada pelo médico Neto Rodrigues (segundo da direita para a esquerda)

O Centro de Diagnóstico Pneumológico (CDP), integrado na ULSM, é o serviço responsável pela prevenção e tratamento da tuberculose, nas suas múltiplas formas. O seu âmbito de atuação estende-se a toda a população residente no concelho de Matosinhos.

A propósito deste dia e deste tema estivemos no Programa Consultório do Porto Canal.

Veja aqui

Acidente Vascular Cerebral (AVC)

  • O que é o Acidente Vascular Cerebral (AVC)?

O Acidente Vascular Cerebral isquémico é uma lesão do cérebro que ocorre devido a uma interrupção do fornecimento de sangue a uma parte deste órgão. Sem o fornecimento de sangue, as células cerebrais podem ficar danificadas e impossibilitadas de cumprir a sua função. Existe ainda o AVC hemorrágico, menos frequente que o subtipo anterior e que resulta da ruptura de um vaso sanguíneo com extravasamento de sangue e dano do tecido cerebral.

  • Qual a importância do AVC?

O AVC é uma das principais doenças neurológicas que podem danificar o cérebro, provocando incapacidade a longo prazo. Em Portugal constitui a principal causa de morte. Podemos mesmo falar numa epidemia que no nosso país atinge cerca de três pessoas por hora, resultando num total aproximado de 25 000 portugueses por ano. Só no Serviço de Urgência do Hospital Pedro Hispano/ULSM são atendidos, todos os anos, cerca de 800 novos doentes com AVC, provenientes dos concelhos de Matosinhos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim.
É sobre estes números que importa reflectir, por duas razões fundamentais: primeiro porque o AVC se pode prevenir, e segundo porque o AVC se pode tratar. Isto significa que o AVC não é uma fatalidade. É possível reduzir o seu número e aumentar a proporção de doentes que recupera completamente depois de um AVC, voltando a assumir as suas funções na sociedade e na família.

  • Como se pode prevenir um AVC?

Como cidadãos somos responsáveis por reduzir, desde cedo, o nosso risco individual de sofrer um AVC, sendo essencial para isso vigiar e combater activamente os principais factores de risco modificáveis: tabagismo, consumo excessivo de álcool, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, sedentarismo, colesterol elevado, doença cardíaca como a fibrilação auricular. É muito importante que, todos os anos, com a ajuda do nosso médico de família, façamos um balanço individual destes factores e iniciemos estratégias para os corrigir.

  • Como se trata?

Ao longo da vida, uma em cada seis pessoas serão atingidas por um AVC.
Para melhorarmos o nosso sucesso na resposta ao AVC temos de nos preparar para ele, pois muito tem mudado nos últimos 20 anos no tratamento agudo do AVC. Hoje é possível desobstruir, atempadamente, os vasos sanguíneos e tratar os doentes em unidades de AVC, aumentando assim a probabilidade de uma boa recuperação. Tanto a população como as instituições de saúde devem estar preparadas, pois “tempo é cérebro”.
Por cada 15 minutos de atraso aumenta a mortalidade em 4% e reduz-se a probabilidade de independência à alta em 4%.

  • Quais os sinais de alerta? Como se identifica um AVC?

A população precisa de conhecer os sinais de alerta e saber como activar, rapidamente, a Via Verde para o AVC. Assim, sempre que identifique a instalação abrupta de um dos sinais de alerta para AVC ou 3F, como será mais fácil de fixar — alteração na Fala com dificuldade em se expressar ou perceber o que lhe dizem, Face descaída de um dos lados (boca ao lado), ou perda de Força num dos lados do corpo –, deve contactar o número nacional de emergência médica 112, e activar a Via Verde para o AVC. Ao fazê-lo, está a garantir que o doente chega rapidamente ao hospital e que vai ter acesso ao tratamento indicado o mais precocemente possível, aumentando assim as probabilidades de uma recuperação completa.
Estamos certos de que a sensibilização da população para o AVC é fundamental aos nossos objectivos: reduzir o número de novos AVC por ano e aumentar o número de doentes devolvidos à sociedade sem sequelas depois de um AVC.

 

Dr. Vítor Tedim Cruz, Neurologista | Diretor do Serviço de Neurologia da Unidade Local de Saúde de Matosinhos | Investigador Doutorado do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto |Membro da Direcção da Sociedade Portuguesa do AVC

 

Alimentação Saudável

Aqui vamos dar-lhe a oportunidade para conhecer um site útil que o pode guiar na sua alimentação: o nutrimento.pt

E o que é um nutrimento? “Um Nutrimento é uma “substância ou princípio nutriente ou nutritivo, elemento útil ao funcionamento do organismo, que é próprio dos alimentos”. Foi esta a definição escrita pelo Dr. Emílio Peres, um dos responsáveis  por instituir a formação superior na área das Ciências da Nutrição em Portugal, e foi também este o nome escolhido para o blog do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direção-Geral da Saúde, como forma de homenagear este ilustre investigador e pedagogo.

Saiba mais aqui

Atividade física & Exercício físico

O Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física (PNPAF) foi criado em 2016 e tem como documento orientador a Estratégia Nacional para a Promoção da Atividade Física, Saúde e Bem-Estar (ENPAF). Funciona em harmonia com o Plano Nacional de Saúde e com as principais orientações internacionais na área, nomeadamente da Organização Mundial da Saúde.

Saiba mais aqui

 

 

Atividades preventivas em Saúde

De que se fala exatamente quando se usa a palavra prevenção em Saúde? O que são atividades preventivas? O que é a prevenção primária? E o que significa a prevenção quartenária de que nos últimos tempos passou a fazer parte do discurso dos profissionais de Saúde? O Núcleo de Atividades em Prevenção Quaternária do Aces Matosinhos elegeu este tema para fazer informação em Saúde e contribuir para uma atitude mais critica e refletida, tanto por parte dos profissionais de saúde, como dos utentes.

  • O que são atividades preventivas em Saúde?

Desde há longos tempos que vamos ouvindo nas conversas do quotidiano que “prevenir é o melhor remédio”. Este ditado aplica-se a diversas esferas das nossas vidas, mas o conceito do “remédio” integrado na expressão liga-a especialmente ao contexto de Saúde. Efetivamente, toda a prática clínica (quer de Medicina, Enfermagem, Psicologia, Nutrição, Fisioterapia e outras áreas ligadas à Saúde) tem uma importante componente preventiva no seu processo de planeamento e acção. Através de uma consulta de Medicina Geral e Familiar podemos explicar os diversos conceitos preventivos.
Assim, as atividades preventivas podem ser classicamente divididas em quatro grandes grupos: prevenção primária, secundária, terciária e quaternária.

  • Ou seja, existem diferentes atividades preventivas — prevenção primária, secundária, terciária e quaternária. Como se distinguem?

Começando pela prevenção primária, podemos afirmar que o objetivo é evitar o aparecimento da doença. Uma atividade clínica orientada para a prevenção primária refere-se ao aconselhamento para bons hábitos ou estilos de vida, como uma alimentação equilibrada e com baixo teor em sal, e a prática de exercício físico para que se evite ou atrase o aparecimento da hipertensão ou diabetes. A vacinação é também, por si só, um acto primariamente preventivo: a imunização (genericamente traduzida para “protecção”) dada pela vacina reduz probabilidade de doença.

  • Sobre a prevenção secundária, podemos dizer que o médico está já a intervir perante um diagnóstico?

Sim, a prevenção secundária tem como objectivo diminuir as sequelas ou consequências da doença já diagnosticada, quer ao nível dos sintomas/ qualidade de vida, quer ao nível da mortalidade. Um exemplo ilustrativo da prevenção secundária é a prescrição de fármacos antihipertensores ou antidiabéticos de forma a adquirir-se controlo das doenças instaladas (hipertensão e diabetes). Neste contexto, as medidas de prevenção secundária constroem-se sobre as medidas de prevenção primária, que se mantêm como os alicerces de qualquer atividade preventiva.

  • E que diferenças existem relativamente à prevenção terciária?

Podemos afirmar que a prevenção terciária consiste nos procedimentos clínicos que reduzem o impacto e as consequência da doença na vida das pessoas. Um exemplo das atividades de prevenção terciária são as medidas orientadas para a reabilitação de uma pessoa que tenha sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) devido a uma hipertensão descontrolada. Outro exemplo será o aconselhamento sobre os cuidados necessários (higiene, hidratação, calçado especial, tratamento diferenciado podológico…) numa situação em que já existem lesões na enervação ou na circulação sanguínea dos pés causadas por uma diabetes não-regulada.

  • Finalmente, sobre a prevenção quaternária. Como se define? O que significa esta expressão cada vez mais recorrente?

A prevenção quaternária é a não realização de procedimentos no âmbito de cuidados de saúde que possam, por si só, ser excessivos ou lesivos para o paciente. A prevenção quaternária é, portanto, muito abrangente porque envolve um trabalho intenso de informação e esclarecimento:
• ao paciente: mitos em saúde que condicionam parte da população a iniciar estratégias para o seu bem-estar e saúde
• ao profissional de saúde: actualização científica e discussão interpares das práticas clínicas que possam ser entendidas como benéficas, mas que na verdade não têm bases científicas para serem entendidas como tal.
• na relação profissional de saúde-doente: melhoria da comunicação entre médico e doente, de forma a que as decisões sejam tomadas em acordo, e com ambos intervenientes mutuamente informados.

  • Quer dar um exemplo de prevenção quaternária?

Um exemplo típico de prevenção quaternária é o rastreio do cancro da próstata através do valor sanguíneo do PSA. Poderá ser surpreendente, mas este rastreio não tem uma sólida base científica que o sustente, apesar de vários profissionais de saúde, instituições de saúde e uma grande parte da população o ter como uma atividade preventiva com um saldo positivo benefício/risco. Na verdade, os estudos revelam que, apesar de haver um considerável número de casos de cancro detectados a partir de uma alteração inicial neste rastreio, há também um determinado número de homens que sofrem as consequências dos tratamentos, mas que não tiveram qualquer efeito positivo na sua qualidade de vida ou longevidade.
Assim, a decisão de avançar para o rastreio do cancro da próstata envolve uma decisão partilhada entre paciente e médico, em que o paciente pondera a sua decisão após receber informação sobre os riscos/benefícios trazida pelas inquietações clínicas honestas do seu médico.

  • Finalmente, como surgiu o do Núcleo de Actividades em Prevenção Quaternária do ACES de Matosinhos, e quais os seus objetivos?

O núcleo surgiu da necessidade do Conselho Clínico e de Saúde organizar grupos de atividades nas diversas áreas de governação clínica. A Prevenção Quaternária é um conceito recente, mas já havia um projeto estruturado neste âmbito na ULSM que não tinha sido possível implementar, o que foi visto como uma oportunidade para abordar esta temática. Foi convidado para o grupo o Dr. José Agostinho (um dos autores do projeto) e o Dr. Luís Filipe Silva para iniciar o trabalho e aperfeiçoar o mesmo à luz das necessidades atuais. Os principais objetivos deste núcleo são:
• atualização científico-médica em questões centrais da Prevenção Quaternária com revisão de orientações de prática clínica;
• facilitar uma comunicação efectiva, humana e bidireccional das questões e dúvidas em torno de determinados temas de interesse para a consulta;
• aumentar o grau de literacia em Saúde com divulgação de informação ao paciente que favoreça uma capacitação na gestão da sua saúde e auto-cuidado enquanto agente da negociação clínica.

Núcleo de Atividades em Prevenção Quaternária do Aces Matosinhos:
Dra. Carla Ponte, especialista de Medicina Geral e Familiar | Dr Luís Filipe Silva, especialista de Medicina Geral e Familiar   | Dr. José Agostinho Santos, especialista de Medicina Geral e Familiar

Na foto, a Dra. Carla Ponte, especialista de Medicina Geral e Familiar, e o Dr. Agostinho Santos, especialista de Medicina Geral e Familiar, sendo que do grupo ainda faz parte o Dr. Luís Filipe Silva, especialista de Medicina Geral e Familiar.

Cancro cutâneo

Com o bom tempo e o Verão à porta, o tema é inevitável: Sol e cancro de pele. Apesar das campanhas e dos rastreios dos últimos anos, continua a fazer sentido falar da importância da prevenção e de estar atento aos sinais de alerta. “Devemos educar a população para as alterações a valorizar nos sinais”, defende Marta Pereira, diretora do Serviço de Dermatologia do Hospital Pedro Hispano/Unidade Local de Saúde de Matosinhos, alertando também para a necessidade de sensibilizar para “uma exposição solar consciente e controlada”.

  • O cancro da pele é uma das doenças que nos últimos anos passou a fazer parte das preocupações dos portugueses. Na sua opinião essa preocupação corresponde a uma mudança de atitude relativamente aos fatores de risco?

A população está mais atenta à pele e aos “sinais”, talvez como resultado de um trabalho de sensibilização de vários agentes para o problema do aumento da incidência do cancro da pele. No geral, os portugueses reconhecem que a exposição solar desregrada é o principal fator de risco para o aparecimento de cancro cutâneo.
Contudo, ainda não se assiste a uma verdadeira mudança de comportamentos: a exposição solar continua a ser feita de forma muito precoce na vida, é comum vermos crianças na praia sem qualquer protecção física (camisola, chapéu, óculos de sol) e em horas desaconselháveis (famílias a “chegarem” à praia pelas 11h00 e aí permanecerem sem recorrer a sombras). Também nas actividades lúdicas e desportivas, a protecção solar ainda não é uma regra, sendo muito comum observar ciclistas ou corredores sem chapéu ou óculos de sol.
Outro comportamento que assume dimensões preocupantes nos adolescentes e adultos jovens é a utilização de “solários”, com a intenção de obter um “bronzeado” rápido, e que acarreta uma exposição a radiação ultravioleta não calculada e potencialmente cancerígena.

  • O diagnóstico em tempo útil é decisivo para o tratamento, mas existem meios e recursos nos serviços de saúde que permitem fazer esse diagnóstico e tratar atempadamente?

O cancro cutâneo é visível e a população deve procurar informação sobre que “sinais” ou alterações da pele, nomeadamente da pele exposta ao sol, serão de valorizar. O diagnóstico e tratamento numa fase inicial da doença podem significar a cura.
A articulação entre o médico assistente (ou médico de família) e o dermatologista são fundamentais para a referenciação precoce das situações potencialmente mais graves. Na Unidade Local de Saúde de Matosinhos utilizamos a referenciação por Telemedicina cuja eficácia na priorização dos casos oncológicos está bem estabelecida.

  • Entre as várias doenças de pele, que expressão tem o cancro da pele no dia – a -dia da prática clínica do Serviço de Dermatologia?

Presentemente, cerca de 25% da patologia seguida no Serviço Dermatologia da ULSM é oncológica.

  • Além dos fatores de risco já identificados, como a exposição solar, por exemplo, existe ou não uma predisposição genética, individual para desenvolver cancro da pele?

As doenças genéticas de predisposição ao cancro cutâneo são relativamente raras, como o Albinismo, o Xeroderma pigmentoso ou mesmo o Síndrome dos basaliomas nevóides. Determinadas condições, como os transplantados renais, têm também risco acrescido de tumores cutâneos.
O factor de risco mais importante para cancro cutâneo é a exposição solar aguda intensiva (aumento do risco de melanoma e carcinoma basocelular) e a exposição solar crónica cumulativa (risco de carcinoma espinocelular).
A susceptibilidade individual à radiação varia consoante o fototipo, isto é, o tom de pele. Indivíduos de fototipo baixo (I e II) ruivos ou loiros de pele clara e olhos claros, têm menor “resistência” ao sol. Indivíduos de pele morena, cabelo e olhos castanhos (fototipo III) têm resistência moderada, já os indivíduos de pele escura (fotótipos IV e V) são menos susceptíveis aos efeitos nefastos da radiação solar.

  • Quando se aproxima o Verão, começamos a ouvir falar mais de rastreios de cancro da pele. Continua a ser importante insistir na sua realização?

Os rastreios são importantes, na medida em que são uma oportunidade para realizar o exame completo da pele, para educar os utentes sobre as alterações a valorizar nos “sinais” e sobre os cuidados a ter com a exposição solar.

  • Qual a melhor forma de prevenir o cancro cutâneo?

Educar para uma exposição solar consciente e controlada, dado que a radiação solar continua a ser o principal fator contributivo para o desenvolvimento de cancro cutâneo, é fundamental.

Assim, é importante:

  • Respeitar os horários de exposição solar (evitar a exposição entre as 11h e as 16h).
  • Usar proteção física: roupa adequada, chapéu de abas, óculos de sol
  • Promover o uso da sombra, sobretudo nas horas de maior intensidade de radiação
  • Utilizar corretamente os cremes protetores solares, não aumentado o tempo de exposição, com a justificação de que se colocou creme com filtros solares.
  • Educar as crianças promovendo o uso do “kit Sol seguro” (chapéu, vestuário adequado, óculos de sol, creme protector solar pediátrico). Ensinar que “sombra pequena, Sol intenso”, “sombra comprida, Sol amigo”.

Começar desde bem cedo a ensinar às crianças bons hábitos de convivência com o Sol, revela-se a melhor estratégia a longo prazo, pois esses bons hábitos irão perdurar ao longo da vida.

Marta Pereira, diretora do Serviço de Dermatologia do Hospital Pedro Hispano/Unidade Local de Saúde de Matosinhos

Centro de Ensaios Clínicos - investigação clínica na ULSM

Criado em 2014 com a missão de apoiar e promover a investigação clínica na Unidade Local de Saúde de Matosinhos, o Centro de Ensaios Clínicos, a funcionar no Hospital Pedro Hispano, resultou de um protocolo de colaboração com a Blueclinical, na sequência da publicação da Lei da Investigação Clínica, que se traduziu numa oportunidade de enquadramento para a dinamização desta atividade.
A Prof. Doutora Rosa Maria Príncipe, recém-nomeada coordenadora do CES, fala-nos sobre a atividade destes últimos anos e dos objetivos futuros.

  • O Centro de Ensaios Clínicos nasceu com o objetivo de dinamizar a investigação clínica na ULSM, tornando-a mais “profissionalizada”. Que balanço da atividade até agora desenvolvida?

O balanço é, sem dúvida, bastante positivo e promissor. Desde 2014, o crescimento tem sido muito significativo tanto do ponto de vista de quantidade de ensaios como de qualidade dos mesmos, crescimento que queremos continuar. A ULSM tem recursos físicos, humanos e organizacionais que lhe permitem crescer muito mais na área dos ensaios clínicos.

  • Quais os estudos clínicos que a ULSM desenvolve e/ou participa neste momento?

Neste momento temos cerca de 30 ensaios clínicos ativos e cerca de 15 estudos observacionais em diferentes áreas terapêuticas, nomeadamente diabetes, obesidade, AVC, Alzheimer, HIV… São estudos de diferentes fases desde fase II a IV. No entanto queremos muito desenvolver ensaios noutras áreas terapêuticas para envolvermos todos os profissionais que assim o desejem.

  •  Qual a importância estratégica que a investigação clínica tem para a ULSM?

Por um lado a investigação clínica permite que os utentes da ULSM tenham acesso a terapias inovadoras que possam responder às suas necessidades, por outro, poderá ser uma fonte de financiamento importante num momento em que o SNS se debate com tantos problemas orçamentais e a ULS continua a aspirar prestar um serviço de excelência à sua comunidade.
Já para os profissionais é mais um fator de envolvimento no desenvolvimento de medicamentos e dispositivos médicos que permite aumentar o seu conhecimento e formação.

  • Que áreas de investigação considera de maior interesse para a instituição, uma vez que como Unidade Local de Saúde caracteriza-se pela integração de cuidados hospitalares e cuidados de saúde primários?

Temos interesse em desenvolver todas as áreas que vão de encontro ao perfil de cuidados de saúde prestados pela ULSM, seja no âmbito hospitalar, seja nos Cuidados de Saúde Primários. Acreditamos que essa proximidade com os cuidados de saúde primários pode ser uma mais valia na capacidade de identificar doentes permitindo que estes tenham acesso a terapêuticas inovadoras.

  • Acaba de ser nomeada para a coordenação do Centro de Ensaios Clínicos, quais são os objetivos para o CEC?

Acima de tudo queremos aumentar o número de ensaios tanto nas áreas que já são de excelência no nosso Centro, como nas áreas terapêuticas que ainda estão a começar, mantendo sempre o rigor ético e cientifico pelo qual queremos que a ULS seja sempre reconhecida. Para tal o nosso Centro está a apostar na optimização dos recursos humanos e materiais dedicados aos EC, bem como na formação de todos os intervenientes, sejam profissionais sejam membros da comunidade em geral. No que se refere aos profissionais estamos a incentivar a formação especifica nesta área, e quanto à comunidade queremos aumentar o seu conhecimento relativamente ao que é um EC, de forma a que possam reconhecer as suas vantagens e reduzir o estigma que ainda envolve a palavra Ensaio Clínico.
Com tudo isto pretendemos tornar a ULSM um centro de referência nacional e internacional no que respeita à Investigação Clínica.

Prof Doutora Rosa Maria Príncipe, Coordenadora do Centro de Ensaios Clínicos

 

 

Dia Mundial da Esclerose Múltipla

Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2.500.000 pessoas com Esclerose Múltipla, em Portugal são mais de 5000 doentes, estimando-se uma prevalência de 50 casos por cada 100 mil habitantes. O acompanhamento destes doentes requer uma abordagem multidisciplinar, envolvendo várias especialidades médicas e tendo em conta o impacte da doença na vida da pessoa.

  • O que é a Esclerose Múltipla?

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença crónica, inflamatória e degenerativa, que atinge o Sistema Nervoso Central. Esta patologia surge, frequentemente, entre os 20 e os 40 anos de idade, sendo mais incidente nas mulheres. Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2.500.000 pessoas com EM e, em Portugal, mais de 5000, com uma prevalência estimada de 50 casos por cada 100 mil habitantes.

  • Quais os sintomas ou sinais da doença?

As manifestações clínicas da EM variam de pessoa para pessoa devido à grande variabilidade de localizações neuroanatómicas e da sequência temporal das lesões inflamatórias. Por exemplo, uma alteração da acuidade visual, visão dupla, diminuição da sensibilidade ou força num membro, desequilíbrio na marcha. Geralmente não é um sintoma transitório, mas sim de duração superior a 24 horas e que pode prologar-se por várias semanas, se não se realizar um tratamento precoce.

  • Como se trata a EM?

A intervenção terapêutica na doença desenvolve-se em duas vertentes: o tratamento farmacológico (agentes modificadores da doença e medicamentos sintomáticos) e a reabilitação, motora e cognitiva. É importante salientar que o acompanhamento destes doentes requer uma abordagem multidisciplinar envolvendo as especialidades de Neurologia, Oftalmologia, Fisiatria, Urologia, Psiquiatria, Enfermeiro de referência para a EM, Médico e Enfermeiro de Família, Psicólogo e Assistente Social.

  • O Serviço de Neurologia, por sua iniciativa, já organizou sessões informativas sobre a EM dirigidas a doentes e seus familiares. Qual a importância destas iniciativas?

Sim, já realizamos uma sessão no âmbito da comemoração do Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla dedicada aos doentes e seus familiares. Através de uma abordagem mais informal, e fora do contexto da consulta, a nossa intenção foi debater o impacte da doença na vida da pessoa, os tratamentos, o apoio de enfermagem e as alterações neuropsicológicas da EM, com o objetivo de esclarecer, desmistificar a doença e, ao mesmo tempo, estreitar a relação entre os vários intervenientes. É importante, e é nossa intenção, realizar mais ações destas.

Dr. Filipe Correia, Neurologista | Enfª Teresa Torres, Consulta de Enfermagem

Unidade de Esclerose Múltipla do Hospital Pedro Hispano/ULSM

Dr. Filipe Correia

O Sarampo

Plano de Contingência Módulo Calor - 2018

Já se encontra aprovado e em exercício o Plano de Contingência Saúde Sazonal – Módulo Calor para 2018.

Consulte o documento aqui: ULSM_plano_contigencia_modulo_verao_2018

Preparação em meio aquático para o parto

A Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM) começou a disponibilizar, em abril, aulas de preparação em meio aquático para o parto. Estas aulas decorrem na Piscina Municipal de Guifões e destinam-se a todas as grávidas/casais que estão a frequentar o curso de preparação para o parto e parentalidade no Serviço de Obstetrícia do Hospital Pedro Hispano e nas Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC) do ACeS Matosinhos.

  • A preparação para o parto e parentalidade já tem uma experiência de largos anos na ULSM, com o projeto Bem-me-Quer. Com a preparação em meio aquático para o parto, podemos dizer que agora entramos num novo ciclo?

O projeto Bem-me-quer – Preparação para o Parto e Parentalidade tem como finalidade promover a vivência saudável da gravidez, parto e parentalidade, dando resposta a uma das necessidades de saúde identificadas no Plano Local de Saúde de Matosinhos. Este projeto tem como objetivos promover a aquisição de conhecimentos e de estratégias facilitadoras para que a grávida /casal assuma um papel ativo na gravidez e no trabalho de parto, contribuindo para uma experiência mais satisfatória.
Desde o desenho inicial que havia também a intenção de incluir a preparação para o parto realizada em meio aquático. É este passo que agora concretizamos, com a ULSM a continuar a inovar no acompanhamento das grávidas/casais grávidos que procuram os seus serviços para o seguimento da gravidez, mas também no momento do nascimento.

  • Esta inovação na preparação para a parentalidade vem dar uma nova dinâmica ao trabalho já desenvolvido?

Sim, uma evolução já há muito aguardada pelas enfermeiras especialistas em Saúde Materna, envolvidas neste projeto, e que vem complementar o trabalho já realizado. Pelas suas características específicas, a preparação em meio aquático para o parto permite aos futuros pais viver a experiência da gestação, trabalho de parto, e parto de forma mais consciente e gratificante.

  • Quais as vantagens da preparação em meio aquático face à abordagem mais “tradicional” (aulas no solo)?

Alguns dos efeitos físicos mais importantes da água na preparação pré natal são a flutuabilidade, a temperatura e o relaxamento, a pressão hidrostática, a consciencialização da respiração e do corpo.
O efeito relaxante da água quente promove a eliminação das sensações de tensão aumentando a produção de endorfinas, responsáveis pela diminuição da perceção de dor e promotoras da sensação de bem-estar e relaxamento. Essa sensação de bem-estar permite também uma melhor perceção dos movimentos do bebé, ao mesmo tempo que diminui a frequência cardíaca e a tensão arterial.
A pressão hidrostática em meio aquático proporciona à grávida uma sensação de conforto e proteção, bem como o aumento da coordenação de movimentos. Favorece ainda a diminuição da retenção venosa, produzindo um efeito preventivo contra as varizes e os edemas, pois o movimento na água melhora a circulação linfática contribuindo para drenar os líquidos acumulados.
Durante as aulas são praticados exercícios de flexibilidade, postura corporal, mobilidade da pelve, tonificação muscular, relaxamento, perceção do feto e consciencialização do corpo e da respiração.

  • Quais os objetivos dos exercícios realizados em meio aquático?

A imersão parcial em meio aquático recria um ambiente de microgravidade, do qual resulta uma sensação de leveza ainda mais notória na gravidez avançada. A imersão aumenta a flutuabilidade: quanto mais imerso estiver o corpo, maior será a força de impulsão da água pelo que será mais fácil praticar os exercícios. Dessa forma, a grávida poderá manter a sua autonomia e agilidade de movimentos, aliviar a carga nas articulações, tonificar os músculos e corrigir a postura, bem como diminuir as dores lombares e o risco de lesão durante o exercício. Ao mesmo tempo, os exercícios respiratórios em meio aquático permitem aumentar a capacidade respiratória (a expiração será mais intensa e a inspiração mais profunda, exercendo pressão contra a resistência da água).
Resumindo, podemos dizer que os objetivos dos exercícios praticados em meio aquático são: fornecer preparação física no período perinatal, aumentar a sensação de segurança do casal grávido, eliminar medos e angústias relacionados com a gravidez e o parto, promover a auto confiança/segurança, a consciencialização do corpo, a ligação da tríade mãe/pai/bebé e o bem-estar durante a gravidez.

  • Que condições são necessárias à realização destas aulas?

Estas aulas decorrem em grupo, constituídos no máximo por 10 grávidas/casais, numa piscina aquecida entre os 28ºC e os 32ºC, com duração aproximada de 45 minutos.
As aulas são gratuitas e vão decorrer uma vez por semana (um grupo à quarta-feira e outro à sexta-feira), na Piscina Municipal de Guifões, orientadas por enfermeiras especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia com formação em Preparação Aquática Pré e Pós-Natal e aclimatização de bebés à água, certificada pela associação Aquanatal- Aquarius (Ostend, Bélgica). Este projeto resulta de uma parceria com a Matosinhos Sport e a Câmara Municipal de Matosinhos.

 

As Enfermeiras Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia: Conceição Santa-Martha, Clara Aires e Joana Varela,