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"Postura é mais importante que o peso" - mochilas

“A Diabetes é uma doença da família”

É preciso mais informação sobre a doença, mais apoio e acompanhamento. Mas acima de tudo é preciso uma família capaz de ajudar a lidar com a doença e a prevenir as suas complicações. Nunca tanto se falou da importância da família para um doente com diabetes – uma doença para toda a vida. Uma “maratona que corre melhor se for vivida como um problema de família, com otimismo e esperança”, diz a pediatra Filipa Espada, da Unidade de Endocrinologia Pediátrica do Hospital Pedro Hispano/ULSM.

  • O tema do Dia Internacional da Diabetes escolhido para este ano destaca a importância da família no controlo da doença. Na sua opinião ainda falta informação às famílias sobre como lidar com a doença?

Sim, ainda falta informação e ainda falta apoio às famílias. Nós, os pediatras, uma vez que a pessoa atingida é uma criança ou adolescente envolvemos, obrigatoriamente, os pais ou os cuidadores no ensino. Mas seria necessário mais tempo, mais ensino, mais familiares e cuidadores envolvidos, além de mais apoio por parte das entidades patronais. É preciso mais informação sobre como lidar com a doença e como ultrapassar as adversidades. Uma família bem informada, coesa e carinhosa promove um bom controlo glicémico e com isso promove a prevenção de complicações.

  • Mesmo aceitando a diabetes como uma doença da família, existe depois todo um contexto social que que o doente diabético vive. Na sua opinião, a sociedade está melhor preparada?

A Diabetes é uma doença da família, é a doença do pai que falta ao trabalho porque a criança tem de vir á consulta, da mãe que nunca mais consegue dormir tranquilamente, dos irmãos que, por vezes, se sentem esquecidos. É uma doença que desgasta a longo prazo, é uma maratona para a vida. Mas que “corre melhor” se for encarada como um problema da família, que é necessário viver em conjunto, com apoio de todos, otimismo e esperança.

  •  E a sociedade?

Sim, a sociedade está cada vez mais preparada, mas ainda há muito trabalho a fazer. Antigamente não se falava de diabetes, alguns pensavam até que era uma doença contagiosa, havia ocultação da administração de insulina, algumas pessoas sentiam repulsa pelos pacientes com diabetes, porque se injetavam, porque tinham sangue…
Hoje a sociedade é mais aberta, mais consciente e, em alguns aspetos, diria mais humana. É necessário que esteja preparada, até porque a incidência da diabetes tipo 1 nas crianças até aos 14 anos aumenta 3% por ano na Europa, e uma vez que é uma doença ainda sem cura significa que o número de pessoas atingidas aumenta continuamente.

  • E a escola está recetiva? Estamos a falar de crianças e jovens que passam grande parte dos seus dias em ambiente escolar…

Existem muitas diretivas e recomendações sobre a criança com diabetes na escola, e um esforço por parte de todos para que sejam bem acolhidas. Este esforço engloba equipas de Pediatria Endócrina, equipas de Saúde Escolar, Unidades de Saúde, professores e auxiliares de ação educativa e famílias. Não é o ideal, mas é o possível. Na ULSM e em Matosinhos penso que existe uma boa articulação, no entanto, a minha ideia de ideal seria ter um enfermeiro em cada Agrupamento de Escolas a tempo inteiro. É difícil exigir a profissionais que não são da área da saúde atitudes como calcular os hidratos de carbono, fazer determinações glicémicas (picar o dedo), administrar insulina, corrigir hiperglicemias e hipoglicemias. Nem todos têm essa capacidade, e julgo que não pode ser exigível. Por exemplo, não podemos exigir a um professor que pique uma criança até porque esse mesmo professor pode ter escolhido essa profissão porque não gostava de ver sangue…

  • Ainda persiste alguma confusão entre a diabetes tipo1 e a diabetes tipo 2, o que leva a generalizações sobre o comportamento dos doentes e a “culpas” sobre a doença. Ainda sente isso na sua consulta?

Sim. Apesar de toda a informação, ainda sentimos essa falha. Ainda assisto a comentários do género “não percebo porque ficou diabético, era tão magrinho…”, “nunca mais vai poder comer um doce” (podem, mas não o devem fazer todos os dias, tal como uma pessoa normal), “já lhe disse para não comer um gelado, mas pode comer aquele chocolate para diabéticos” (francamente acho que não há nenhum chocolate para diabéticos, todas as pessoas podem comer chocolate com parcimónia a não ser que sejam alérgicas).
Os pais sentem sempre culpas, apesar de absolutamente infundadas, e aqui, mais uma vez, temos de humanizar os cuidados de saúde. Não só é preciso apoiar e tratar a criança como cuidar dos pais, a quem, de repente, lhes caiu o céu e fugiu o chão, para quem a dor é tanta que lhes tolda o pensamento… Por exemplo, temos apoio de Psicologia/Pedopsiquiatria para os novos pacientes ou para aqueles pacientes que não aceitam a doença, mas não temos ainda para os pais ou para os irmãos. Conseguem imaginar a dor de um pai que após ter sido diagnosticada diabetes ao filho de dois anos, de repente e para toda a vida, tem que picá-lo 6 a 10 vezes por dia, administrar insulina no meio do choro, implorando que coma tudo para que não tenha uma baixa de açúcar? E o filho que aos dois anos não percebe porque o pai lhe faz tantas maldades, todos os dias? …

  • O Sistema de Perfusão Subcutânea Contínua de Insulina (PSCI), vulgarmente designado por “bomba” permite às crianças e jovens uma relação diferente com a doença. O número de aparelhos é suficiente ou mais jovens poderiam beneficiar?

Houve um esforço muito grande por parte da DGS, dos pediatras, dos endocrinologistas, dos pais, das associações de doentes, da sociedade civil e do próprio Ministério da Saúde para que isso fosse conseguido. Penso que estamos no bom caminho!

  • Descobrimos que decidiu fazer a experiência em si própria do uso da “bomba” para “sentir” aquilo que os seus doentes sentem. Quer partilhar essa experiência?

Coloquei uma “bomba” com sistema de monitorização glicémica em tempo real por duas razões: em primeiro lugar para aprender “no terreno” o funcionamento do sistema, a outra razão foi para perceber melhor as dificuldades no dia-a-dia de uma pessoa com diabetes. Primeiro descobri que colocar um cateter e não dói, mas colocar bem demora algum tempo. A “bomba” é um sistema muito mais prático e se tiver monitorização contínua melhor, pois facilita imenso no dia-a-dia. Mesmo assim, a vida de uma criança com diabetes e suas famílias é difícil. Por exemplo: ia comer e lembrava-me que tinha de picar o dedo e inserir o valor na bomba, depois de contar os hidratos de carbono e sempre que queria comer tinha de voltar a contar os hidratos de carbono de cada alimento, inserir os valores na bomba, depois administrar a insulina através do cateter que está acoplado a nós, e depois esperar… Além disso, há aquelas questões tão básicas, como onde colocar o aparelho quando vamos ao wc?….
A verdade é que exigimos de um paciente e sua família um bom controlo para evitar complicações mas temos, na realidade, de estar cientes das suas dificuldades, para os podermos verdadeiramente ajudar.

A pediatra Filipa Espada, da Unidade de Endocrinologia Pediátrica do Hospital Pedro Hispano/ULSM

A Amamentação

  • Porquê amamentar?

O leite materno é o melhor alimento para o bebé.
O leite materno adapta-se exatamente às necessidades nutricionais do bebé nas diferentes etapas de crescimento, modificando a sua composição à medida que o bebé cresce. Previne doenças como as infeções, obesidade, diabetes, entre outras, sendo esta uma vantagem exclusiva do leite materno. O leite materno está sempre pronto e à temperatura ideal, sendo o alimento mais completo e económico.
A Organização Mundial de Saúde recomenda a amamentação exclusiva pelo menos até aos 6 meses e a sua manutenção até aos 2 anos ou mais, complementando com outros alimentos.
Amamentar também é benéfico para a mãe. A mãe que amamenta recupera rapidamente o seu peso habitual, tem também menos risco de cancro da mama, do ovário e de osteoporose.
Amamentar é um ato de amor e carinho, reforça a relação íntima entre mãe e bebé, sendo uma experiência enriquecedora para ambos.

  • Como ter sucesso na amamentação?

A amamentação é um processo evolutivo de aprendizagem e adaptação tanto para o bebé como para a mãe.

  • Dar de mamar sempre que o bebé apresentar sinais de fome e em horário livre (caso o bebé deseje poderá mesmo mamar a cada hora).
  • Assegurar uma pega correta.
  • Manter as mamadas da noite, de modo a assegurar uma boa produção de leite.
  • Evitar a utilização de mamilos artificiais, chupetas e biberões (confundem o bebé em relação ao mamilo).
  • Procurar ajuda especializada sempre que necessitar.

Para o efeito, o Hospital Pedro Hispano, acreditado como Hospital Amigo dos Bebés, dispõe de profissionais com competências em aconselhamento em aleitamento materno, um “Cantinho de Amamentação” e uma linha telefónica que funciona 24 horas por dia. Também em todos os centros de saúde da Unidade Local de Saúde de Matosinhos existem “Cantinhos de Amamentação” onde as mães podem recorrer e esclarecer as dúvidas.

  • O que é um “Hospital Amigo dos Bebés”?

O Hospital Pedro Hispano é desde Setembro de 2011 considerado “Hospital Amigo dos Bebés”. Um título que renovou em maio de 2015 e que garante que continua a implementar as medidas definidas pela OMS e pela UNICEF de promoção e incentivo ao aleitamento materno. O próximo passo é conseguir o mesmo título para o ACES Matosinhos, a caminho de “Unidade Local de Saúde Amiga dos Bebés”.

  • O que defende essa estratégia de incentivo ao aleitamento materno?

As recomendações da OMS e da Unicef, responsáveis pela iniciativa “Hospital Amigo dos Bebé”, contemplam dez medidas consideradas fundamentais para o sucesso do aleitamento materno e que devem ser implementadas nos serviços de saúde vocacionados para a assistência a grávidas e recém-nascidos. Entre essas medidas destaca-se, por exemplo, a ajuda à mãe a iniciar o aleitamento na primeira hora após o nascimento, a não dar tetinas ou chupetas aos bebés, e a informar todas as grávidas sobre as vantagens do aleitamento no crescimento e saúde do seu filho.

O primeiro objetivo é, sem dúvida, aumentar as taxas de amamentação, estabelecendo como meta que um maior número de bebés até aos seis meses usufrua das vantagens do aleitamento materno exclusivo. Este foi um dos pontos de partida deste projecto de candidatura a “Hospital Amigo dos Bebés” que se iniciou em 2007 e que exigiu uma mudança de atitude dos profissionais de saúde – médicos, enfermeiros e assistentes –, bem como o envolvimento dos diferentes serviços do Hospital Pedro Hispano e da ULSM, onde se insere.

  • E depois da alta hospitalar, que apoio é prestado às mães na amamentação?

As dúvidas surgem com maior incidência na primeira semana de vida do bebé, após o momento da alta hospitalar, prolongando-se, geralmente, até ao 10º dia. Nesse sentido, foram criados os “Cantinhos de Amamentação” que funcionam como espaços de apoio às mães e funcionária lactantes. Nos “cantinhos” as mães podem receber ajuda, esclarecer dúvidas e partilhar receios, ou simplesmente amamentar em privacidade, e sempre com o apoio de um profissional com competências em aconselhamento em aleitamento materno.´

Depois dos “cantinhos” foi criada também a Linha Verde de Amamentação, uma linha direta de apoio à amamentação (22 939 13 40) que garante às mães a disponibilidade de uma enfermeira especialista 24 horas por dia. Além do atendimento no momento, a partir da situação que a mãe descreve, a enfermeira faz a orientação para os serviços que considerar necessários, seja o “Cantinho de Amamentação”, o Serviço de Urgência ou Unidade de Saúde.

A Linha de Amamentação está acessível a todas as mães da área de influência da ULSM, e também àquelas que escolherem o HPH para o parto. E não só, pois os telefonemas chegam de cidades tão distintas como Coimbra ou Cascais, também dos Açores e Madeira e até de fora do país.

Comité do Aleitamento Materno da ULSM | Consultora Internacional de Lactação

Enfermeira Ana Ribeiro, Especialista em Saúde Infantil

Comité do Aleitamento Materno da ULSM |Consultora Internacional de Lactação

A Hérnia Discal

  • O que é uma hérnia discal?

A nossa Coluna Vertebral é composta por 24 vértebras que formam um conjunto harmonioso que serve de suporte ao nosso tronco. Articula-se com o crânio, superiormente, e com o sacro e a bacia, na parte inferior.
Essas mesmas vértebras estão unidas por um conjunto de discos intervertebrais que permitem a mobilidade da coluna e servem como “amortecedores” entre as vértebras.
Quando esses discos se estragam, quer por via do desgaste, quer devido a trauma ou esforços súbitos, podem surgir as hérnias discais, que têm significado clínico quando comprimem estruturas neurológicas, quer seja o canal vertebral, onde estão os nervos, quer seja os pequenos buracos por onde estes saem da coluna para enervar a pele, músculos ou articulações.

  • Quais os sintomas?

Os nervos têm importantes funções para a sensibilidade da pele e estruturas do corpo, para transmitir os impulsos nervosos que fazem contrair os músculos (função motora), ou para a sensibilidade específica das articulações (propriocepção).
Como tal, quando parte do disco comprime as estruturas nervosas ou aperta o canal, o que vai surgir vai ser dor nas costas (pescoço, dorso ou lombar), dor irradiada (por exemplo, dor tipo ciática), assim como alterações da sensibilidade (por exemplo, formigueiros ou sensação de calor ou frio).

  • Como de se faz o diagnóstico?

O diagnóstico faz-se com a ajuda da Tomografia Axial Computorizada (TAC) ou da Ressonância Magnética Nuclear (RMN). O primeiro exame é mais rápido, mas tem radiação, ao passo que o segundo apresenta melhores imagens e não tem radiação, podendo ser feito as vezes que for necessário.

  • Qual o tratamento?

Quanto ao tratamento, há que ter a noção de que a maior parte das hérnias não necessita de ser operada.
De facto, o tratamento inicial passa por repouso, a toma de medicamentos para aliviar a dor (analgésicos ou anti-inflamatórios), ortóteses para imobilizar a coluna – colar cervical ou lombostato, tratamento de Fisioterapia (associado ou não a terapias alternativas), e acima de tudo o tempo…

  • Quando é preciso recorrer à cirurgia?

Se os sintomas forem graves, nomeadamente com falta de força no membro afetado, ou se persistirem durante muito tempo (período mínimo de 4 a 6 semanas), temos de empreender por tratamentos invasivos, quer sejam Procedimentos Minimamente Invasivos – por exemplo Nucleoplastia, Ozonoterapia ou IDET – que geralmente são adequados para hérnias pequenas, quer sejam cirurgias para extração da hérnia ou alargamento do canal ou foramens, com ou sem fixação das vértebras.
O tratamento invasivo, quando tem uma indicação precisa e motivação por parte do doente (com um perfil psicológico adequado), tem uma taxa de sucesso superior a 90% no alívio da dor e da incapacidade. As sequelas graves, como os défices neurológicos, são extremamente raras, e mais incidentes nos casos com doença mais arrastada ou grave.
A evolução registada nesta área tem sido notória. Recentemente, e pela primeira vez, o Serviço de Ortopedia do Hospital Pedro Hispano/ULSM realizou uma intervenção cirúrgica inovadora que permite uma abordagem menos invasiva no tratamento das hérnias discais lombares e com vantagens na recuperação do doente. A técnica, designada por Discectomia Lombar Endoscópica é uma cirurgia minimamente invasiva, que se executa através de uma pequena incisão e com recurso a um endoscópio que permite retirar a hérnia.
Esta intervenção menos agressiva da hérnia discal reduz o internamento para um dia e será brevemente realizada em ambulatório.

Dr. Nuno Bastos | Assistente Hospitalar de Ortopedia |Unidade de Coluna do Hospital Pedro Hispano/ULSM

A Saúde Oral

 

A Tuberculose

  • O que é a tuberculose?

A tuberculose é uma doença causada pelo Mycobacterium Tuberculosis, uma bactéria que se adquire por via inalatória. Geralmente a doença atinge os pulmões (tuberculose pulmonar), mas poderá atingir qualquer outro órgão (tuberculose extra-pulmonar).

É uma doença curável, que tem tratamento.

  • Como se transmite?

A transmissão faz-se por via aérea. Um doente com tuberculose das vias respiratórias emite bacilos para o ar quando tosse, espirra, fala ou canta.

Quando exposto em ambiente fechado a um doente com TB das vias respiratórias, os seus contactos vão inalar os bacilos que se encontram no ar e podem ficar infetados (infecção latente). Mas nem toda a gente exposta fica infectada, e nem toda a gente infectada fica doente.

Cerca de 10% das pessoas com tuberculose latente irão desenvolver tuberculose doença no decorrer das suas vidas, sendo esse risco maior nos dois primeiros anos após o contacto que originou a infecção.

A bactéria responsável pela tuberculose não se transmite através de contacto com artigos domésticos, como louça, talheres ou roupas.

  • Quais são os sintomas da tuberculose pulmonar?

Os doentes iniciam os sintomas de uma forma insidiosa, que frequentemente não valorizam. Tosse, inicialmente seca e depois com expetoração (por vezes com sangue), cansaço, falta de apetite, emagrecimento, suores noturnos e febre baixa de predomínio noturno são os sintomas mais comuns.

  • Como é feito o diagnóstico de tuberculose?

O diagnóstico de tuberculose doença é efetuado através da pesquisa de Mycobacterium Tuberculosis nos produtos orgânicos (expectoração, sangue e urina).

  • Como é feito o Rastreio de tuberculose pulmonar?

Para despistar doença é efetuada uma radiografia ao tórax e, possivelmente, é também realizada colheita de expectoração para pesquisa do Mycobacterium Tuberculosis. A prova tuberculínica (ou prova de Mantoux) e o teste IGRA (interferon-gama) poderão ser úteis para diagnosticar, após exclusão de doença ativa, os casos de tuberculose infecção latente.

  • Em que consiste o tratamento?

O tratamento farmacológico da tuberculose associa em regra quatro a cinco fármacos, consoante se trata de um primeiro tratamento ou de um retratamento, tomados diariamente, em regime de TOD (Toma Observada Directamente).

  • Como posso evitar o contágio da doença?

O uso de máscara pelo doente com tuberculose em fase bacilífera (contagiosa) é fundamental, assim como a adoção de estratégias permanentes de higienização e renovação do ar em espaços fechados, com arejamento e exposição aos raios UV dos compartimentos da habitação.

  • É possível prevenir a doença?

Sim. A vacinação com BCG, nos moldes definidos pela Direção Geral da Saúde (DGS), é aconselhada.
Perante a exposição a um doente com tuberculose, e enquadrando-se nos critérios definidos pela DGS, são seleccionados os contactos a rastrear. Nestes serão adotados os procedimentos para excluir doença e posteriormente a infecção latente.  Se detetados casos de tuberculose-doença, iniciam de imediato o seu tratamento.  Se detetados casos de tuberculose- infecção latente, serão eventualmente elegíveis para tratamento preventivo, de acordo com avaliação clínica individual.

A equipa do Centro de Diagnóstico Pneumológico da ULSM, liderada pelo médico Neto Rodrigues (segundo da direita para a esquerda)

O Centro de Diagnóstico Pneumológico (CDP), integrado na ULSM, é o serviço responsável pela prevenção e tratamento da tuberculose, nas suas múltiplas formas. O seu âmbito de atuação estende-se a toda a população residente no concelho de Matosinhos.

A propósito deste dia e deste tema estivemos no Programa Consultório do Porto Canal.

Veja aqui

Acidente Vascular Cerebral (AVC)

  • O que é o Acidente Vascular Cerebral (AVC)?

O Acidente Vascular Cerebral isquémico é uma lesão do cérebro que ocorre devido a uma interrupção do fornecimento de sangue a uma parte deste órgão. Sem o fornecimento de sangue, as células cerebrais podem ficar danificadas e impossibilitadas de cumprir a sua função. Existe ainda o AVC hemorrágico, menos frequente que o subtipo anterior e que resulta da ruptura de um vaso sanguíneo com extravasamento de sangue e dano do tecido cerebral.

  • Qual a importância do AVC?

O AVC é uma das principais doenças neurológicas que podem danificar o cérebro, provocando incapacidade a longo prazo. Em Portugal constitui a principal causa de morte. Podemos mesmo falar numa epidemia que no nosso país atinge cerca de três pessoas por hora, resultando num total aproximado de 25 000 portugueses por ano. Só no Serviço de Urgência do Hospital Pedro Hispano/ULSM são atendidos, todos os anos, cerca de 800 novos doentes com AVC, provenientes dos concelhos de Matosinhos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim.
É sobre estes números que importa reflectir, por duas razões fundamentais: primeiro porque o AVC se pode prevenir, e segundo porque o AVC se pode tratar. Isto significa que o AVC não é uma fatalidade. É possível reduzir o seu número e aumentar a proporção de doentes que recupera completamente depois de um AVC, voltando a assumir as suas funções na sociedade e na família.

  • Como se pode prevenir um AVC?

Como cidadãos somos responsáveis por reduzir, desde cedo, o nosso risco individual de sofrer um AVC, sendo essencial para isso vigiar e combater activamente os principais factores de risco modificáveis: tabagismo, consumo excessivo de álcool, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, sedentarismo, colesterol elevado, doença cardíaca como a fibrilação auricular. É muito importante que, todos os anos, com a ajuda do nosso médico de família, façamos um balanço individual destes factores e iniciemos estratégias para os corrigir.

  • Como se trata?

Ao longo da vida, uma em cada seis pessoas serão atingidas por um AVC.
Para melhorarmos o nosso sucesso na resposta ao AVC temos de nos preparar para ele, pois muito tem mudado nos últimos 20 anos no tratamento agudo do AVC. Hoje é possível desobstruir, atempadamente, os vasos sanguíneos e tratar os doentes em unidades de AVC, aumentando assim a probabilidade de uma boa recuperação. Tanto a população como as instituições de saúde devem estar preparadas, pois “tempo é cérebro”.
Por cada 15 minutos de atraso aumenta a mortalidade em 4% e reduz-se a probabilidade de independência à alta em 4%.

  • Quais os sinais de alerta? Como se identifica um AVC?

A população precisa de conhecer os sinais de alerta e saber como activar, rapidamente, a Via Verde para o AVC. Assim, sempre que identifique a instalação abrupta de um dos sinais de alerta para AVC ou 3F, como será mais fácil de fixar — alteração na Fala com dificuldade em se expressar ou perceber o que lhe dizem, Face descaída de um dos lados (boca ao lado), ou perda de Força num dos lados do corpo –, deve contactar o número nacional de emergência médica 112, e activar a Via Verde para o AVC. Ao fazê-lo, está a garantir que o doente chega rapidamente ao hospital e que vai ter acesso ao tratamento indicado o mais precocemente possível, aumentando assim as probabilidades de uma recuperação completa.
Estamos certos de que a sensibilização da população para o AVC é fundamental aos nossos objectivos: reduzir o número de novos AVC por ano e aumentar o número de doentes devolvidos à sociedade sem sequelas depois de um AVC.

 

Dr. Vítor Tedim Cruz, Neurologista | Diretor do Serviço de Neurologia da Unidade Local de Saúde de Matosinhos | Investigador Doutorado do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto |Membro da Direcção da Sociedade Portuguesa do AVC

 

Alimentação Saudável

Aqui vamos dar-lhe a oportunidade para conhecer um site útil que o pode guiar na sua alimentação: o nutrimento.pt

E o que é um nutrimento? “Um Nutrimento é uma “substância ou princípio nutriente ou nutritivo, elemento útil ao funcionamento do organismo, que é próprio dos alimentos”. Foi esta a definição escrita pelo Dr. Emílio Peres, um dos responsáveis  por instituir a formação superior na área das Ciências da Nutrição em Portugal, e foi também este o nome escolhido para o blog do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direção-Geral da Saúde, como forma de homenagear este ilustre investigador e pedagogo.

Saiba mais aqui

Atividade física & Exercício físico

O Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física (PNPAF) foi criado em 2016 e tem como documento orientador a Estratégia Nacional para a Promoção da Atividade Física, Saúde e Bem-Estar (ENPAF). Funciona em harmonia com o Plano Nacional de Saúde e com as principais orientações internacionais na área, nomeadamente da Organização Mundial da Saúde.

Saiba mais aqui

 

 

Atividades preventivas em Saúde

De que se fala exatamente quando se usa a palavra prevenção em Saúde? O que são atividades preventivas? O que é a prevenção primária? E o que significa a prevenção quartenária de que nos últimos tempos passou a fazer parte do discurso dos profissionais de Saúde? O Núcleo de Atividades em Prevenção Quaternária do Aces Matosinhos elegeu este tema para fazer informação em Saúde e contribuir para uma atitude mais critica e refletida, tanto por parte dos profissionais de saúde, como dos utentes.

  • O que são atividades preventivas em Saúde?

Desde há longos tempos que vamos ouvindo nas conversas do quotidiano que “prevenir é o melhor remédio”. Este ditado aplica-se a diversas esferas das nossas vidas, mas o conceito do “remédio” integrado na expressão liga-a especialmente ao contexto de Saúde. Efetivamente, toda a prática clínica (quer de Medicina, Enfermagem, Psicologia, Nutrição, Fisioterapia e outras áreas ligadas à Saúde) tem uma importante componente preventiva no seu processo de planeamento e acção. Através de uma consulta de Medicina Geral e Familiar podemos explicar os diversos conceitos preventivos.
Assim, as atividades preventivas podem ser classicamente divididas em quatro grandes grupos: prevenção primária, secundária, terciária e quaternária.

  • Ou seja, existem diferentes atividades preventivas — prevenção primária, secundária, terciária e quaternária. Como se distinguem?

Começando pela prevenção primária, podemos afirmar que o objetivo é evitar o aparecimento da doença. Uma atividade clínica orientada para a prevenção primária refere-se ao aconselhamento para bons hábitos ou estilos de vida, como uma alimentação equilibrada e com baixo teor em sal, e a prática de exercício físico para que se evite ou atrase o aparecimento da hipertensão ou diabetes. A vacinação é também, por si só, um acto primariamente preventivo: a imunização (genericamente traduzida para “protecção”) dada pela vacina reduz probabilidade de doença.

  • Sobre a prevenção secundária, podemos dizer que o médico está já a intervir perante um diagnóstico?

Sim, a prevenção secundária tem como objectivo diminuir as sequelas ou consequências da doença já diagnosticada, quer ao nível dos sintomas/ qualidade de vida, quer ao nível da mortalidade. Um exemplo ilustrativo da prevenção secundária é a prescrição de fármacos antihipertensores ou antidiabéticos de forma a adquirir-se controlo das doenças instaladas (hipertensão e diabetes). Neste contexto, as medidas de prevenção secundária constroem-se sobre as medidas de prevenção primária, que se mantêm como os alicerces de qualquer atividade preventiva.

  • E que diferenças existem relativamente à prevenção terciária?

Podemos afirmar que a prevenção terciária consiste nos procedimentos clínicos que reduzem o impacto e as consequência da doença na vida das pessoas. Um exemplo das atividades de prevenção terciária são as medidas orientadas para a reabilitação de uma pessoa que tenha sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) devido a uma hipertensão descontrolada. Outro exemplo será o aconselhamento sobre os cuidados necessários (higiene, hidratação, calçado especial, tratamento diferenciado podológico…) numa situação em que já existem lesões na enervação ou na circulação sanguínea dos pés causadas por uma diabetes não-regulada.

  • Finalmente, sobre a prevenção quaternária. Como se define? O que significa esta expressão cada vez mais recorrente?

A prevenção quaternária é a não realização de procedimentos no âmbito de cuidados de saúde que possam, por si só, ser excessivos ou lesivos para o paciente. A prevenção quaternária é, portanto, muito abrangente porque envolve um trabalho intenso de informação e esclarecimento:
• ao paciente: mitos em saúde que condicionam parte da população a iniciar estratégias para o seu bem-estar e saúde
• ao profissional de saúde: actualização científica e discussão interpares das práticas clínicas que possam ser entendidas como benéficas, mas que na verdade não têm bases científicas para serem entendidas como tal.
• na relação profissional de saúde-doente: melhoria da comunicação entre médico e doente, de forma a que as decisões sejam tomadas em acordo, e com ambos intervenientes mutuamente informados.

  • Quer dar um exemplo de prevenção quaternária?

Um exemplo típico de prevenção quaternária é o rastreio do cancro da próstata através do valor sanguíneo do PSA. Poderá ser surpreendente, mas este rastreio não tem uma sólida base científica que o sustente, apesar de vários profissionais de saúde, instituições de saúde e uma grande parte da população o ter como uma atividade preventiva com um saldo positivo benefício/risco. Na verdade, os estudos revelam que, apesar de haver um considerável número de casos de cancro detectados a partir de uma alteração inicial neste rastreio, há também um determinado número de homens que sofrem as consequências dos tratamentos, mas que não tiveram qualquer efeito positivo na sua qualidade de vida ou longevidade.
Assim, a decisão de avançar para o rastreio do cancro da próstata envolve uma decisão partilhada entre paciente e médico, em que o paciente pondera a sua decisão após receber informação sobre os riscos/benefícios trazida pelas inquietações clínicas honestas do seu médico.

  • Finalmente, como surgiu o do Núcleo de Actividades em Prevenção Quaternária do ACES de Matosinhos, e quais os seus objetivos?

O núcleo surgiu da necessidade do Conselho Clínico e de Saúde organizar grupos de atividades nas diversas áreas de governação clínica. A Prevenção Quaternária é um conceito recente, mas já havia um projeto estruturado neste âmbito na ULSM que não tinha sido possível implementar, o que foi visto como uma oportunidade para abordar esta temática. Foi convidado para o grupo o Dr. José Agostinho (um dos autores do projeto) e o Dr. Luís Filipe Silva para iniciar o trabalho e aperfeiçoar o mesmo à luz das necessidades atuais. Os principais objetivos deste núcleo são:
• atualização científico-médica em questões centrais da Prevenção Quaternária com revisão de orientações de prática clínica;
• facilitar uma comunicação efectiva, humana e bidireccional das questões e dúvidas em torno de determinados temas de interesse para a consulta;
• aumentar o grau de literacia em Saúde com divulgação de informação ao paciente que favoreça uma capacitação na gestão da sua saúde e auto-cuidado enquanto agente da negociação clínica.

Núcleo de Atividades em Prevenção Quaternária do Aces Matosinhos:
Dra. Carla Ponte, especialista de Medicina Geral e Familiar | Dr Luís Filipe Silva, especialista de Medicina Geral e Familiar   | Dr. José Agostinho Santos, especialista de Medicina Geral e Familiar

Na foto, a Dra. Carla Ponte, especialista de Medicina Geral e Familiar, e o Dr. Agostinho Santos, especialista de Medicina Geral e Familiar, sendo que do grupo ainda faz parte o Dr. Luís Filipe Silva, especialista de Medicina Geral e Familiar.

Cancro cutâneo

Com o bom tempo e o Verão à porta, o tema é inevitável: Sol e cancro de pele. Apesar das campanhas e dos rastreios dos últimos anos, continua a fazer sentido falar da importância da prevenção e de estar atento aos sinais de alerta. “Devemos educar a população para as alterações a valorizar nos sinais”, defende Marta Pereira, diretora do Serviço de Dermatologia do Hospital Pedro Hispano/Unidade Local de Saúde de Matosinhos, alertando também para a necessidade de sensibilizar para “uma exposição solar consciente e controlada”.

  • O cancro da pele é uma das doenças que nos últimos anos passou a fazer parte das preocupações dos portugueses. Na sua opinião essa preocupação corresponde a uma mudança de atitude relativamente aos fatores de risco?

A população está mais atenta à pele e aos “sinais”, talvez como resultado de um trabalho de sensibilização de vários agentes para o problema do aumento da incidência do cancro da pele. No geral, os portugueses reconhecem que a exposição solar desregrada é o principal fator de risco para o aparecimento de cancro cutâneo.
Contudo, ainda não se assiste a uma verdadeira mudança de comportamentos: a exposição solar continua a ser feita de forma muito precoce na vida, é comum vermos crianças na praia sem qualquer protecção física (camisola, chapéu, óculos de sol) e em horas desaconselháveis (famílias a “chegarem” à praia pelas 11h00 e aí permanecerem sem recorrer a sombras). Também nas actividades lúdicas e desportivas, a protecção solar ainda não é uma regra, sendo muito comum observar ciclistas ou corredores sem chapéu ou óculos de sol.
Outro comportamento que assume dimensões preocupantes nos adolescentes e adultos jovens é a utilização de “solários”, com a intenção de obter um “bronzeado” rápido, e que acarreta uma exposição a radiação ultravioleta não calculada e potencialmente cancerígena.

  • O diagnóstico em tempo útil é decisivo para o tratamento, mas existem meios e recursos nos serviços de saúde que permitem fazer esse diagnóstico e tratar atempadamente?

O cancro cutâneo é visível e a população deve procurar informação sobre que “sinais” ou alterações da pele, nomeadamente da pele exposta ao sol, serão de valorizar. O diagnóstico e tratamento numa fase inicial da doença podem significar a cura.
A articulação entre o médico assistente (ou médico de família) e o dermatologista são fundamentais para a referenciação precoce das situações potencialmente mais graves. Na Unidade Local de Saúde de Matosinhos utilizamos a referenciação por Telemedicina cuja eficácia na priorização dos casos oncológicos está bem estabelecida.

  • Entre as várias doenças de pele, que expressão tem o cancro da pele no dia – a -dia da prática clínica do Serviço de Dermatologia?

Presentemente, cerca de 25% da patologia seguida no Serviço Dermatologia da ULSM é oncológica.

  • Além dos fatores de risco já identificados, como a exposição solar, por exemplo, existe ou não uma predisposição genética, individual para desenvolver cancro da pele?

As doenças genéticas de predisposição ao cancro cutâneo são relativamente raras, como o Albinismo, o Xeroderma pigmentoso ou mesmo o Síndrome dos basaliomas nevóides. Determinadas condições, como os transplantados renais, têm também risco acrescido de tumores cutâneos.
O factor de risco mais importante para cancro cutâneo é a exposição solar aguda intensiva (aumento do risco de melanoma e carcinoma basocelular) e a exposição solar crónica cumulativa (risco de carcinoma espinocelular).
A susceptibilidade individual à radiação varia consoante o fototipo, isto é, o tom de pele. Indivíduos de fototipo baixo (I e II) ruivos ou loiros de pele clara e olhos claros, têm menor “resistência” ao sol. Indivíduos de pele morena, cabelo e olhos castanhos (fototipo III) têm resistência moderada, já os indivíduos de pele escura (fotótipos IV e V) são menos susceptíveis aos efeitos nefastos da radiação solar.

  • Quando se aproxima o Verão, começamos a ouvir falar mais de rastreios de cancro da pele. Continua a ser importante insistir na sua realização?

Os rastreios são importantes, na medida em que são uma oportunidade para realizar o exame completo da pele, para educar os utentes sobre as alterações a valorizar nos “sinais” e sobre os cuidados a ter com a exposição solar.

  • Qual a melhor forma de prevenir o cancro cutâneo?

Educar para uma exposição solar consciente e controlada, dado que a radiação solar continua a ser o principal fator contributivo para o desenvolvimento de cancro cutâneo, é fundamental.

Assim, é importante:

  • Respeitar os horários de exposição solar (evitar a exposição entre as 11h e as 16h).
  • Usar proteção física: roupa adequada, chapéu de abas, óculos de sol
  • Promover o uso da sombra, sobretudo nas horas de maior intensidade de radiação
  • Utilizar corretamente os cremes protetores solares, não aumentado o tempo de exposição, com a justificação de que se colocou creme com filtros solares.
  • Educar as crianças promovendo o uso do “kit Sol seguro” (chapéu, vestuário adequado, óculos de sol, creme protector solar pediátrico). Ensinar que “sombra pequena, Sol intenso”, “sombra comprida, Sol amigo”.

Começar desde bem cedo a ensinar às crianças bons hábitos de convivência com o Sol, revela-se a melhor estratégia a longo prazo, pois esses bons hábitos irão perdurar ao longo da vida.

Marta Pereira, diretora do Serviço de Dermatologia do Hospital Pedro Hispano/Unidade Local de Saúde de Matosinhos

Centro de Ensaios Clínicos - investigação clínica na ULSM

Criado em 2014 com a missão de apoiar e promover a investigação clínica na Unidade Local de Saúde de Matosinhos, o Centro de Ensaios Clínicos, a funcionar no Hospital Pedro Hispano, resultou de um protocolo de colaboração com a Blueclinical, na sequência da publicação da Lei da Investigação Clínica, que se traduziu numa oportunidade de enquadramento para a dinamização desta atividade.
A Prof. Doutora Rosa Maria Príncipe, recém-nomeada coordenadora do CES, fala-nos sobre a atividade destes últimos anos e dos objetivos futuros.

  • O Centro de Ensaios Clínicos nasceu com o objetivo de dinamizar a investigação clínica na ULSM, tornando-a mais “profissionalizada”. Que balanço da atividade até agora desenvolvida?

O balanço é, sem dúvida, bastante positivo e promissor. Desde 2014, o crescimento tem sido muito significativo tanto do ponto de vista de quantidade de ensaios como de qualidade dos mesmos, crescimento que queremos continuar. A ULSM tem recursos físicos, humanos e organizacionais que lhe permitem crescer muito mais na área dos ensaios clínicos.

  • Quais os estudos clínicos que a ULSM desenvolve e/ou participa neste momento?

Neste momento temos cerca de 30 ensaios clínicos ativos e cerca de 15 estudos observacionais em diferentes áreas terapêuticas, nomeadamente diabetes, obesidade, AVC, Alzheimer, HIV… São estudos de diferentes fases desde fase II a IV. No entanto queremos muito desenvolver ensaios noutras áreas terapêuticas para envolvermos todos os profissionais que assim o desejem.

  •  Qual a importância estratégica que a investigação clínica tem para a ULSM?

Por um lado a investigação clínica permite que os utentes da ULSM tenham acesso a terapias inovadoras que possam responder às suas necessidades, por outro, poderá ser uma fonte de financiamento importante num momento em que o SNS se debate com tantos problemas orçamentais e a ULS continua a aspirar prestar um serviço de excelência à sua comunidade.
Já para os profissionais é mais um fator de envolvimento no desenvolvimento de medicamentos e dispositivos médicos que permite aumentar o seu conhecimento e formação.

  • Que áreas de investigação considera de maior interesse para a instituição, uma vez que como Unidade Local de Saúde caracteriza-se pela integração de cuidados hospitalares e cuidados de saúde primários?

Temos interesse em desenvolver todas as áreas que vão de encontro ao perfil de cuidados de saúde prestados pela ULSM, seja no âmbito hospitalar, seja nos Cuidados de Saúde Primários. Acreditamos que essa proximidade com os cuidados de saúde primários pode ser uma mais valia na capacidade de identificar doentes permitindo que estes tenham acesso a terapêuticas inovadoras.

  • Acaba de ser nomeada para a coordenação do Centro de Ensaios Clínicos, quais são os objetivos para o CEC?

Acima de tudo queremos aumentar o número de ensaios tanto nas áreas que já são de excelência no nosso Centro, como nas áreas terapêuticas que ainda estão a começar, mantendo sempre o rigor ético e cientifico pelo qual queremos que a ULS seja sempre reconhecida. Para tal o nosso Centro está a apostar na optimização dos recursos humanos e materiais dedicados aos EC, bem como na formação de todos os intervenientes, sejam profissionais sejam membros da comunidade em geral. No que se refere aos profissionais estamos a incentivar a formação especifica nesta área, e quanto à comunidade queremos aumentar o seu conhecimento relativamente ao que é um EC, de forma a que possam reconhecer as suas vantagens e reduzir o estigma que ainda envolve a palavra Ensaio Clínico.
Com tudo isto pretendemos tornar a ULSM um centro de referência nacional e internacional no que respeita à Investigação Clínica.

Prof Doutora Rosa Maria Príncipe, Coordenadora do Centro de Ensaios Clínicos

 

 

Dia Mundial da Esclerose Múltipla

Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2.500.000 pessoas com Esclerose Múltipla, em Portugal são mais de 5000 doentes, estimando-se uma prevalência de 50 casos por cada 100 mil habitantes. O acompanhamento destes doentes requer uma abordagem multidisciplinar, envolvendo várias especialidades médicas e tendo em conta o impacte da doença na vida da pessoa.

  • O que é a Esclerose Múltipla?

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença crónica, inflamatória e degenerativa, que atinge o Sistema Nervoso Central. Esta patologia surge, frequentemente, entre os 20 e os 40 anos de idade, sendo mais incidente nas mulheres. Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2.500.000 pessoas com EM e, em Portugal, mais de 5000, com uma prevalência estimada de 50 casos por cada 100 mil habitantes.

  • Quais os sintomas ou sinais da doença?

As manifestações clínicas da EM variam de pessoa para pessoa devido à grande variabilidade de localizações neuroanatómicas e da sequência temporal das lesões inflamatórias. Por exemplo, uma alteração da acuidade visual, visão dupla, diminuição da sensibilidade ou força num membro, desequilíbrio na marcha. Geralmente não é um sintoma transitório, mas sim de duração superior a 24 horas e que pode prologar-se por várias semanas, se não se realizar um tratamento precoce.

  • Como se trata a EM?

A intervenção terapêutica na doença desenvolve-se em duas vertentes: o tratamento farmacológico (agentes modificadores da doença e medicamentos sintomáticos) e a reabilitação, motora e cognitiva. É importante salientar que o acompanhamento destes doentes requer uma abordagem multidisciplinar envolvendo as especialidades de Neurologia, Oftalmologia, Fisiatria, Urologia, Psiquiatria, Enfermeiro de referência para a EM, Médico e Enfermeiro de Família, Psicólogo e Assistente Social.

  • O Serviço de Neurologia, por sua iniciativa, já organizou sessões informativas sobre a EM dirigidas a doentes e seus familiares. Qual a importância destas iniciativas?

Sim, já realizamos uma sessão no âmbito da comemoração do Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla dedicada aos doentes e seus familiares. Através de uma abordagem mais informal, e fora do contexto da consulta, a nossa intenção foi debater o impacte da doença na vida da pessoa, os tratamentos, o apoio de enfermagem e as alterações neuropsicológicas da EM, com o objetivo de esclarecer, desmistificar a doença e, ao mesmo tempo, estreitar a relação entre os vários intervenientes. É importante, e é nossa intenção, realizar mais ações destas.

Dr. Filipe Correia, Neurologista | Enfª Teresa Torres, Consulta de Enfermagem

Unidade de Esclerose Múltipla do Hospital Pedro Hispano/ULSM

Dr. Filipe Correia

Dia Nacional do Farmacêutico

Hoje assinala-se o Dia Nacional do Farmacêutico. 26 de setembro tem , assim, um significado especial para todos os farmacêuticos portugueses. Em Portugal, desde 1989, a data foi adotada como o Dia Nacional do Farmacêutico, que no calendário litúrgico romano corresponde ao dia de São Cosme e São Damião, os santos padroeiros da profissão Farmacêutica.
Fomos visitar os nossos farmacêuticos, não apanhámos todos de serviço, mas aqui estão algumas das caras que, todos os dias, tratam de verificar os medicamentos e tudo o que lhes está associado. Aos nossos farmacêuticos, em particular, mas a todos no global, um Obrigado pelo trabalho que diariamente desenvolvem em prol do utente.

DPOC - Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica

No Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica falámos com a médica Paula Simão, assistente graduada sénior de Pneumologia Unidade Local de Saúde de Matosinhos, e o médico João Carvalho, assistente de Pneumologia do Hospital Pulido Valente, sobre o impacto que esta doença tem na qualidade de vida das pessoas e da importância de um diagnóstico atempado. O lema da campanha – “Nunca é cedo de mais, nunca é tarde” – refere-se ainda ao facto de a maioria dos doentes serem diagnosticados tardiamente.

Os médicos referem ainda que existe um tratamento pioneiro e inovador em Portugal: a Reabilitação Respiratória Domiciliária. Mas a mudança de hábitos ainda é fundamental. É que 10% a 15% dos fumadores irão sofrer de DPOC, bem como pessoas com exposição ao fumo do tabaco. A DPOC que afecta 14,2% dos portugueses com mais de 40 anos

Quais são os sintomas da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)? A que sinais devem estar atentas as pessoas?
Paula Simão (P.S.): A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma patologia que ao longo dos anos apresenta uma evolução que limita muito as actividades de vida diária das pessoas, acabando por levar a um quadro de grande incapacidade. Os sintomas de alerta são a falta de ar, tosse, expectoração e cansaço com os esforços que se vão tornando cada vez mais frequentes e presentes no dia a dia à medida que a doença evolui.

Além dos sintomas de índole respiratória, acompanha-se de várias comorbilidades como a doenças cardiovasculares, depressão, osteoporose e risco significativamente mais alto do doente vir a desenvolver cancro do pulmão.

Nos casos mais graves, a DPOC reduz drasticamente a qualidade de vida ao não permitir a realização normal das actividades de vida diária, sendo que o doente acaba por evitar cada vez mais sair de casa, levando a um isolamento social progressivo.

A DPOC apresenta manifestações insidiosas, com instalação gradual cujos sintomas são muitas vezes desvalorizados pela própria pessoa, é também tantas vezes esquecida pelos clínicos até ao primeiro “ataque”(exacerbação). Portanto, recomenda-se a atenção e consciencialização sobre todos os pequenos sinais que se vão manifestando no decorrer do processo de instalação da doença.

Em que consiste a doença? Que tipo de pessoas são mais atingidas por esta doença?
(P.S.): A DPOC é uma doença comum, prevenível e tratável caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo derivado a anomalias das vias respiratórias e/ou alveolares, normalmente causadas pela exposição significativa a gases ou particulas nocivas.
A limitação crónica do fluxo, característica da DPOC é causada pela combinação da patologia das pequenas vias aéreas e pelas destruição parenquimatosa (enfisema), contribuições relativas que variam de pessoa para pessoa.

As pessoas mais atingidas pela doença assumem, normalmente, comportamentos de risco, sendo que a idade e o género masculino são factores predominantes, isto é, aparece mais em idades tardias (depois dos 40 anos) e nos homens.

Quais são os piores comportamentos de risco?
João Carvalho (J.C.): Os piores comportamentos de risco prendem-se com a exposição a agentes nocivos como o tabaco, irritantes ambientais como a queima de biomassa ou poluição ambiental. Os doentes que, mesmo após o diagnóstico de DPOC, mantenham exposição aos agentes nocivos como o tabaco apresentarão um declínio muito mais rápido da função respiratória e consequentemente da doença. A principal medida a tomar é a exposição a esses agentes.

Fumar está no topo das causas?
(J.C.): O tabagismo é sem dúvida o principal factor de risco para o desenvolvimento desta doença, sabendo-se que 10% a 15% dos fumadores vêm a sofrer de DPOC, bem como pessoas com exposição ao fumo do tabaco (fumadores passivos).

Contudo, o consumo de tabaco em Portugal tem vindo a diminuir, muito devido a uma maior consciencialização da população dos malefícios do tabagismo. Para esta mudança de comportamento, tem sido importante uma intervenção mais activa através de campanhas publicitárias de forma a alertar para os riscos de fumar. É essencial continuar a aposta neste tipo de campanhas, de maneira a manter esta mudança de comportamento na população portuguesa no que ao tabagismo diz respeito.

Qual é o número de doentes em Portugal?
(P.S.): A par das doenças cardiovasculares, as doenças respiratórias crónicas, nomeadamente a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), serão a principal causa de incapacidade nas próximas décadas. Nos últimos anos em Portugal, tem se vindo a registar um aumento de doenças respiratórias crónicas, que são responsáveis por um grande impacto na vida dos doentes e por elevados custos com a saúde.

Estas atingem cerca de 40% da população portuguesa, sendo a mais comum a DPOC que afeta 14,2% dos portugueses com mais de 40 anos. Segundo o relatório do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias, o número de utentes inscritos activos nos cuidados de saúde primários com diagnóstivo de DPOC é superior a 130 mil em 2016. Estima-se, no entanto que o número real de doentes DPOC seja 5 vezes superior aos registados, devendo-se este facto ao não diagnóstico da patologia.

Portanto, acredita-se que apesar de muito prevalente, a DPOC continua a ser subdiagnosticada. Tradicionalmente seguidos pelo pneumologista hospitalar, já que a maioria dos doentes são diagnosticados tardiamente em fases muito avançadas da doença, desde há vários anos que se têm desenvolvido esforços conjuntos entre os cuidados primários e hospitalares, no sentido de um diagnóstico mais precoce. Para que isto aconteça é preciso dotar os cuidados primários de acesso generalizado à espirometria (diagnóstico), e oferecer às pessoas acesso facilitado a consultas de cessação tabágica e a reabilitação respiratória, pressupostos que estão previstos no despacho emitido pela tutela (despacho 6300/2016).

Porque motivo esta é uma patologia sub-diagnosticada?
(P.S.): O principal motivo para que esta seja uma patologia sub-diagnosticada é o facto da progressão ser lenta e desvalorizada acabando por se atribuir a presença dos sintomas a características da idade. Para impedir uma progressão mais rápida da DPOC com consequente impacto na vida individual e social da pessoa, é extremamente importante que quer o doente quer o clínico estejam alerta para estes sintomas, principalmente nos fumadores, de forma a que se possa realizar o diagnóstico de forma antecipada.

O diagnóstico é efetuado através de um exame que avalia a função respiratória, a espirometria. É um exame simples, indolor e de baixo custo que permite perceber o grau de gravidade em que a doença se encontra orientando desde logo para o tratamento da doença. A identificação dos indivíduos em fases mais iniciais da doença reveste-se de uma importância enorme, permitindo intervenções terapêuticas precoces e menos onerosas, que melhorando os doentes, poderão impedir a progressão da doença, em suma poderão poupar muitos anos de vida e muitos milhões de euros.

Qual é a taxa de sucesso dos tratamentos?

(J.C.): Actualmente existe uma enorme disponibilidade de fármacos inaladores para o tratamento da DPOC, com excelente perfil de eficácia e segurança. A escolha dos inaladores e a realização correta da sua técnica inalatória são determinantes para o objetivo de uma boa adesão e eficácia da terapêutica. Para atingir tal objetivo, é extremamente importante que os profissinais de saúde que lidam com estes doentes dispendam muito tempo no ensino da técnica inalatória.

Os “ataques” (exacerbações) de DPOC têm um papel vincado na progressão da doença, sendo inclusive comparados ao enfarte agudo do miocárdio na doença cardiovascular. O seu impacto na morbilidade e mortalidade na DPOC é enorme, pelo que a diminuição destes “ataques” é o objetivo primordial do tratamento desta doença. A taxa de sucesso do tratamento depende de certas variáveis como a utilização correta e adequada dos inaladores, a adesão à cessação tabágica, a promoção de estilos de vida saudáveis e a realização da vacinação. Complementarmente, a todos os doentes (com indicação) deveria ser oferecida a possibilidade de tratamento num programa de reabilitação respiratória estruturado. As pessoas que aderirem às premissas anteriormente referidas terão com certeza uma maior taxa de sucesso de tratamento e consequentemente um número muito menor de “ataques” da DPOC.

Qual é o maior desafio na recuperação destes doentes?
(P.S.): A consciencialização e a educação para a saúde que visam mudanças de comportamento apresentam-se como os maiores desafios na recuperação dos doentes com DPOC, sendo que a Reabilitação Respiratória assume um papel fulcral.

A Reabilitação Respiratória é uma intervenção integrada, com base numa avaliação completa do doente, que inclui, embora não limitando, componentes de exercício físico, educação e mudança de comportamento projetado para melhorar a condição física e psicológica do doente com doença respiratória crónica, tendo como objetivo promover a adesão a longo prazo de comportamentos que melhoram a saúde. A componente educacional visa promover o exercício físico, uma alimentação correcta, a cessação tabágica nos fumadores, e a vacinação para prevenir as infeções respiratórias a vírus e bactérias. A readaptação ao esforço é uma intervenção fundamental em todos os doentes que apresentam falta de ar e diminuição da tolerância ao esforço nas atividades da vida diária.

Nas fases mais avançadas da doença, os doentes que apresentam insuficiência respiratória crónica poderão beneficiar de oxigenoterapia de longa duração e/ou a ventilação não invasiva, aumentando a sua capacidade física, ajudando-os a respirar melhor e consequentemente melhorando a sua qualidade de vida, assumindo a Reabilitação Respiratória também um papel essencial.

Referem apenas 1% tem acesso a programas de reabilitação. Porquê?

(J.C.): A Reabilitação Respiratória pode ser realizada em contexto hospitalar ou na comunidade, quer em centros de saúde, clínicas de reabilitação ou no próprio domicílio do doente. Em Portugal, o contexto hospitalar é definitivamente o que está mais implementado mas apenas nos principais centros hospitalares do país. Esta realidade leva a que apenas 1% dos doentes com DPOC tenha acesso a estes programas de reabilitação, quer porque os hospitais não conseguem incluir todos os doentes com DPOC, quer porque muitos doentes vivem longe ou têm dificuldade de acesso aos centros hospitalares com programas de Reabilitação Respiratória.

O que fazer para combater esta realidade?
É necessário conseguir implementar mais programas de Reabilitação Respiratória, seja na comunidade, em centros especializados ou no domicílio, de acesso mais fácil, o que levará à integração de um maior número de doentes.

Para combater esse défice, foi implementado há um ano e meio um programa inovador de reabilitação respiratória; trata-se portanto do primeiro Programa de Reabilitação Respiratória Domiciliária em Portugal. Inspirado no Living Well With COPD (Viver Bem com a DPOC) a Praxair (empresa de cuidados respiratórios domiciliários) criou o ReabilitAR DPOC, que cuida das pessoas com DPOC na envolvência do seu domicilio e vida habitual.

Como funciona este programa de reabilitação e qual é o seu sucesso?

(J.C.): O ReabilitAR DPOC, consiste em levar a Reabilitação Respiratória ao domicílio do doente, com a clara vantagem deste não ter que se deslocar ao hospital, realizar os diversos exercícios no meio onde vive e aprender a gerir as limitações causadas pela doença no seu ambiente do dia a dia.

Trata-se de uma alternativa e um complemento às soluções existentes, com direito a uma equipa altamente especializada, no domicílio, intervenção personalizada, linha de apoio 24h/7dias , flexibilidade de horário, envolvimento dos familiares próximos e adaptação às condições de habitação.

A equipa interdisciplinar é constituída por um médico pneumologista, enfermeiros de reabilitação, por fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e farmacêuticos, cujos papéis se encontram bem definidos em prol da recuperação da pessoa com DPOC. É um programa com segurança, eficácia e qualidade demonstrada, que actua em todo o território nacional continental.

Os resultados do programa têm sido muito promissores, com todos os doentes que o integram a apresentarem franca melhoria na sua capacidade física, melhor conhecimento da sua doença e a cuidar da sua saúde, com promoção da autogestão da patologia e resolução das dificuldades impostas pela doença. Essas conquistas têm resultado no aumento da qualidade de vida, redução de exacerbações e redução da dependência dos cuidados de saúde.

Qual é a importância deste dia mundial?

(P.S.): A GOLD (Global Initiative for Chronic Obstrutive Lung Disease) determinou desde 2002 que a 3ª quarta-feria do mês de Novembro é dedicada à Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica com acções de divulgação e educação, este ano sob o tema Never too early, never too late – (Nunca é cedo de mais, nunca é tarde de mais).

Assinalar este dia revela-se importante na medida em que chama a atenção para uma doença que se prevê que seja a terceira principal causa de morte mundialmente, nos próximos dois anos. Continuar a apostar em estratégias de prevenção dos factores de risco e promoção de estilos de vida saudáveis é essencial para que a incidência e prevalência da DPOC venham a diminuir no futuro. Mas é importante também continuar a apostar em estratégias de diagnóstico precoce (daí que o acesso à espirometria é fundamental), bem como em estratégias de acessibilidade aos tratamentos existentes, entre eles a reabilitação respiratória.

 Sábado 

 

O Sarampo

Plano de Contingência Calor

Efeitos do calor:

 

Algumas pessoas são mais vulneráveis aos efeitos do calor intenso e exigem uma atenção especial e medidas específicas para estarem protegidas, nomeadamente:

  • Crianças nos primeiros anos de vida
  • Pessoas com 65 ou mais anos
  • Portadores de doenças crónicas
  • Pessoas isoladas e em carência económica e social
  • Pessoas que desenvolvem atividade no exterior, expostos ao sol e/ou ao calor
  • Praticantes de atividade física

 

Devem, portanto ser adotadas as seguintes recomendações:

  • Tentar permanecer 2-3horas por dia num ambiente fresco ou com ar condicionado;
  • Manter o corpo hidratado e fresco (beber água mesmo que não tenha sede);
  • Manter-se protegido do calor (evitar a exposição direta ao sol, especialmente entre as 11 e as 17 horas);
  • Manter a casa fresca (correr as persianas ou portadas nos horários de maior calor e ao entardecer, quando a temperatura exterior for mais baixa do que a interior, deixar que o ar circule pela casa);
  • Manter-se especialmente atento e em contacto aos outros, particularmente aos que vivem isolados.

Em caso de dúvida ligue para o serviço SNS 24: 808 24 24 28

Plano de Contingência Módulo Calor - 2018

Já se encontra aprovado e em exercício o Plano de Contingência Saúde Sazonal – Módulo Calor para 2018.

Consulte o documento aqui: ULSM_plano_contigencia_modulo_verao_2018

Preparação em meio aquático para o parto

A Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM) começou a disponibilizar, em abril, aulas de preparação em meio aquático para o parto. Estas aulas decorrem na Piscina Municipal de Guifões e destinam-se a todas as grávidas/casais que estão a frequentar o curso de preparação para o parto e parentalidade no Serviço de Obstetrícia do Hospital Pedro Hispano e nas Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC) do ACeS Matosinhos.

  • A preparação para o parto e parentalidade já tem uma experiência de largos anos na ULSM, com o projeto Bem-me-Quer. Com a preparação em meio aquático para o parto, podemos dizer que agora entramos num novo ciclo?

O projeto Bem-me-quer – Preparação para o Parto e Parentalidade tem como finalidade promover a vivência saudável da gravidez, parto e parentalidade, dando resposta a uma das necessidades de saúde identificadas no Plano Local de Saúde de Matosinhos. Este projeto tem como objetivos promover a aquisição de conhecimentos e de estratégias facilitadoras para que a grávida /casal assuma um papel ativo na gravidez e no trabalho de parto, contribuindo para uma experiência mais satisfatória.
Desde o desenho inicial que havia também a intenção de incluir a preparação para o parto realizada em meio aquático. É este passo que agora concretizamos, com a ULSM a continuar a inovar no acompanhamento das grávidas/casais grávidos que procuram os seus serviços para o seguimento da gravidez, mas também no momento do nascimento.

  • Esta inovação na preparação para a parentalidade vem dar uma nova dinâmica ao trabalho já desenvolvido?

Sim, uma evolução já há muito aguardada pelas enfermeiras especialistas em Saúde Materna, envolvidas neste projeto, e que vem complementar o trabalho já realizado. Pelas suas características específicas, a preparação em meio aquático para o parto permite aos futuros pais viver a experiência da gestação, trabalho de parto, e parto de forma mais consciente e gratificante.

  • Quais as vantagens da preparação em meio aquático face à abordagem mais “tradicional” (aulas no solo)?

Alguns dos efeitos físicos mais importantes da água na preparação pré natal são a flutuabilidade, a temperatura e o relaxamento, a pressão hidrostática, a consciencialização da respiração e do corpo.
O efeito relaxante da água quente promove a eliminação das sensações de tensão aumentando a produção de endorfinas, responsáveis pela diminuição da perceção de dor e promotoras da sensação de bem-estar e relaxamento. Essa sensação de bem-estar permite também uma melhor perceção dos movimentos do bebé, ao mesmo tempo que diminui a frequência cardíaca e a tensão arterial.
A pressão hidrostática em meio aquático proporciona à grávida uma sensação de conforto e proteção, bem como o aumento da coordenação de movimentos. Favorece ainda a diminuição da retenção venosa, produzindo um efeito preventivo contra as varizes e os edemas, pois o movimento na água melhora a circulação linfática contribuindo para drenar os líquidos acumulados.
Durante as aulas são praticados exercícios de flexibilidade, postura corporal, mobilidade da pelve, tonificação muscular, relaxamento, perceção do feto e consciencialização do corpo e da respiração.

  • Quais os objetivos dos exercícios realizados em meio aquático?

A imersão parcial em meio aquático recria um ambiente de microgravidade, do qual resulta uma sensação de leveza ainda mais notória na gravidez avançada. A imersão aumenta a flutuabilidade: quanto mais imerso estiver o corpo, maior será a força de impulsão da água pelo que será mais fácil praticar os exercícios. Dessa forma, a grávida poderá manter a sua autonomia e agilidade de movimentos, aliviar a carga nas articulações, tonificar os músculos e corrigir a postura, bem como diminuir as dores lombares e o risco de lesão durante o exercício. Ao mesmo tempo, os exercícios respiratórios em meio aquático permitem aumentar a capacidade respiratória (a expiração será mais intensa e a inspiração mais profunda, exercendo pressão contra a resistência da água).
Resumindo, podemos dizer que os objetivos dos exercícios praticados em meio aquático são: fornecer preparação física no período perinatal, aumentar a sensação de segurança do casal grávido, eliminar medos e angústias relacionados com a gravidez e o parto, promover a auto confiança/segurança, a consciencialização do corpo, a ligação da tríade mãe/pai/bebé e o bem-estar durante a gravidez.

  • Que condições são necessárias à realização destas aulas?

Estas aulas decorrem em grupo, constituídos no máximo por 10 grávidas/casais, numa piscina aquecida entre os 28ºC e os 32ºC, com duração aproximada de 45 minutos.
As aulas são gratuitas e vão decorrer uma vez por semana (um grupo à quarta-feira e outro à sexta-feira), na Piscina Municipal de Guifões, orientadas por enfermeiras especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia com formação em Preparação Aquática Pré e Pós-Natal e aclimatização de bebés à água, certificada pela associação Aquanatal- Aquarius (Ostend, Bélgica). Este projeto resulta de uma parceria com a Matosinhos Sport e a Câmara Municipal de Matosinhos.

 

As Enfermeiras Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia: Conceição Santa-Martha, Clara Aires e Joana Varela,

Rastreio do Cancro do Cólon e Reto

Se for convidada/o para fazer o rastreio, não hesite. Participe!

  • Em que consiste o rastreio do cancro do cólon (intestino) e reto?

Consiste na realização de um exame às fezes que permite detetar a presença de sangue nas fezes (pesquisa de sangue oculto nas fezes).

  • Quem deve fazer o rastreio e quando?

Todas as pessoas, sem patologia do cancro do cólon e reto, com idades compreendidas entre os 50 e os 74 anos, inscritos nos centros de saúde da Unidade de Local de Saúde de Matosinhos. O rastreio deve ser feito de 2 em 2 anos.

  • Porque necessito de fazer o rastreio?

Em Portugal são diagnosticados, por ano, cerca de 7000 novos casos de cancro do cólon e reto, mas é possível prevenir-se desta doença.
Primeiro: com o consumo diário de frutas e verduras e a prática de exercício físico regular; Segundo: participando na realização do exame de rastreio para o qual é convidado.
Esta é uma doença que tem uma evolução lenta, desde o seu aparecimento até à transformação em cancro, mas esta característica só será benéfica para a saúde de cada um se houver uma predisposição para fazer o rastreio, já que este permite detetar lesões pré-malignas (ex.: pólipos) que podem ser removidas, bem como lesões malignas precoces que podem ser tratadas. Se diagnosticados numa fase inicial, as possibilidades de cura e tratamento são muito maiores.

  • Como se faz o teste?

O teste é feito pelo próprio utente no seu domicílio, utilizando um coletor de fezes (é um tubo pequeno com um pequeno escovilhão) que lhe será entregue por correio para a morada de residência. Este coletor é acompanhado de instruções para a realização do teste.

  • Após a colheita de fezes, o que fazer?

Deve entregá-la, logo que possa, no seu centro de saúde. Se não for possível no próprio dia deve colocá-la no frigorífico (e não no congelador), acondicionada na bolsa de plástico que acompanha o frasco coletor.

  • Quando é que recebo os resultados?

O resultado do rastreio ser-lhe-á enviado por carta para a sua residência, num prazo que não excederá os 30 dias. O seu médico de família receberá igualmente o resultado do exame que efetuou.

O teste de rastreio é totalmente gratuito!

  • E se o teste for positivo. Isto é, se for encontrado sangue nas fezes?

Se o resultado for positivo (acontece em sensivelmente 10% dos exames realizados a pessoas saudáveis), será encaminhado para o hospital da sua área de residência para fazer uma colonoscopia total. Antes da realização deste exame, será marcada uma consulta preparatória, no seu centro de saúde, onde a equipa, que habitualmente o segue, lhe pretará as informações devidas.

  • O que é a colonoscopia total? Como é feita?

A colonoscopia é um exame que permite ao médico visualizar o interior do intestino grosso através de um endoscópio (aparelho que consiste num tubo fino e flexível com uma câmara na extremidade, que possibilita a observação do interior dos órgãos ocos do corpo humano). O exame é realizado com sedação ou anestesia, exceto se existirem contraindicações clínicas ou se o utente não o desejar.

A Equipa do Serviço de Gastroenterologia da ULSM

Consulte aqui o folheto

 

Reabilitação Respiratória

Projeto ensina doentes com DPOC e Asma a viver melhor

Sabia que em Portugal a prevalência da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (mais conhecida por DPOC) atinge 14,2% dos indivíduos com mais de 40 anos? E que 6,8 % da população portuguesa sofre de asma? Tendo em conta esta realidade e a possibilidade de prevenir situações agudas da doença, as Unidades de Cuidados na Comunidade (UCCs) do Aces Matosinhos, integrado na ULSM, estão a dinamizar um projeto dirigido a estes utentes.

  • Em que contexto surge este projeto direcionado a doentes com DPOC e Asma?

Trata-se de um programa de reabilitação respiratória que visa dotar o doente de estratégias para melhor lidar com estas doenças crónicas, nomeadamente na gestão do regime terapêutico.
O recurso a programas educacionais de autogestão realizados individualmente, no domicílio, ou em grupo, nos centros de saúde, devem ser implementados integrados na reabilitação respiratória, visando o maior controlo da doença respiratória, com menos infeções respiratórias associadas e melhor qualidade de vida.
É neste contexto que as UCC da ULSM têm vindo a dinamizar um projeto de reabilitação respiratória dirigido aos seus utentes com DPOC e Asma, tendo por base as recomendações da DGS, e em sintonia com as orientações mais recentes e a investigação desenvolvida nesta área.

  • Como surgiu a necessidade deste programa?

A DPOC — que se caracteriza por uma limitação progressiva e persistente do fluxo aéreo, resultante de uma resposta inflamatória crónica das vias aéreas e do pulmão — provoca danos irreversíveis, acarretando pesados custos económicos e sociais. As exacerbações (situações agudas) da doença estão associadas ao seu agravamento, ao declínio acelerado da função respiratória e ao aumento da mortalidade. Da mesma forma, a asma é uma doença crónica frequente e potencialmente grave que afeta crianças e adultos. Não tem cura, mas pode ser controlada. Caracteriza-se por uma inflamação crónica das vias aéreas que quando são expostas a vários estímulos ou fatores desencadeantes tornam-se híper-reativas e obstruídas, limitando o fluxo de ar através de bronco-constrição, produção de muco e aumento da inflamação.
Assim, além das estratégias mais comuns para prevenir as exacerbações agudas da DPOC e Asma — cessação tabágica, vacinação antigripal e antipneumocócica e reabilitação respiratória — é necessário dotar o doente de conhecimentos clínicos que abordem a questão da gestão do regime terapêutico (farmacológico e não farmacológico).

  • Trata-se de capacitar o doente para a gestão da sua doença, é esse o objetivo?

É esse o nosso objetivo, e é nesse sentido que as equipas das UCC da ULSM têm vindo a trabalhar área da reabilitação respiratória. Desde logo, com esta intervenção pretendemos o alívio dos sintomas, a diminuição da limitação funcional, a melhor tolerância ao esforço, a participação do doente na vida social e uma melhor qualidade de vida. Mas, a longo prazo, o objetivo é a diminuição da utilização de recursos de saúde, incluindo uma diminuição do número de internamento hospitalares, ao mesmo tempo que se investe na capacitação do utente para a gestão de sintomas da doença.

  • Como se dinamiza, na prática, este projeto?

O projeto é dinamizado através de sessões psicoeducacionais realizadas em grupo ou individuais (com acompanhamento no domicílio), pois desta forma será possível abranger um maior número de utentes com diagnóstico de DPOC e Asma inscritos nas unidades de saúde.
Ao longo de seis sessões são abordados temas que se relacionam com a fisiopatologia das doenças respiratórias e patologias associadas, as causas de dificuldade respiratórias, sinais e sintomas, a utilização da terapia farmacológica, o ensino e treino do uso de dispositivos inalatórios, técnicas de reeducação funcional respiratória, de relaxamento, e ainda sobre a intervenção nas agudizações, bem como a importância da comunicação com a equipa de saúde. O exercício físico é feito de acordo com as limitações de cada doente.
Para os utentes que não têm condições para frequentar as sessões de grupo por elevada limitação funcional, é disponibilizado acompanhamento domiciliário, após um internamento por agudização ou devido à exacerbação de sintomas da doença.
Tanto nas sessões de grupo como individuais, a abordagem dos temas é realizada de uma forma personalizada, indo ao encontro das necessidades específicas do utente.

  • Como é que o doente pode integrar este projeto? Qual o critério?

São candidatos a este projeto todos os utentes com DPOC e Asma, independentemente do estadio ou gravidade doença, desde que reúnam condições para fazer exercício físico e não tenham outras patologias que comprometam a sua adesão a este tipo de intervenção (como por exemplo, demência ou patologia psiquiátrica grave). A referenciação do utente para o projeto deve ser realizada, preferencialmente, pelo médico ou enfermeiro de família, mas também pode ser encaminhada pelo pneumologista e/ou internista. Este projeto está disponível em todas as UCC que integram a ULSM.

Enfª Liliana Silva |Núcleo de Enfermeiros de Reabilitação da Comunidade (NERC) da ULSM

Semana Europeia da Vacinação

 

Na Semana Europeia da Vacinação damos conta da análise da vacinação ao ano de idade, aos 2 anos, 7 anos, 14 anos, 65 anos, as chamadas “coortes”.  Uma análise feita pelo
Departamento de Saúde Pública da Administração Regional de Saúde do Norte, I.P, no âmbito da Avaliação do Programa Nacional de Vacinação (2008 a 2018).

Assim, a Unidade Local de Saúde de Matosinhos apresenta coberturas vacinais médias superiores a 98% para a maioria das coortes e vacinas em análise.
São exceção apenas dois casos:
• Na coorte dos 2 anos e apenas para a 3ª dose da vacina anti pneumocócica (Pn13 3ª dose) em que a média da cobertura vacinal é de 93,7% . A média é mais baixa, uma vez que considera a avaliação em anos anteriores à introdução desta vacina no PNV (exemplo: na avaliação de 2016 a cobertura é de 86,26, mas na avaliação de 2017 e 2018 já é superior a 98%).
• Na coorte dos 65 anos em que a cobertura vacinal é de 84.4%.

Relativamente à vacina HPV nas coortes em avaliação, a média das coberturas vacinais é de 95,5%, valores consideravelmente superiores à meta preconizada pela DGS, que é de 85%.
As coberturas vacinais na sua generalidade são superiores às metas preconizadas pela DGS para as crianças e jovens até aos 18 anos, o que nos permite garantir com segurança a imunidade de grupo.

Informação importante a reter pelos “heróis da vacinação” :

A vacinação, ao longo da vida, tem como finalidade erradicar, eliminar ou controlar doenças infeciosas, contribuindo para a franca redução da morbilidade e da mortalidade, principalmente na infância, sendo considerada uma das medidas de Saúde Pública com melhor relação custo-efetividade. O Programa Nacional de Vacinação (PNV) é, aliás, ao longo dos seus mais de 50 anos de existência, provavelmente o programa de Saúde Pública mais universal e mais custo-efetivo do País. No entanto, não podem ser ignoradas outras estratégias vacinais para a proteção da saúde pública e de grupos de risco ou em circunstâncias especiais, como a vacinação anual contra a gripe, a vacinação de viajantes e ainda a prescrição de vacinas baseada em critérios de proteção individual.
Em Portugal, desde 1965, ano em que se iniciou o PNV, milhões de crianças e de adultos foram vacinados com vacinas de qualidade, eficazes e seguras, com enorme impacto na Saúde Pública. Não criar barreiras no acesso à vacinação é imperativo numa época em que, um pouco por todo o mundo, se manifestam fenómenos de hesitação vacinal, incluindo a existência de movimentos anti vacinação. Para contornar estes movimentos, é fundamental a motivação e um elevado nível de formação dos profissionais nele envolvidos bem como a perceção dos cidadãos de que a vacinação é uma mais-valia para a saúde individual e para a saúde da comunidade, sendo, ao mesmo tempo, um direito e um dever, quer cívico quer ético.
O êxito do Programa Nacional de Vacinação (PNV) depende de diversos fatores, tais como a disponibilização de vacinas de qualidade e o empenho das equipas de saúde familiar. É a estes profissionais que cabe assegurar a disponibilidade de vacinas em tempo útil nos serviços de saúde, proceder ao seu armazenamento em condições adequadas de forma a manter as condições de termoestabilidade, divulgar o PNV, motivando as famílias e a comunidade e aproveitando todas as oportunidades para vacinação. É também necessária uma monitorização ágil, possível através de sistemas de informação que permitem o registo centralizado das vacinas, e acessível, com respeito pela proteção de dados pessoais, aos profissionais do Serviço Nacional de Saúde.

No âmbito do PNV, devem ser garantidos os seguintes princípios:
a) Gratuitidade para o utilizador;
b) Acessibilidade;
c) Equidade;
d) Abrangência, destinando-se a todas as pessoas presentes em Portugal que tenham indicação para vacinação;
e) Aproveitamento de todas as oportunidades de vacinação para iniciar ou completar esquemas vacinais;
f) Acesso a informação e esclarecimento prévios à vacinação, dos cidadãos ou dos seus responsáveis, permitindo-lhes a tomada de decisões informadas.
A vacinação deve ser entendida como um direito e um dever dos cidadãos, participando ativamente na decisão de se vacinarem com a consciência que estão a defender a sua saúde, a Saúde Pública e a praticar um ato de cidadania.

Fontes:
Diário da República n.º 105/2015, Série II de 2015-06-01
– DGS – https://www.dgs.pt/paginas-de-sistema/saude-de-a-a-z/programa-nacional-de-vacinacao/programa-nacional-de-vacinacao.aspx
– DGS – Norma nº 016/2016 de 16/12/2016 atualizada a 31/07/2017 – Novo Programa Nacional de Vacinação – PNV 2017

Viver com a demência

Projeto “Viver com Demência”

A área da Saúde Mental, pela sua importância e necessidade atual, é uma área estratégica de intervenção das Unidades de Cuidados na Comunidade (UCCs) do Aces Matosinhos, assegurada por enfermeiros especializados e vocacionados para o acompanhamento do utente e família no seu contexto, na sua comunidade. A preservação da autonomia do utente — pelo maior tempo possível — é um dos principais objetivos deste projeto “Viver com Demência”.

1- Como surgiu este projeto?

O projeto Viver com Demência surgiu em 2010, na UCC da Senhora da Hora, em resposta à necessidade crescente de intervir junto dos nossos utentes com demência e seus cuidadores/família. Atualmente, está a ser também dinamizado na UCCs de Matosinhos, de São Mamede de Infesta e de Leça da Palmeira por Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria com projetos que visam garantir à população uma maior proximidade dos cuidados necessários, de uma forma rigorosa, diferenciada e adequada a cada situação.

2- A área da Saúde Mental é estratégica, mas quais os objetivos deste projeto de intervenção em concreto?

O projeto abrange todos os utentes com diagnóstico de demência e défice cognitivo ligeiro, suas famílias e cuidadores. Pretendemos detetar o mais precocemente possível situações de demência ou défice cognitivo ligeiro e acompanhar os utentes e suas famílias, capacitando-os para a gestão da doença e de todas as alterações cognitivas, comportamentais e funcionais que lhe estão inerentes.

3 – De que forma os utentes podem ter acesso a este apoio?

Os utentes podem ser referenciados pelo médico de família, enfermeiro de família ou por parceiros da comunidade. Após uma avaliação rigorosa, é estabelecido um plano terapêutico personalizado e contextualizado, em parceria com o utente e família/cuidadorl. Discutem-se as preocupações e necessidades, definem-se prioridades e exploram-se as opções disponíveis sobre os cuidados necessários.

4- Que atividades são dinamizadas?

A estimulação cognitiva individual e em grupo do utente é um pilar integrante deste projeto, com o objetivo de permitir manter ou mesmo recuperar funções cognitivas, como a memória, a orientação, concentração, atenção, a capacidade de reconhecer objetos e pessoas, a capacidade intelectual, a capacidade para desenvolver tarefas simples ou complexas, entre outras.

5- A proximidade de cuidados passa pelas visitas domiciliárias, por conhecer as rotinas do doente/família e ajudar a mantê-las. Ir a casa do utente faz a diferença?

A preservação da autonomia do utente — pelo maior tempo possível — é uma das nossas principais preocupações, pelo que a estimulação das atividades de vida diária através da orientação guiada, do uso de indicadores do ambiente, da aprendizagem por repetição e do ensino aos cuidadores, é uma intervenção psicoterapêutica utilizada ao longo de todo o acompanhamento. O acompanhamento em contexto domiciliário permite-nos ter a real noção do contexto do utente e sua família/cuidador, facilitando uma intervenção mais direcionada às necessidades reais.

6-Esta intervenção valoriza o envolvimento da família e/ou cuidador no processo terapêutico. De que forma se faz esse “ensino”?

O cuidador e família são essenciais para o sucesso do desenvolvimento do plano terapêutico definido. Deste modo, o acompanhamento do cuidador passa essencialmente por ir ao encontro das suas necessidades no desempenho deste seu papel tão importante. Neste sentido, o suporte emocional, a psicoeducação com o ensino e treino de estratégias compensatórias para gerir a comunicação, gerir o comportamento e reações emocionais, gerir as alterações funcionais e promover a estimulação nas atividades de vida diária são técnicas e intervenções psicoterapêuticas essenciais para prevenir a sobrecarga física e emocional, e o stress do cuidador.
Com esta nossa intervenção queremos envolver utente, cuidador e família numa parceria de saúde, que leva a uma melhoria da qualidade de vida. Também realizamos momentos e partilha para os cuidadores, como tertúlias, workshops, exposições e outras iniciativas.

Enfermeira Rita Costa e Enfermeiro Sérgio Pimenta durante uma das atividades do projeto.

 

Mais Saúde

"Postura é mais importante que o peso" - mochilas

“A Diabetes é uma doença da família”

É preciso mais informação sobre a doença, mais apoio e acompanhamento. Mas acima de tudo é preciso uma família capaz de ajudar a lidar com a doença e a prevenir as suas complicações. Nunca tanto se falou da importância da família para um doente com diabetes – uma doença para toda a vida. Uma “maratona que corre melhor se for vivida como um problema de família, com otimismo e esperança”, diz a pediatra Filipa Espada, da Unidade de Endocrinologia Pediátrica do Hospital Pedro Hispano/ULSM.

  • O tema do Dia Internacional da Diabetes escolhido para este ano destaca a importância da família no controlo da doença. Na sua opinião ainda falta informação às famílias sobre como lidar com a doença?

Sim, ainda falta informação e ainda falta apoio às famílias. Nós, os pediatras, uma vez que a pessoa atingida é uma criança ou adolescente envolvemos, obrigatoriamente, os pais ou os cuidadores no ensino. Mas seria necessário mais tempo, mais ensino, mais familiares e cuidadores envolvidos, além de mais apoio por parte das entidades patronais. É preciso mais informação sobre como lidar com a doença e como ultrapassar as adversidades. Uma família bem informada, coesa e carinhosa promove um bom controlo glicémico e com isso promove a prevenção de complicações.

  • Mesmo aceitando a diabetes como uma doença da família, existe depois todo um contexto social que que o doente diabético vive. Na sua opinião, a sociedade está melhor preparada?

A Diabetes é uma doença da família, é a doença do pai que falta ao trabalho porque a criança tem de vir á consulta, da mãe que nunca mais consegue dormir tranquilamente, dos irmãos que, por vezes, se sentem esquecidos. É uma doença que desgasta a longo prazo, é uma maratona para a vida. Mas que “corre melhor” se for encarada como um problema da família, que é necessário viver em conjunto, com apoio de todos, otimismo e esperança.

  •  E a sociedade?

Sim, a sociedade está cada vez mais preparada, mas ainda há muito trabalho a fazer. Antigamente não se falava de diabetes, alguns pensavam até que era uma doença contagiosa, havia ocultação da administração de insulina, algumas pessoas sentiam repulsa pelos pacientes com diabetes, porque se injetavam, porque tinham sangue…
Hoje a sociedade é mais aberta, mais consciente e, em alguns aspetos, diria mais humana. É necessário que esteja preparada, até porque a incidência da diabetes tipo 1 nas crianças até aos 14 anos aumenta 3% por ano na Europa, e uma vez que é uma doença ainda sem cura significa que o número de pessoas atingidas aumenta continuamente.

  • E a escola está recetiva? Estamos a falar de crianças e jovens que passam grande parte dos seus dias em ambiente escolar…

Existem muitas diretivas e recomendações sobre a criança com diabetes na escola, e um esforço por parte de todos para que sejam bem acolhidas. Este esforço engloba equipas de Pediatria Endócrina, equipas de Saúde Escolar, Unidades de Saúde, professores e auxiliares de ação educativa e famílias. Não é o ideal, mas é o possível. Na ULSM e em Matosinhos penso que existe uma boa articulação, no entanto, a minha ideia de ideal seria ter um enfermeiro em cada Agrupamento de Escolas a tempo inteiro. É difícil exigir a profissionais que não são da área da saúde atitudes como calcular os hidratos de carbono, fazer determinações glicémicas (picar o dedo), administrar insulina, corrigir hiperglicemias e hipoglicemias. Nem todos têm essa capacidade, e julgo que não pode ser exigível. Por exemplo, não podemos exigir a um professor que pique uma criança até porque esse mesmo professor pode ter escolhido essa profissão porque não gostava de ver sangue…

  • Ainda persiste alguma confusão entre a diabetes tipo1 e a diabetes tipo 2, o que leva a generalizações sobre o comportamento dos doentes e a “culpas” sobre a doença. Ainda sente isso na sua consulta?

Sim. Apesar de toda a informação, ainda sentimos essa falha. Ainda assisto a comentários do género “não percebo porque ficou diabético, era tão magrinho…”, “nunca mais vai poder comer um doce” (podem, mas não o devem fazer todos os dias, tal como uma pessoa normal), “já lhe disse para não comer um gelado, mas pode comer aquele chocolate para diabéticos” (francamente acho que não há nenhum chocolate para diabéticos, todas as pessoas podem comer chocolate com parcimónia a não ser que sejam alérgicas).
Os pais sentem sempre culpas, apesar de absolutamente infundadas, e aqui, mais uma vez, temos de humanizar os cuidados de saúde. Não só é preciso apoiar e tratar a criança como cuidar dos pais, a quem, de repente, lhes caiu o céu e fugiu o chão, para quem a dor é tanta que lhes tolda o pensamento… Por exemplo, temos apoio de Psicologia/Pedopsiquiatria para os novos pacientes ou para aqueles pacientes que não aceitam a doença, mas não temos ainda para os pais ou para os irmãos. Conseguem imaginar a dor de um pai que após ter sido diagnosticada diabetes ao filho de dois anos, de repente e para toda a vida, tem que picá-lo 6 a 10 vezes por dia, administrar insulina no meio do choro, implorando que coma tudo para que não tenha uma baixa de açúcar? E o filho que aos dois anos não percebe porque o pai lhe faz tantas maldades, todos os dias? …

  • O Sistema de Perfusão Subcutânea Contínua de Insulina (PSCI), vulgarmente designado por “bomba” permite às crianças e jovens uma relação diferente com a doença. O número de aparelhos é suficiente ou mais jovens poderiam beneficiar?

Houve um esforço muito grande por parte da DGS, dos pediatras, dos endocrinologistas, dos pais, das associações de doentes, da sociedade civil e do próprio Ministério da Saúde para que isso fosse conseguido. Penso que estamos no bom caminho!

  • Descobrimos que decidiu fazer a experiência em si própria do uso da “bomba” para “sentir” aquilo que os seus doentes sentem. Quer partilhar essa experiência?

Coloquei uma “bomba” com sistema de monitorização glicémica em tempo real por duas razões: em primeiro lugar para aprender “no terreno” o funcionamento do sistema, a outra razão foi para perceber melhor as dificuldades no dia-a-dia de uma pessoa com diabetes. Primeiro descobri que colocar um cateter e não dói, mas colocar bem demora algum tempo. A “bomba” é um sistema muito mais prático e se tiver monitorização contínua melhor, pois facilita imenso no dia-a-dia. Mesmo assim, a vida de uma criança com diabetes e suas famílias é difícil. Por exemplo: ia comer e lembrava-me que tinha de picar o dedo e inserir o valor na bomba, depois de contar os hidratos de carbono e sempre que queria comer tinha de voltar a contar os hidratos de carbono de cada alimento, inserir os valores na bomba, depois administrar a insulina através do cateter que está acoplado a nós, e depois esperar… Além disso, há aquelas questões tão básicas, como onde colocar o aparelho quando vamos ao wc?….
A verdade é que exigimos de um paciente e sua família um bom controlo para evitar complicações mas temos, na realidade, de estar cientes das suas dificuldades, para os podermos verdadeiramente ajudar.

A pediatra Filipa Espada, da Unidade de Endocrinologia Pediátrica do Hospital Pedro Hispano/ULSM

A Amamentação

  • Porquê amamentar?

O leite materno é o melhor alimento para o bebé.
O leite materno adapta-se exatamente às necessidades nutricionais do bebé nas diferentes etapas de crescimento, modificando a sua composição à medida que o bebé cresce. Previne doenças como as infeções, obesidade, diabetes, entre outras, sendo esta uma vantagem exclusiva do leite materno. O leite materno está sempre pronto e à temperatura ideal, sendo o alimento mais completo e económico.
A Organização Mundial de Saúde recomenda a amamentação exclusiva pelo menos até aos 6 meses e a sua manutenção até aos 2 anos ou mais, complementando com outros alimentos.
Amamentar também é benéfico para a mãe. A mãe que amamenta recupera rapidamente o seu peso habitual, tem também menos risco de cancro da mama, do ovário e de osteoporose.
Amamentar é um ato de amor e carinho, reforça a relação íntima entre mãe e bebé, sendo uma experiência enriquecedora para ambos.

  • Como ter sucesso na amamentação?

A amamentação é um processo evolutivo de aprendizagem e adaptação tanto para o bebé como para a mãe.

  • Dar de mamar sempre que o bebé apresentar sinais de fome e em horário livre (caso o bebé deseje poderá mesmo mamar a cada hora).
  • Assegurar uma pega correta.
  • Manter as mamadas da noite, de modo a assegurar uma boa produção de leite.
  • Evitar a utilização de mamilos artificiais, chupetas e biberões (confundem o bebé em relação ao mamilo).
  • Procurar ajuda especializada sempre que necessitar.

Para o efeito, o Hospital Pedro Hispano, acreditado como Hospital Amigo dos Bebés, dispõe de profissionais com competências em aconselhamento em aleitamento materno, um “Cantinho de Amamentação” e uma linha telefónica que funciona 24 horas por dia. Também em todos os centros de saúde da Unidade Local de Saúde de Matosinhos existem “Cantinhos de Amamentação” onde as mães podem recorrer e esclarecer as dúvidas.

  • O que é um “Hospital Amigo dos Bebés”?

O Hospital Pedro Hispano é desde Setembro de 2011 considerado “Hospital Amigo dos Bebés”. Um título que renovou em maio de 2015 e que garante que continua a implementar as medidas definidas pela OMS e pela UNICEF de promoção e incentivo ao aleitamento materno. O próximo passo é conseguir o mesmo título para o ACES Matosinhos, a caminho de “Unidade Local de Saúde Amiga dos Bebés”.

  • O que defende essa estratégia de incentivo ao aleitamento materno?

As recomendações da OMS e da Unicef, responsáveis pela iniciativa “Hospital Amigo dos Bebé”, contemplam dez medidas consideradas fundamentais para o sucesso do aleitamento materno e que devem ser implementadas nos serviços de saúde vocacionados para a assistência a grávidas e recém-nascidos. Entre essas medidas destaca-se, por exemplo, a ajuda à mãe a iniciar o aleitamento na primeira hora após o nascimento, a não dar tetinas ou chupetas aos bebés, e a informar todas as grávidas sobre as vantagens do aleitamento no crescimento e saúde do seu filho.

O primeiro objetivo é, sem dúvida, aumentar as taxas de amamentação, estabelecendo como meta que um maior número de bebés até aos seis meses usufrua das vantagens do aleitamento materno exclusivo. Este foi um dos pontos de partida deste projecto de candidatura a “Hospital Amigo dos Bebés” que se iniciou em 2007 e que exigiu uma mudança de atitude dos profissionais de saúde – médicos, enfermeiros e assistentes –, bem como o envolvimento dos diferentes serviços do Hospital Pedro Hispano e da ULSM, onde se insere.

  • E depois da alta hospitalar, que apoio é prestado às mães na amamentação?

As dúvidas surgem com maior incidência na primeira semana de vida do bebé, após o momento da alta hospitalar, prolongando-se, geralmente, até ao 10º dia. Nesse sentido, foram criados os “Cantinhos de Amamentação” que funcionam como espaços de apoio às mães e funcionária lactantes. Nos “cantinhos” as mães podem receber ajuda, esclarecer dúvidas e partilhar receios, ou simplesmente amamentar em privacidade, e sempre com o apoio de um profissional com competências em aconselhamento em aleitamento materno.´

Depois dos “cantinhos” foi criada também a Linha Verde de Amamentação, uma linha direta de apoio à amamentação (22 939 13 40) que garante às mães a disponibilidade de uma enfermeira especialista 24 horas por dia. Além do atendimento no momento, a partir da situação que a mãe descreve, a enfermeira faz a orientação para os serviços que considerar necessários, seja o “Cantinho de Amamentação”, o Serviço de Urgência ou Unidade de Saúde.

A Linha de Amamentação está acessível a todas as mães da área de influência da ULSM, e também àquelas que escolherem o HPH para o parto. E não só, pois os telefonemas chegam de cidades tão distintas como Coimbra ou Cascais, também dos Açores e Madeira e até de fora do país.

Comité do Aleitamento Materno da ULSM | Consultora Internacional de Lactação

Enfermeira Ana Ribeiro, Especialista em Saúde Infantil

Comité do Aleitamento Materno da ULSM |Consultora Internacional de Lactação

A Hérnia Discal

  • O que é uma hérnia discal?

A nossa Coluna Vertebral é composta por 24 vértebras que formam um conjunto harmonioso que serve de suporte ao nosso tronco. Articula-se com o crânio, superiormente, e com o sacro e a bacia, na parte inferior.
Essas mesmas vértebras estão unidas por um conjunto de discos intervertebrais que permitem a mobilidade da coluna e servem como “amortecedores” entre as vértebras.
Quando esses discos se estragam, quer por via do desgaste, quer devido a trauma ou esforços súbitos, podem surgir as hérnias discais, que têm significado clínico quando comprimem estruturas neurológicas, quer seja o canal vertebral, onde estão os nervos, quer seja os pequenos buracos por onde estes saem da coluna para enervar a pele, músculos ou articulações.

  • Quais os sintomas?

Os nervos têm importantes funções para a sensibilidade da pele e estruturas do corpo, para transmitir os impulsos nervosos que fazem contrair os músculos (função motora), ou para a sensibilidade específica das articulações (propriocepção).
Como tal, quando parte do disco comprime as estruturas nervosas ou aperta o canal, o que vai surgir vai ser dor nas costas (pescoço, dorso ou lombar), dor irradiada (por exemplo, dor tipo ciática), assim como alterações da sensibilidade (por exemplo, formigueiros ou sensação de calor ou frio).

  • Como de se faz o diagnóstico?

O diagnóstico faz-se com a ajuda da Tomografia Axial Computorizada (TAC) ou da Ressonância Magnética Nuclear (RMN). O primeiro exame é mais rápido, mas tem radiação, ao passo que o segundo apresenta melhores imagens e não tem radiação, podendo ser feito as vezes que for necessário.

  • Qual o tratamento?

Quanto ao tratamento, há que ter a noção de que a maior parte das hérnias não necessita de ser operada.
De facto, o tratamento inicial passa por repouso, a toma de medicamentos para aliviar a dor (analgésicos ou anti-inflamatórios), ortóteses para imobilizar a coluna – colar cervical ou lombostato, tratamento de Fisioterapia (associado ou não a terapias alternativas), e acima de tudo o tempo…

  • Quando é preciso recorrer à cirurgia?

Se os sintomas forem graves, nomeadamente com falta de força no membro afetado, ou se persistirem durante muito tempo (período mínimo de 4 a 6 semanas), temos de empreender por tratamentos invasivos, quer sejam Procedimentos Minimamente Invasivos – por exemplo Nucleoplastia, Ozonoterapia ou IDET – que geralmente são adequados para hérnias pequenas, quer sejam cirurgias para extração da hérnia ou alargamento do canal ou foramens, com ou sem fixação das vértebras.
O tratamento invasivo, quando tem uma indicação precisa e motivação por parte do doente (com um perfil psicológico adequado), tem uma taxa de sucesso superior a 90% no alívio da dor e da incapacidade. As sequelas graves, como os défices neurológicos, são extremamente raras, e mais incidentes nos casos com doença mais arrastada ou grave.
A evolução registada nesta área tem sido notória. Recentemente, e pela primeira vez, o Serviço de Ortopedia do Hospital Pedro Hispano/ULSM realizou uma intervenção cirúrgica inovadora que permite uma abordagem menos invasiva no tratamento das hérnias discais lombares e com vantagens na recuperação do doente. A técnica, designada por Discectomia Lombar Endoscópica é uma cirurgia minimamente invasiva, que se executa através de uma pequena incisão e com recurso a um endoscópio que permite retirar a hérnia.
Esta intervenção menos agressiva da hérnia discal reduz o internamento para um dia e será brevemente realizada em ambulatório.

Dr. Nuno Bastos | Assistente Hospitalar de Ortopedia |Unidade de Coluna do Hospital Pedro Hispano/ULSM

A Saúde Oral

 

A Tuberculose

  • O que é a tuberculose?

A tuberculose é uma doença causada pelo Mycobacterium Tuberculosis, uma bactéria que se adquire por via inalatória. Geralmente a doença atinge os pulmões (tuberculose pulmonar), mas poderá atingir qualquer outro órgão (tuberculose extra-pulmonar).

É uma doença curável, que tem tratamento.

  • Como se transmite?

A transmissão faz-se por via aérea. Um doente com tuberculose das vias respiratórias emite bacilos para o ar quando tosse, espirra, fala ou canta.

Quando exposto em ambiente fechado a um doente com TB das vias respiratórias, os seus contactos vão inalar os bacilos que se encontram no ar e podem ficar infetados (infecção latente). Mas nem toda a gente exposta fica infectada, e nem toda a gente infectada fica doente.

Cerca de 10% das pessoas com tuberculose latente irão desenvolver tuberculose doença no decorrer das suas vidas, sendo esse risco maior nos dois primeiros anos após o contacto que originou a infecção.

A bactéria responsável pela tuberculose não se transmite através de contacto com artigos domésticos, como louça, talheres ou roupas.

  • Quais são os sintomas da tuberculose pulmonar?

Os doentes iniciam os sintomas de uma forma insidiosa, que frequentemente não valorizam. Tosse, inicialmente seca e depois com expetoração (por vezes com sangue), cansaço, falta de apetite, emagrecimento, suores noturnos e febre baixa de predomínio noturno são os sintomas mais comuns.

  • Como é feito o diagnóstico de tuberculose?

O diagnóstico de tuberculose doença é efetuado através da pesquisa de Mycobacterium Tuberculosis nos produtos orgânicos (expectoração, sangue e urina).

  • Como é feito o Rastreio de tuberculose pulmonar?

Para despistar doença é efetuada uma radiografia ao tórax e, possivelmente, é também realizada colheita de expectoração para pesquisa do Mycobacterium Tuberculosis. A prova tuberculínica (ou prova de Mantoux) e o teste IGRA (interferon-gama) poderão ser úteis para diagnosticar, após exclusão de doença ativa, os casos de tuberculose infecção latente.

  • Em que consiste o tratamento?

O tratamento farmacológico da tuberculose associa em regra quatro a cinco fármacos, consoante se trata de um primeiro tratamento ou de um retratamento, tomados diariamente, em regime de TOD (Toma Observada Directamente).

  • Como posso evitar o contágio da doença?

O uso de máscara pelo doente com tuberculose em fase bacilífera (contagiosa) é fundamental, assim como a adoção de estratégias permanentes de higienização e renovação do ar em espaços fechados, com arejamento e exposição aos raios UV dos compartimentos da habitação.

  • É possível prevenir a doença?

Sim. A vacinação com BCG, nos moldes definidos pela Direção Geral da Saúde (DGS), é aconselhada.
Perante a exposição a um doente com tuberculose, e enquadrando-se nos critérios definidos pela DGS, são seleccionados os contactos a rastrear. Nestes serão adotados os procedimentos para excluir doença e posteriormente a infecção latente.  Se detetados casos de tuberculose-doença, iniciam de imediato o seu tratamento.  Se detetados casos de tuberculose- infecção latente, serão eventualmente elegíveis para tratamento preventivo, de acordo com avaliação clínica individual.

A equipa do Centro de Diagnóstico Pneumológico da ULSM, liderada pelo médico Neto Rodrigues (segundo da direita para a esquerda)

O Centro de Diagnóstico Pneumológico (CDP), integrado na ULSM, é o serviço responsável pela prevenção e tratamento da tuberculose, nas suas múltiplas formas. O seu âmbito de atuação estende-se a toda a população residente no concelho de Matosinhos.

A propósito deste dia e deste tema estivemos no Programa Consultório do Porto Canal.

Veja aqui

Acidente Vascular Cerebral (AVC)

  • O que é o Acidente Vascular Cerebral (AVC)?

O Acidente Vascular Cerebral isquémico é uma lesão do cérebro que ocorre devido a uma interrupção do fornecimento de sangue a uma parte deste órgão. Sem o fornecimento de sangue, as células cerebrais podem ficar danificadas e impossibilitadas de cumprir a sua função. Existe ainda o AVC hemorrágico, menos frequente que o subtipo anterior e que resulta da ruptura de um vaso sanguíneo com extravasamento de sangue e dano do tecido cerebral.

  • Qual a importância do AVC?

O AVC é uma das principais doenças neurológicas que podem danificar o cérebro, provocando incapacidade a longo prazo. Em Portugal constitui a principal causa de morte. Podemos mesmo falar numa epidemia que no nosso país atinge cerca de três pessoas por hora, resultando num total aproximado de 25 000 portugueses por ano. Só no Serviço de Urgência do Hospital Pedro Hispano/ULSM são atendidos, todos os anos, cerca de 800 novos doentes com AVC, provenientes dos concelhos de Matosinhos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim.
É sobre estes números que importa reflectir, por duas razões fundamentais: primeiro porque o AVC se pode prevenir, e segundo porque o AVC se pode tratar. Isto significa que o AVC não é uma fatalidade. É possível reduzir o seu número e aumentar a proporção de doentes que recupera completamente depois de um AVC, voltando a assumir as suas funções na sociedade e na família.

  • Como se pode prevenir um AVC?

Como cidadãos somos responsáveis por reduzir, desde cedo, o nosso risco individual de sofrer um AVC, sendo essencial para isso vigiar e combater activamente os principais factores de risco modificáveis: tabagismo, consumo excessivo de álcool, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, sedentarismo, colesterol elevado, doença cardíaca como a fibrilação auricular. É muito importante que, todos os anos, com a ajuda do nosso médico de família, façamos um balanço individual destes factores e iniciemos estratégias para os corrigir.

  • Como se trata?

Ao longo da vida, uma em cada seis pessoas serão atingidas por um AVC.
Para melhorarmos o nosso sucesso na resposta ao AVC temos de nos preparar para ele, pois muito tem mudado nos últimos 20 anos no tratamento agudo do AVC. Hoje é possível desobstruir, atempadamente, os vasos sanguíneos e tratar os doentes em unidades de AVC, aumentando assim a probabilidade de uma boa recuperação. Tanto a população como as instituições de saúde devem estar preparadas, pois “tempo é cérebro”.
Por cada 15 minutos de atraso aumenta a mortalidade em 4% e reduz-se a probabilidade de independência à alta em 4%.

  • Quais os sinais de alerta? Como se identifica um AVC?

A população precisa de conhecer os sinais de alerta e saber como activar, rapidamente, a Via Verde para o AVC. Assim, sempre que identifique a instalação abrupta de um dos sinais de alerta para AVC ou 3F, como será mais fácil de fixar — alteração na Fala com dificuldade em se expressar ou perceber o que lhe dizem, Face descaída de um dos lados (boca ao lado), ou perda de Força num dos lados do corpo –, deve contactar o número nacional de emergência médica 112, e activar a Via Verde para o AVC. Ao fazê-lo, está a garantir que o doente chega rapidamente ao hospital e que vai ter acesso ao tratamento indicado o mais precocemente possível, aumentando assim as probabilidades de uma recuperação completa.
Estamos certos de que a sensibilização da população para o AVC é fundamental aos nossos objectivos: reduzir o número de novos AVC por ano e aumentar o número de doentes devolvidos à sociedade sem sequelas depois de um AVC.

 

Dr. Vítor Tedim Cruz, Neurologista | Diretor do Serviço de Neurologia da Unidade Local de Saúde de Matosinhos | Investigador Doutorado do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto |Membro da Direcção da Sociedade Portuguesa do AVC

 

Alimentação Saudável

Aqui vamos dar-lhe a oportunidade para conhecer um site útil que o pode guiar na sua alimentação: o nutrimento.pt

E o que é um nutrimento? “Um Nutrimento é uma “substância ou princípio nutriente ou nutritivo, elemento útil ao funcionamento do organismo, que é próprio dos alimentos”. Foi esta a definição escrita pelo Dr. Emílio Peres, um dos responsáveis  por instituir a formação superior na área das Ciências da Nutrição em Portugal, e foi também este o nome escolhido para o blog do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direção-Geral da Saúde, como forma de homenagear este ilustre investigador e pedagogo.

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Atividade física & Exercício físico

O Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física (PNPAF) foi criado em 2016 e tem como documento orientador a Estratégia Nacional para a Promoção da Atividade Física, Saúde e Bem-Estar (ENPAF). Funciona em harmonia com o Plano Nacional de Saúde e com as principais orientações internacionais na área, nomeadamente da Organização Mundial da Saúde.

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Atividades preventivas em Saúde

De que se fala exatamente quando se usa a palavra prevenção em Saúde? O que são atividades preventivas? O que é a prevenção primária? E o que significa a prevenção quartenária de que nos últimos tempos passou a fazer parte do discurso dos profissionais de Saúde? O Núcleo de Atividades em Prevenção Quaternária do Aces Matosinhos elegeu este tema para fazer informação em Saúde e contribuir para uma atitude mais critica e refletida, tanto por parte dos profissionais de saúde, como dos utentes.

  • O que são atividades preventivas em Saúde?

Desde há longos tempos que vamos ouvindo nas conversas do quotidiano que “prevenir é o melhor remédio”. Este ditado aplica-se a diversas esferas das nossas vidas, mas o conceito do “remédio” integrado na expressão liga-a especialmente ao contexto de Saúde. Efetivamente, toda a prática clínica (quer de Medicina, Enfermagem, Psicologia, Nutrição, Fisioterapia e outras áreas ligadas à Saúde) tem uma importante componente preventiva no seu processo de planeamento e acção. Através de uma consulta de Medicina Geral e Familiar podemos explicar os diversos conceitos preventivos.
Assim, as atividades preventivas podem ser classicamente divididas em quatro grandes grupos: prevenção primária, secundária, terciária e quaternária.

  • Ou seja, existem diferentes atividades preventivas — prevenção primária, secundária, terciária e quaternária. Como se distinguem?

Começando pela prevenção primária, podemos afirmar que o objetivo é evitar o aparecimento da doença. Uma atividade clínica orientada para a prevenção primária refere-se ao aconselhamento para bons hábitos ou estilos de vida, como uma alimentação equilibrada e com baixo teor em sal, e a prática de exercício físico para que se evite ou atrase o aparecimento da hipertensão ou diabetes. A vacinação é também, por si só, um acto primariamente preventivo: a imunização (genericamente traduzida para “protecção”) dada pela vacina reduz probabilidade de doença.

  • Sobre a prevenção secundária, podemos dizer que o médico está já a intervir perante um diagnóstico?

Sim, a prevenção secundária tem como objectivo diminuir as sequelas ou consequências da doença já diagnosticada, quer ao nível dos sintomas/ qualidade de vida, quer ao nível da mortalidade. Um exemplo ilustrativo da prevenção secundária é a prescrição de fármacos antihipertensores ou antidiabéticos de forma a adquirir-se controlo das doenças instaladas (hipertensão e diabetes). Neste contexto, as medidas de prevenção secundária constroem-se sobre as medidas de prevenção primária, que se mantêm como os alicerces de qualquer atividade preventiva.

  • E que diferenças existem relativamente à prevenção terciária?

Podemos afirmar que a prevenção terciária consiste nos procedimentos clínicos que reduzem o impacto e as consequência da doença na vida das pessoas. Um exemplo das atividades de prevenção terciária são as medidas orientadas para a reabilitação de uma pessoa que tenha sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) devido a uma hipertensão descontrolada. Outro exemplo será o aconselhamento sobre os cuidados necessários (higiene, hidratação, calçado especial, tratamento diferenciado podológico…) numa situação em que já existem lesões na enervação ou na circulação sanguínea dos pés causadas por uma diabetes não-regulada.

  • Finalmente, sobre a prevenção quaternária. Como se define? O que significa esta expressão cada vez mais recorrente?

A prevenção quaternária é a não realização de procedimentos no âmbito de cuidados de saúde que possam, por si só, ser excessivos ou lesivos para o paciente. A prevenção quaternária é, portanto, muito abrangente porque envolve um trabalho intenso de informação e esclarecimento:
• ao paciente: mitos em saúde que condicionam parte da população a iniciar estratégias para o seu bem-estar e saúde
• ao profissional de saúde: actualização científica e discussão interpares das práticas clínicas que possam ser entendidas como benéficas, mas que na verdade não têm bases científicas para serem entendidas como tal.
• na relação profissional de saúde-doente: melhoria da comunicação entre médico e doente, de forma a que as decisões sejam tomadas em acordo, e com ambos intervenientes mutuamente informados.

  • Quer dar um exemplo de prevenção quaternária?

Um exemplo típico de prevenção quaternária é o rastreio do cancro da próstata através do valor sanguíneo do PSA. Poderá ser surpreendente, mas este rastreio não tem uma sólida base científica que o sustente, apesar de vários profissionais de saúde, instituições de saúde e uma grande parte da população o ter como uma atividade preventiva com um saldo positivo benefício/risco. Na verdade, os estudos revelam que, apesar de haver um considerável número de casos de cancro detectados a partir de uma alteração inicial neste rastreio, há também um determinado número de homens que sofrem as consequências dos tratamentos, mas que não tiveram qualquer efeito positivo na sua qualidade de vida ou longevidade.
Assim, a decisão de avançar para o rastreio do cancro da próstata envolve uma decisão partilhada entre paciente e médico, em que o paciente pondera a sua decisão após receber informação sobre os riscos/benefícios trazida pelas inquietações clínicas honestas do seu médico.

  • Finalmente, como surgiu o do Núcleo de Actividades em Prevenção Quaternária do ACES de Matosinhos, e quais os seus objetivos?

O núcleo surgiu da necessidade do Conselho Clínico e de Saúde organizar grupos de atividades nas diversas áreas de governação clínica. A Prevenção Quaternária é um conceito recente, mas já havia um projeto estruturado neste âmbito na ULSM que não tinha sido possível implementar, o que foi visto como uma oportunidade para abordar esta temática. Foi convidado para o grupo o Dr. José Agostinho (um dos autores do projeto) e o Dr. Luís Filipe Silva para iniciar o trabalho e aperfeiçoar o mesmo à luz das necessidades atuais. Os principais objetivos deste núcleo são:
• atualização científico-médica em questões centrais da Prevenção Quaternária com revisão de orientações de prática clínica;
• facilitar uma comunicação efectiva, humana e bidireccional das questões e dúvidas em torno de determinados temas de interesse para a consulta;
• aumentar o grau de literacia em Saúde com divulgação de informação ao paciente que favoreça uma capacitação na gestão da sua saúde e auto-cuidado enquanto agente da negociação clínica.

Núcleo de Atividades em Prevenção Quaternária do Aces Matosinhos:
Dra. Carla Ponte, especialista de Medicina Geral e Familiar | Dr Luís Filipe Silva, especialista de Medicina Geral e Familiar   | Dr. José Agostinho Santos, especialista de Medicina Geral e Familiar

Na foto, a Dra. Carla Ponte, especialista de Medicina Geral e Familiar, e o Dr. Agostinho Santos, especialista de Medicina Geral e Familiar, sendo que do grupo ainda faz parte o Dr. Luís Filipe Silva, especialista de Medicina Geral e Familiar.

Cancro cutâneo

Com o bom tempo e o Verão à porta, o tema é inevitável: Sol e cancro de pele. Apesar das campanhas e dos rastreios dos últimos anos, continua a fazer sentido falar da importância da prevenção e de estar atento aos sinais de alerta. “Devemos educar a população para as alterações a valorizar nos sinais”, defende Marta Pereira, diretora do Serviço de Dermatologia do Hospital Pedro Hispano/Unidade Local de Saúde de Matosinhos, alertando também para a necessidade de sensibilizar para “uma exposição solar consciente e controlada”.

  • O cancro da pele é uma das doenças que nos últimos anos passou a fazer parte das preocupações dos portugueses. Na sua opinião essa preocupação corresponde a uma mudança de atitude relativamente aos fatores de risco?

A população está mais atenta à pele e aos “sinais”, talvez como resultado de um trabalho de sensibilização de vários agentes para o problema do aumento da incidência do cancro da pele. No geral, os portugueses reconhecem que a exposição solar desregrada é o principal fator de risco para o aparecimento de cancro cutâneo.
Contudo, ainda não se assiste a uma verdadeira mudança de comportamentos: a exposição solar continua a ser feita de forma muito precoce na vida, é comum vermos crianças na praia sem qualquer protecção física (camisola, chapéu, óculos de sol) e em horas desaconselháveis (famílias a “chegarem” à praia pelas 11h00 e aí permanecerem sem recorrer a sombras). Também nas actividades lúdicas e desportivas, a protecção solar ainda não é uma regra, sendo muito comum observar ciclistas ou corredores sem chapéu ou óculos de sol.
Outro comportamento que assume dimensões preocupantes nos adolescentes e adultos jovens é a utilização de “solários”, com a intenção de obter um “bronzeado” rápido, e que acarreta uma exposição a radiação ultravioleta não calculada e potencialmente cancerígena.

  • O diagnóstico em tempo útil é decisivo para o tratamento, mas existem meios e recursos nos serviços de saúde que permitem fazer esse diagnóstico e tratar atempadamente?

O cancro cutâneo é visível e a população deve procurar informação sobre que “sinais” ou alterações da pele, nomeadamente da pele exposta ao sol, serão de valorizar. O diagnóstico e tratamento numa fase inicial da doença podem significar a cura.
A articulação entre o médico assistente (ou médico de família) e o dermatologista são fundamentais para a referenciação precoce das situações potencialmente mais graves. Na Unidade Local de Saúde de Matosinhos utilizamos a referenciação por Telemedicina cuja eficácia na priorização dos casos oncológicos está bem estabelecida.

  • Entre as várias doenças de pele, que expressão tem o cancro da pele no dia – a -dia da prática clínica do Serviço de Dermatologia?

Presentemente, cerca de 25% da patologia seguida no Serviço Dermatologia da ULSM é oncológica.

  • Além dos fatores de risco já identificados, como a exposição solar, por exemplo, existe ou não uma predisposição genética, individual para desenvolver cancro da pele?

As doenças genéticas de predisposição ao cancro cutâneo são relativamente raras, como o Albinismo, o Xeroderma pigmentoso ou mesmo o Síndrome dos basaliomas nevóides. Determinadas condições, como os transplantados renais, têm também risco acrescido de tumores cutâneos.
O factor de risco mais importante para cancro cutâneo é a exposição solar aguda intensiva (aumento do risco de melanoma e carcinoma basocelular) e a exposição solar crónica cumulativa (risco de carcinoma espinocelular).
A susceptibilidade individual à radiação varia consoante o fototipo, isto é, o tom de pele. Indivíduos de fototipo baixo (I e II) ruivos ou loiros de pele clara e olhos claros, têm menor “resistência” ao sol. Indivíduos de pele morena, cabelo e olhos castanhos (fototipo III) têm resistência moderada, já os indivíduos de pele escura (fotótipos IV e V) são menos susceptíveis aos efeitos nefastos da radiação solar.

  • Quando se aproxima o Verão, começamos a ouvir falar mais de rastreios de cancro da pele. Continua a ser importante insistir na sua realização?

Os rastreios são importantes, na medida em que são uma oportunidade para realizar o exame completo da pele, para educar os utentes sobre as alterações a valorizar nos “sinais” e sobre os cuidados a ter com a exposição solar.

  • Qual a melhor forma de prevenir o cancro cutâneo?

Educar para uma exposição solar consciente e controlada, dado que a radiação solar continua a ser o principal fator contributivo para o desenvolvimento de cancro cutâneo, é fundamental.

Assim, é importante:

  • Respeitar os horários de exposição solar (evitar a exposição entre as 11h e as 16h).
  • Usar proteção física: roupa adequada, chapéu de abas, óculos de sol
  • Promover o uso da sombra, sobretudo nas horas de maior intensidade de radiação
  • Utilizar corretamente os cremes protetores solares, não aumentado o tempo de exposição, com a justificação de que se colocou creme com filtros solares.
  • Educar as crianças promovendo o uso do “kit Sol seguro” (chapéu, vestuário adequado, óculos de sol, creme protector solar pediátrico). Ensinar que “sombra pequena, Sol intenso”, “sombra comprida, Sol amigo”.

Começar desde bem cedo a ensinar às crianças bons hábitos de convivência com o Sol, revela-se a melhor estratégia a longo prazo, pois esses bons hábitos irão perdurar ao longo da vida.

Marta Pereira, diretora do Serviço de Dermatologia do Hospital Pedro Hispano/Unidade Local de Saúde de Matosinhos

Centro de Ensaios Clínicos - investigação clínica na ULSM

Criado em 2014 com a missão de apoiar e promover a investigação clínica na Unidade Local de Saúde de Matosinhos, o Centro de Ensaios Clínicos, a funcionar no Hospital Pedro Hispano, resultou de um protocolo de colaboração com a Blueclinical, na sequência da publicação da Lei da Investigação Clínica, que se traduziu numa oportunidade de enquadramento para a dinamização desta atividade.
A Prof. Doutora Rosa Maria Príncipe, recém-nomeada coordenadora do CES, fala-nos sobre a atividade destes últimos anos e dos objetivos futuros.

  • O Centro de Ensaios Clínicos nasceu com o objetivo de dinamizar a investigação clínica na ULSM, tornando-a mais “profissionalizada”. Que balanço da atividade até agora desenvolvida?

O balanço é, sem dúvida, bastante positivo e promissor. Desde 2014, o crescimento tem sido muito significativo tanto do ponto de vista de quantidade de ensaios como de qualidade dos mesmos, crescimento que queremos continuar. A ULSM tem recursos físicos, humanos e organizacionais que lhe permitem crescer muito mais na área dos ensaios clínicos.

  • Quais os estudos clínicos que a ULSM desenvolve e/ou participa neste momento?

Neste momento temos cerca de 30 ensaios clínicos ativos e cerca de 15 estudos observacionais em diferentes áreas terapêuticas, nomeadamente diabetes, obesidade, AVC, Alzheimer, HIV… São estudos de diferentes fases desde fase II a IV. No entanto queremos muito desenvolver ensaios noutras áreas terapêuticas para envolvermos todos os profissionais que assim o desejem.

  •  Qual a importância estratégica que a investigação clínica tem para a ULSM?

Por um lado a investigação clínica permite que os utentes da ULSM tenham acesso a terapias inovadoras que possam responder às suas necessidades, por outro, poderá ser uma fonte de financiamento importante num momento em que o SNS se debate com tantos problemas orçamentais e a ULS continua a aspirar prestar um serviço de excelência à sua comunidade.
Já para os profissionais é mais um fator de envolvimento no desenvolvimento de medicamentos e dispositivos médicos que permite aumentar o seu conhecimento e formação.

  • Que áreas de investigação considera de maior interesse para a instituição, uma vez que como Unidade Local de Saúde caracteriza-se pela integração de cuidados hospitalares e cuidados de saúde primários?

Temos interesse em desenvolver todas as áreas que vão de encontro ao perfil de cuidados de saúde prestados pela ULSM, seja no âmbito hospitalar, seja nos Cuidados de Saúde Primários. Acreditamos que essa proximidade com os cuidados de saúde primários pode ser uma mais valia na capacidade de identificar doentes permitindo que estes tenham acesso a terapêuticas inovadoras.

  • Acaba de ser nomeada para a coordenação do Centro de Ensaios Clínicos, quais são os objetivos para o CEC?

Acima de tudo queremos aumentar o número de ensaios tanto nas áreas que já são de excelência no nosso Centro, como nas áreas terapêuticas que ainda estão a começar, mantendo sempre o rigor ético e cientifico pelo qual queremos que a ULS seja sempre reconhecida. Para tal o nosso Centro está a apostar na optimização dos recursos humanos e materiais dedicados aos EC, bem como na formação de todos os intervenientes, sejam profissionais sejam membros da comunidade em geral. No que se refere aos profissionais estamos a incentivar a formação especifica nesta área, e quanto à comunidade queremos aumentar o seu conhecimento relativamente ao que é um EC, de forma a que possam reconhecer as suas vantagens e reduzir o estigma que ainda envolve a palavra Ensaio Clínico.
Com tudo isto pretendemos tornar a ULSM um centro de referência nacional e internacional no que respeita à Investigação Clínica.

Prof Doutora Rosa Maria Príncipe, Coordenadora do Centro de Ensaios Clínicos

 

 

Dia Mundial da Esclerose Múltipla

Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2.500.000 pessoas com Esclerose Múltipla, em Portugal são mais de 5000 doentes, estimando-se uma prevalência de 50 casos por cada 100 mil habitantes. O acompanhamento destes doentes requer uma abordagem multidisciplinar, envolvendo várias especialidades médicas e tendo em conta o impacte da doença na vida da pessoa.

  • O que é a Esclerose Múltipla?

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença crónica, inflamatória e degenerativa, que atinge o Sistema Nervoso Central. Esta patologia surge, frequentemente, entre os 20 e os 40 anos de idade, sendo mais incidente nas mulheres. Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2.500.000 pessoas com EM e, em Portugal, mais de 5000, com uma prevalência estimada de 50 casos por cada 100 mil habitantes.

  • Quais os sintomas ou sinais da doença?

As manifestações clínicas da EM variam de pessoa para pessoa devido à grande variabilidade de localizações neuroanatómicas e da sequência temporal das lesões inflamatórias. Por exemplo, uma alteração da acuidade visual, visão dupla, diminuição da sensibilidade ou força num membro, desequilíbrio na marcha. Geralmente não é um sintoma transitório, mas sim de duração superior a 24 horas e que pode prologar-se por várias semanas, se não se realizar um tratamento precoce.

  • Como se trata a EM?

A intervenção terapêutica na doença desenvolve-se em duas vertentes: o tratamento farmacológico (agentes modificadores da doença e medicamentos sintomáticos) e a reabilitação, motora e cognitiva. É importante salientar que o acompanhamento destes doentes requer uma abordagem multidisciplinar envolvendo as especialidades de Neurologia, Oftalmologia, Fisiatria, Urologia, Psiquiatria, Enfermeiro de referência para a EM, Médico e Enfermeiro de Família, Psicólogo e Assistente Social.

  • O Serviço de Neurologia, por sua iniciativa, já organizou sessões informativas sobre a EM dirigidas a doentes e seus familiares. Qual a importância destas iniciativas?

Sim, já realizamos uma sessão no âmbito da comemoração do Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla dedicada aos doentes e seus familiares. Através de uma abordagem mais informal, e fora do contexto da consulta, a nossa intenção foi debater o impacte da doença na vida da pessoa, os tratamentos, o apoio de enfermagem e as alterações neuropsicológicas da EM, com o objetivo de esclarecer, desmistificar a doença e, ao mesmo tempo, estreitar a relação entre os vários intervenientes. É importante, e é nossa intenção, realizar mais ações destas.

Dr. Filipe Correia, Neurologista | Enfª Teresa Torres, Consulta de Enfermagem

Unidade de Esclerose Múltipla do Hospital Pedro Hispano/ULSM

Dr. Filipe Correia

Dia Nacional do Farmacêutico

Hoje assinala-se o Dia Nacional do Farmacêutico. 26 de setembro tem , assim, um significado especial para todos os farmacêuticos portugueses. Em Portugal, desde 1989, a data foi adotada como o Dia Nacional do Farmacêutico, que no calendário litúrgico romano corresponde ao dia de São Cosme e São Damião, os santos padroeiros da profissão Farmacêutica.
Fomos visitar os nossos farmacêuticos, não apanhámos todos de serviço, mas aqui estão algumas das caras que, todos os dias, tratam de verificar os medicamentos e tudo o que lhes está associado. Aos nossos farmacêuticos, em particular, mas a todos no global, um Obrigado pelo trabalho que diariamente desenvolvem em prol do utente.

DPOC - Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica

No Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica falámos com a médica Paula Simão, assistente graduada sénior de Pneumologia Unidade Local de Saúde de Matosinhos, e o médico João Carvalho, assistente de Pneumologia do Hospital Pulido Valente, sobre o impacto que esta doença tem na qualidade de vida das pessoas e da importância de um diagnóstico atempado. O lema da campanha – “Nunca é cedo de mais, nunca é tarde” – refere-se ainda ao facto de a maioria dos doentes serem diagnosticados tardiamente.

Os médicos referem ainda que existe um tratamento pioneiro e inovador em Portugal: a Reabilitação Respiratória Domiciliária. Mas a mudança de hábitos ainda é fundamental. É que 10% a 15% dos fumadores irão sofrer de DPOC, bem como pessoas com exposição ao fumo do tabaco. A DPOC que afecta 14,2% dos portugueses com mais de 40 anos

Quais são os sintomas da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)? A que sinais devem estar atentas as pessoas?
Paula Simão (P.S.): A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma patologia que ao longo dos anos apresenta uma evolução que limita muito as actividades de vida diária das pessoas, acabando por levar a um quadro de grande incapacidade. Os sintomas de alerta são a falta de ar, tosse, expectoração e cansaço com os esforços que se vão tornando cada vez mais frequentes e presentes no dia a dia à medida que a doença evolui.

Além dos sintomas de índole respiratória, acompanha-se de várias comorbilidades como a doenças cardiovasculares, depressão, osteoporose e risco significativamente mais alto do doente vir a desenvolver cancro do pulmão.

Nos casos mais graves, a DPOC reduz drasticamente a qualidade de vida ao não permitir a realização normal das actividades de vida diária, sendo que o doente acaba por evitar cada vez mais sair de casa, levando a um isolamento social progressivo.

A DPOC apresenta manifestações insidiosas, com instalação gradual cujos sintomas são muitas vezes desvalorizados pela própria pessoa, é também tantas vezes esquecida pelos clínicos até ao primeiro “ataque”(exacerbação). Portanto, recomenda-se a atenção e consciencialização sobre todos os pequenos sinais que se vão manifestando no decorrer do processo de instalação da doença.

Em que consiste a doença? Que tipo de pessoas são mais atingidas por esta doença?
(P.S.): A DPOC é uma doença comum, prevenível e tratável caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo derivado a anomalias das vias respiratórias e/ou alveolares, normalmente causadas pela exposição significativa a gases ou particulas nocivas.
A limitação crónica do fluxo, característica da DPOC é causada pela combinação da patologia das pequenas vias aéreas e pelas destruição parenquimatosa (enfisema), contribuições relativas que variam de pessoa para pessoa.

As pessoas mais atingidas pela doença assumem, normalmente, comportamentos de risco, sendo que a idade e o género masculino são factores predominantes, isto é, aparece mais em idades tardias (depois dos 40 anos) e nos homens.

Quais são os piores comportamentos de risco?
João Carvalho (J.C.): Os piores comportamentos de risco prendem-se com a exposição a agentes nocivos como o tabaco, irritantes ambientais como a queima de biomassa ou poluição ambiental. Os doentes que, mesmo após o diagnóstico de DPOC, mantenham exposição aos agentes nocivos como o tabaco apresentarão um declínio muito mais rápido da função respiratória e consequentemente da doença. A principal medida a tomar é a exposição a esses agentes.

Fumar está no topo das causas?
(J.C.): O tabagismo é sem dúvida o principal factor de risco para o desenvolvimento desta doença, sabendo-se que 10% a 15% dos fumadores vêm a sofrer de DPOC, bem como pessoas com exposição ao fumo do tabaco (fumadores passivos).

Contudo, o consumo de tabaco em Portugal tem vindo a diminuir, muito devido a uma maior consciencialização da população dos malefícios do tabagismo. Para esta mudança de comportamento, tem sido importante uma intervenção mais activa através de campanhas publicitárias de forma a alertar para os riscos de fumar. É essencial continuar a aposta neste tipo de campanhas, de maneira a manter esta mudança de comportamento na população portuguesa no que ao tabagismo diz respeito.

Qual é o número de doentes em Portugal?
(P.S.): A par das doenças cardiovasculares, as doenças respiratórias crónicas, nomeadamente a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), serão a principal causa de incapacidade nas próximas décadas. Nos últimos anos em Portugal, tem se vindo a registar um aumento de doenças respiratórias crónicas, que são responsáveis por um grande impacto na vida dos doentes e por elevados custos com a saúde.

Estas atingem cerca de 40% da população portuguesa, sendo a mais comum a DPOC que afeta 14,2% dos portugueses com mais de 40 anos. Segundo o relatório do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias, o número de utentes inscritos activos nos cuidados de saúde primários com diagnóstivo de DPOC é superior a 130 mil em 2016. Estima-se, no entanto que o número real de doentes DPOC seja 5 vezes superior aos registados, devendo-se este facto ao não diagnóstico da patologia.

Portanto, acredita-se que apesar de muito prevalente, a DPOC continua a ser subdiagnosticada. Tradicionalmente seguidos pelo pneumologista hospitalar, já que a maioria dos doentes são diagnosticados tardiamente em fases muito avançadas da doença, desde há vários anos que se têm desenvolvido esforços conjuntos entre os cuidados primários e hospitalares, no sentido de um diagnóstico mais precoce. Para que isto aconteça é preciso dotar os cuidados primários de acesso generalizado à espirometria (diagnóstico), e oferecer às pessoas acesso facilitado a consultas de cessação tabágica e a reabilitação respiratória, pressupostos que estão previstos no despacho emitido pela tutela (despacho 6300/2016).

Porque motivo esta é uma patologia sub-diagnosticada?
(P.S.): O principal motivo para que esta seja uma patologia sub-diagnosticada é o facto da progressão ser lenta e desvalorizada acabando por se atribuir a presença dos sintomas a características da idade. Para impedir uma progressão mais rápida da DPOC com consequente impacto na vida individual e social da pessoa, é extremamente importante que quer o doente quer o clínico estejam alerta para estes sintomas, principalmente nos fumadores, de forma a que se possa realizar o diagnóstico de forma antecipada.

O diagnóstico é efetuado através de um exame que avalia a função respiratória, a espirometria. É um exame simples, indolor e de baixo custo que permite perceber o grau de gravidade em que a doença se encontra orientando desde logo para o tratamento da doença. A identificação dos indivíduos em fases mais iniciais da doença reveste-se de uma importância enorme, permitindo intervenções terapêuticas precoces e menos onerosas, que melhorando os doentes, poderão impedir a progressão da doença, em suma poderão poupar muitos anos de vida e muitos milhões de euros.

Qual é a taxa de sucesso dos tratamentos?

(J.C.): Actualmente existe uma enorme disponibilidade de fármacos inaladores para o tratamento da DPOC, com excelente perfil de eficácia e segurança. A escolha dos inaladores e a realização correta da sua técnica inalatória são determinantes para o objetivo de uma boa adesão e eficácia da terapêutica. Para atingir tal objetivo, é extremamente importante que os profissinais de saúde que lidam com estes doentes dispendam muito tempo no ensino da técnica inalatória.

Os “ataques” (exacerbações) de DPOC têm um papel vincado na progressão da doença, sendo inclusive comparados ao enfarte agudo do miocárdio na doença cardiovascular. O seu impacto na morbilidade e mortalidade na DPOC é enorme, pelo que a diminuição destes “ataques” é o objetivo primordial do tratamento desta doença. A taxa de sucesso do tratamento depende de certas variáveis como a utilização correta e adequada dos inaladores, a adesão à cessação tabágica, a promoção de estilos de vida saudáveis e a realização da vacinação. Complementarmente, a todos os doentes (com indicação) deveria ser oferecida a possibilidade de tratamento num programa de reabilitação respiratória estruturado. As pessoas que aderirem às premissas anteriormente referidas terão com certeza uma maior taxa de sucesso de tratamento e consequentemente um número muito menor de “ataques” da DPOC.

Qual é o maior desafio na recuperação destes doentes?
(P.S.): A consciencialização e a educação para a saúde que visam mudanças de comportamento apresentam-se como os maiores desafios na recuperação dos doentes com DPOC, sendo que a Reabilitação Respiratória assume um papel fulcral.

A Reabilitação Respiratória é uma intervenção integrada, com base numa avaliação completa do doente, que inclui, embora não limitando, componentes de exercício físico, educação e mudança de comportamento projetado para melhorar a condição física e psicológica do doente com doença respiratória crónica, tendo como objetivo promover a adesão a longo prazo de comportamentos que melhoram a saúde. A componente educacional visa promover o exercício físico, uma alimentação correcta, a cessação tabágica nos fumadores, e a vacinação para prevenir as infeções respiratórias a vírus e bactérias. A readaptação ao esforço é uma intervenção fundamental em todos os doentes que apresentam falta de ar e diminuição da tolerância ao esforço nas atividades da vida diária.

Nas fases mais avançadas da doença, os doentes que apresentam insuficiência respiratória crónica poderão beneficiar de oxigenoterapia de longa duração e/ou a ventilação não invasiva, aumentando a sua capacidade física, ajudando-os a respirar melhor e consequentemente melhorando a sua qualidade de vida, assumindo a Reabilitação Respiratória também um papel essencial.

Referem apenas 1% tem acesso a programas de reabilitação. Porquê?

(J.C.): A Reabilitação Respiratória pode ser realizada em contexto hospitalar ou na comunidade, quer em centros de saúde, clínicas de reabilitação ou no próprio domicílio do doente. Em Portugal, o contexto hospitalar é definitivamente o que está mais implementado mas apenas nos principais centros hospitalares do país. Esta realidade leva a que apenas 1% dos doentes com DPOC tenha acesso a estes programas de reabilitação, quer porque os hospitais não conseguem incluir todos os doentes com DPOC, quer porque muitos doentes vivem longe ou têm dificuldade de acesso aos centros hospitalares com programas de Reabilitação Respiratória.

O que fazer para combater esta realidade?
É necessário conseguir implementar mais programas de Reabilitação Respiratória, seja na comunidade, em centros especializados ou no domicílio, de acesso mais fácil, o que levará à integração de um maior número de doentes.

Para combater esse défice, foi implementado há um ano e meio um programa inovador de reabilitação respiratória; trata-se portanto do primeiro Programa de Reabilitação Respiratória Domiciliária em Portugal. Inspirado no Living Well With COPD (Viver Bem com a DPOC) a Praxair (empresa de cuidados respiratórios domiciliários) criou o ReabilitAR DPOC, que cuida das pessoas com DPOC na envolvência do seu domicilio e vida habitual.

Como funciona este programa de reabilitação e qual é o seu sucesso?

(J.C.): O ReabilitAR DPOC, consiste em levar a Reabilitação Respiratória ao domicílio do doente, com a clara vantagem deste não ter que se deslocar ao hospital, realizar os diversos exercícios no meio onde vive e aprender a gerir as limitações causadas pela doença no seu ambiente do dia a dia.

Trata-se de uma alternativa e um complemento às soluções existentes, com direito a uma equipa altamente especializada, no domicílio, intervenção personalizada, linha de apoio 24h/7dias , flexibilidade de horário, envolvimento dos familiares próximos e adaptação às condições de habitação.

A equipa interdisciplinar é constituída por um médico pneumologista, enfermeiros de reabilitação, por fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e farmacêuticos, cujos papéis se encontram bem definidos em prol da recuperação da pessoa com DPOC. É um programa com segurança, eficácia e qualidade demonstrada, que actua em todo o território nacional continental.

Os resultados do programa têm sido muito promissores, com todos os doentes que o integram a apresentarem franca melhoria na sua capacidade física, melhor conhecimento da sua doença e a cuidar da sua saúde, com promoção da autogestão da patologia e resolução das dificuldades impostas pela doença. Essas conquistas têm resultado no aumento da qualidade de vida, redução de exacerbações e redução da dependência dos cuidados de saúde.

Qual é a importância deste dia mundial?

(P.S.): A GOLD (Global Initiative for Chronic Obstrutive Lung Disease) determinou desde 2002 que a 3ª quarta-feria do mês de Novembro é dedicada à Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica com acções de divulgação e educação, este ano sob o tema Never too early, never too late – (Nunca é cedo de mais, nunca é tarde de mais).

Assinalar este dia revela-se importante na medida em que chama a atenção para uma doença que se prevê que seja a terceira principal causa de morte mundialmente, nos próximos dois anos. Continuar a apostar em estratégias de prevenção dos factores de risco e promoção de estilos de vida saudáveis é essencial para que a incidência e prevalência da DPOC venham a diminuir no futuro. Mas é importante também continuar a apostar em estratégias de diagnóstico precoce (daí que o acesso à espirometria é fundamental), bem como em estratégias de acessibilidade aos tratamentos existentes, entre eles a reabilitação respiratória.

 Sábado 

 

O Sarampo

Plano de Contingência Calor

Efeitos do calor:

 

Algumas pessoas são mais vulneráveis aos efeitos do calor intenso e exigem uma atenção especial e medidas específicas para estarem protegidas, nomeadamente:

  • Crianças nos primeiros anos de vida
  • Pessoas com 65 ou mais anos
  • Portadores de doenças crónicas
  • Pessoas isoladas e em carência económica e social
  • Pessoas que desenvolvem atividade no exterior, expostos ao sol e/ou ao calor
  • Praticantes de atividade física

 

Devem, portanto ser adotadas as seguintes recomendações:

  • Tentar permanecer 2-3horas por dia num ambiente fresco ou com ar condicionado;
  • Manter o corpo hidratado e fresco (beber água mesmo que não tenha sede);
  • Manter-se protegido do calor (evitar a exposição direta ao sol, especialmente entre as 11 e as 17 horas);
  • Manter a casa fresca (correr as persianas ou portadas nos horários de maior calor e ao entardecer, quando a temperatura exterior for mais baixa do que a interior, deixar que o ar circule pela casa);
  • Manter-se especialmente atento e em contacto aos outros, particularmente aos que vivem isolados.

Em caso de dúvida ligue para o serviço SNS 24: 808 24 24 28

Plano de Contingência Módulo Calor - 2018

Já se encontra aprovado e em exercício o Plano de Contingência Saúde Sazonal – Módulo Calor para 2018.

Consulte o documento aqui: ULSM_plano_contigencia_modulo_verao_2018

Preparação em meio aquático para o parto

A Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM) começou a disponibilizar, em abril, aulas de preparação em meio aquático para o parto. Estas aulas decorrem na Piscina Municipal de Guifões e destinam-se a todas as grávidas/casais que estão a frequentar o curso de preparação para o parto e parentalidade no Serviço de Obstetrícia do Hospital Pedro Hispano e nas Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC) do ACeS Matosinhos.

  • A preparação para o parto e parentalidade já tem uma experiência de largos anos na ULSM, com o projeto Bem-me-Quer. Com a preparação em meio aquático para o parto, podemos dizer que agora entramos num novo ciclo?

O projeto Bem-me-quer – Preparação para o Parto e Parentalidade tem como finalidade promover a vivência saudável da gravidez, parto e parentalidade, dando resposta a uma das necessidades de saúde identificadas no Plano Local de Saúde de Matosinhos. Este projeto tem como objetivos promover a aquisição de conhecimentos e de estratégias facilitadoras para que a grávida /casal assuma um papel ativo na gravidez e no trabalho de parto, contribuindo para uma experiência mais satisfatória.
Desde o desenho inicial que havia também a intenção de incluir a preparação para o parto realizada em meio aquático. É este passo que agora concretizamos, com a ULSM a continuar a inovar no acompanhamento das grávidas/casais grávidos que procuram os seus serviços para o seguimento da gravidez, mas também no momento do nascimento.

  • Esta inovação na preparação para a parentalidade vem dar uma nova dinâmica ao trabalho já desenvolvido?

Sim, uma evolução já há muito aguardada pelas enfermeiras especialistas em Saúde Materna, envolvidas neste projeto, e que vem complementar o trabalho já realizado. Pelas suas características específicas, a preparação em meio aquático para o parto permite aos futuros pais viver a experiência da gestação, trabalho de parto, e parto de forma mais consciente e gratificante.

  • Quais as vantagens da preparação em meio aquático face à abordagem mais “tradicional” (aulas no solo)?

Alguns dos efeitos físicos mais importantes da água na preparação pré natal são a flutuabilidade, a temperatura e o relaxamento, a pressão hidrostática, a consciencialização da respiração e do corpo.
O efeito relaxante da água quente promove a eliminação das sensações de tensão aumentando a produção de endorfinas, responsáveis pela diminuição da perceção de dor e promotoras da sensação de bem-estar e relaxamento. Essa sensação de bem-estar permite também uma melhor perceção dos movimentos do bebé, ao mesmo tempo que diminui a frequência cardíaca e a tensão arterial.
A pressão hidrostática em meio aquático proporciona à grávida uma sensação de conforto e proteção, bem como o aumento da coordenação de movimentos. Favorece ainda a diminuição da retenção venosa, produzindo um efeito preventivo contra as varizes e os edemas, pois o movimento na água melhora a circulação linfática contribuindo para drenar os líquidos acumulados.
Durante as aulas são praticados exercícios de flexibilidade, postura corporal, mobilidade da pelve, tonificação muscular, relaxamento, perceção do feto e consciencialização do corpo e da respiração.

  • Quais os objetivos dos exercícios realizados em meio aquático?

A imersão parcial em meio aquático recria um ambiente de microgravidade, do qual resulta uma sensação de leveza ainda mais notória na gravidez avançada. A imersão aumenta a flutuabilidade: quanto mais imerso estiver o corpo, maior será a força de impulsão da água pelo que será mais fácil praticar os exercícios. Dessa forma, a grávida poderá manter a sua autonomia e agilidade de movimentos, aliviar a carga nas articulações, tonificar os músculos e corrigir a postura, bem como diminuir as dores lombares e o risco de lesão durante o exercício. Ao mesmo tempo, os exercícios respiratórios em meio aquático permitem aumentar a capacidade respiratória (a expiração será mais intensa e a inspiração mais profunda, exercendo pressão contra a resistência da água).
Resumindo, podemos dizer que os objetivos dos exercícios praticados em meio aquático são: fornecer preparação física no período perinatal, aumentar a sensação de segurança do casal grávido, eliminar medos e angústias relacionados com a gravidez e o parto, promover a auto confiança/segurança, a consciencialização do corpo, a ligação da tríade mãe/pai/bebé e o bem-estar durante a gravidez.

  • Que condições são necessárias à realização destas aulas?

Estas aulas decorrem em grupo, constituídos no máximo por 10 grávidas/casais, numa piscina aquecida entre os 28ºC e os 32ºC, com duração aproximada de 45 minutos.
As aulas são gratuitas e vão decorrer uma vez por semana (um grupo à quarta-feira e outro à sexta-feira), na Piscina Municipal de Guifões, orientadas por enfermeiras especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia com formação em Preparação Aquática Pré e Pós-Natal e aclimatização de bebés à água, certificada pela associação Aquanatal- Aquarius (Ostend, Bélgica). Este projeto resulta de uma parceria com a Matosinhos Sport e a Câmara Municipal de Matosinhos.

 

As Enfermeiras Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia: Conceição Santa-Martha, Clara Aires e Joana Varela,

Rastreio do Cancro do Cólon e Reto

Se for convidada/o para fazer o rastreio, não hesite. Participe!

  • Em que consiste o rastreio do cancro do cólon (intestino) e reto?

Consiste na realização de um exame às fezes que permite detetar a presença de sangue nas fezes (pesquisa de sangue oculto nas fezes).

  • Quem deve fazer o rastreio e quando?

Todas as pessoas, sem patologia do cancro do cólon e reto, com idades compreendidas entre os 50 e os 74 anos, inscritos nos centros de saúde da Unidade de Local de Saúde de Matosinhos. O rastreio deve ser feito de 2 em 2 anos.

  • Porque necessito de fazer o rastreio?

Em Portugal são diagnosticados, por ano, cerca de 7000 novos casos de cancro do cólon e reto, mas é possível prevenir-se desta doença.
Primeiro: com o consumo diário de frutas e verduras e a prática de exercício físico regular; Segundo: participando na realização do exame de rastreio para o qual é convidado.
Esta é uma doença que tem uma evolução lenta, desde o seu aparecimento até à transformação em cancro, mas esta característica só será benéfica para a saúde de cada um se houver uma predisposição para fazer o rastreio, já que este permite detetar lesões pré-malignas (ex.: pólipos) que podem ser removidas, bem como lesões malignas precoces que podem ser tratadas. Se diagnosticados numa fase inicial, as possibilidades de cura e tratamento são muito maiores.

  • Como se faz o teste?

O teste é feito pelo próprio utente no seu domicílio, utilizando um coletor de fezes (é um tubo pequeno com um pequeno escovilhão) que lhe será entregue por correio para a morada de residência. Este coletor é acompanhado de instruções para a realização do teste.

  • Após a colheita de fezes, o que fazer?

Deve entregá-la, logo que possa, no seu centro de saúde. Se não for possível no próprio dia deve colocá-la no frigorífico (e não no congelador), acondicionada na bolsa de plástico que acompanha o frasco coletor.

  • Quando é que recebo os resultados?

O resultado do rastreio ser-lhe-á enviado por carta para a sua residência, num prazo que não excederá os 30 dias. O seu médico de família receberá igualmente o resultado do exame que efetuou.

O teste de rastreio é totalmente gratuito!

  • E se o teste for positivo. Isto é, se for encontrado sangue nas fezes?

Se o resultado for positivo (acontece em sensivelmente 10% dos exames realizados a pessoas saudáveis), será encaminhado para o hospital da sua área de residência para fazer uma colonoscopia total. Antes da realização deste exame, será marcada uma consulta preparatória, no seu centro de saúde, onde a equipa, que habitualmente o segue, lhe pretará as informações devidas.

  • O que é a colonoscopia total? Como é feita?

A colonoscopia é um exame que permite ao médico visualizar o interior do intestino grosso através de um endoscópio (aparelho que consiste num tubo fino e flexível com uma câmara na extremidade, que possibilita a observação do interior dos órgãos ocos do corpo humano). O exame é realizado com sedação ou anestesia, exceto se existirem contraindicações clínicas ou se o utente não o desejar.

A Equipa do Serviço de Gastroenterologia da ULSM

Consulte aqui o folheto

 

Reabilitação Respiratória

Projeto ensina doentes com DPOC e Asma a viver melhor

Sabia que em Portugal a prevalência da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (mais conhecida por DPOC) atinge 14,2% dos indivíduos com mais de 40 anos? E que 6,8 % da população portuguesa sofre de asma? Tendo em conta esta realidade e a possibilidade de prevenir situações agudas da doença, as Unidades de Cuidados na Comunidade (UCCs) do Aces Matosinhos, integrado na ULSM, estão a dinamizar um projeto dirigido a estes utentes.

  • Em que contexto surge este projeto direcionado a doentes com DPOC e Asma?

Trata-se de um programa de reabilitação respiratória que visa dotar o doente de estratégias para melhor lidar com estas doenças crónicas, nomeadamente na gestão do regime terapêutico.
O recurso a programas educacionais de autogestão realizados individualmente, no domicílio, ou em grupo, nos centros de saúde, devem ser implementados integrados na reabilitação respiratória, visando o maior controlo da doença respiratória, com menos infeções respiratórias associadas e melhor qualidade de vida.
É neste contexto que as UCC da ULSM têm vindo a dinamizar um projeto de reabilitação respiratória dirigido aos seus utentes com DPOC e Asma, tendo por base as recomendações da DGS, e em sintonia com as orientações mais recentes e a investigação desenvolvida nesta área.

  • Como surgiu a necessidade deste programa?

A DPOC — que se caracteriza por uma limitação progressiva e persistente do fluxo aéreo, resultante de uma resposta inflamatória crónica das vias aéreas e do pulmão — provoca danos irreversíveis, acarretando pesados custos económicos e sociais. As exacerbações (situações agudas) da doença estão associadas ao seu agravamento, ao declínio acelerado da função respiratória e ao aumento da mortalidade. Da mesma forma, a asma é uma doença crónica frequente e potencialmente grave que afeta crianças e adultos. Não tem cura, mas pode ser controlada. Caracteriza-se por uma inflamação crónica das vias aéreas que quando são expostas a vários estímulos ou fatores desencadeantes tornam-se híper-reativas e obstruídas, limitando o fluxo de ar através de bronco-constrição, produção de muco e aumento da inflamação.
Assim, além das estratégias mais comuns para prevenir as exacerbações agudas da DPOC e Asma — cessação tabágica, vacinação antigripal e antipneumocócica e reabilitação respiratória — é necessário dotar o doente de conhecimentos clínicos que abordem a questão da gestão do regime terapêutico (farmacológico e não farmacológico).

  • Trata-se de capacitar o doente para a gestão da sua doença, é esse o objetivo?

É esse o nosso objetivo, e é nesse sentido que as equipas das UCC da ULSM têm vindo a trabalhar área da reabilitação respiratória. Desde logo, com esta intervenção pretendemos o alívio dos sintomas, a diminuição da limitação funcional, a melhor tolerância ao esforço, a participação do doente na vida social e uma melhor qualidade de vida. Mas, a longo prazo, o objetivo é a diminuição da utilização de recursos de saúde, incluindo uma diminuição do número de internamento hospitalares, ao mesmo tempo que se investe na capacitação do utente para a gestão de sintomas da doença.

  • Como se dinamiza, na prática, este projeto?

O projeto é dinamizado através de sessões psicoeducacionais realizadas em grupo ou individuais (com acompanhamento no domicílio), pois desta forma será possível abranger um maior número de utentes com diagnóstico de DPOC e Asma inscritos nas unidades de saúde.
Ao longo de seis sessões são abordados temas que se relacionam com a fisiopatologia das doenças respiratórias e patologias associadas, as causas de dificuldade respiratórias, sinais e sintomas, a utilização da terapia farmacológica, o ensino e treino do uso de dispositivos inalatórios, técnicas de reeducação funcional respiratória, de relaxamento, e ainda sobre a intervenção nas agudizações, bem como a importância da comunicação com a equipa de saúde. O exercício físico é feito de acordo com as limitações de cada doente.
Para os utentes que não têm condições para frequentar as sessões de grupo por elevada limitação funcional, é disponibilizado acompanhamento domiciliário, após um internamento por agudização ou devido à exacerbação de sintomas da doença.
Tanto nas sessões de grupo como individuais, a abordagem dos temas é realizada de uma forma personalizada, indo ao encontro das necessidades específicas do utente.

  • Como é que o doente pode integrar este projeto? Qual o critério?

São candidatos a este projeto todos os utentes com DPOC e Asma, independentemente do estadio ou gravidade doença, desde que reúnam condições para fazer exercício físico e não tenham outras patologias que comprometam a sua adesão a este tipo de intervenção (como por exemplo, demência ou patologia psiquiátrica grave). A referenciação do utente para o projeto deve ser realizada, preferencialmente, pelo médico ou enfermeiro de família, mas também pode ser encaminhada pelo pneumologista e/ou internista. Este projeto está disponível em todas as UCC que integram a ULSM.

Enfª Liliana Silva |Núcleo de Enfermeiros de Reabilitação da Comunidade (NERC) da ULSM

Semana Europeia da Vacinação

 

Na Semana Europeia da Vacinação damos conta da análise da vacinação ao ano de idade, aos 2 anos, 7 anos, 14 anos, 65 anos, as chamadas “coortes”.  Uma análise feita pelo
Departamento de Saúde Pública da Administração Regional de Saúde do Norte, I.P, no âmbito da Avaliação do Programa Nacional de Vacinação (2008 a 2018).

Assim, a Unidade Local de Saúde de Matosinhos apresenta coberturas vacinais médias superiores a 98% para a maioria das coortes e vacinas em análise.
São exceção apenas dois casos:
• Na coorte dos 2 anos e apenas para a 3ª dose da vacina anti pneumocócica (Pn13 3ª dose) em que a média da cobertura vacinal é de 93,7% . A média é mais baixa, uma vez que considera a avaliação em anos anteriores à introdução desta vacina no PNV (exemplo: na avaliação de 2016 a cobertura é de 86,26, mas na avaliação de 2017 e 2018 já é superior a 98%).
• Na coorte dos 65 anos em que a cobertura vacinal é de 84.4%.

Relativamente à vacina HPV nas coortes em avaliação, a média das coberturas vacinais é de 95,5%, valores consideravelmente superiores à meta preconizada pela DGS, que é de 85%.
As coberturas vacinais na sua generalidade são superiores às metas preconizadas pela DGS para as crianças e jovens até aos 18 anos, o que nos permite garantir com segurança a imunidade de grupo.

Informação importante a reter pelos “heróis da vacinação” :

A vacinação, ao longo da vida, tem como finalidade erradicar, eliminar ou controlar doenças infeciosas, contribuindo para a franca redução da morbilidade e da mortalidade, principalmente na infância, sendo considerada uma das medidas de Saúde Pública com melhor relação custo-efetividade. O Programa Nacional de Vacinação (PNV) é, aliás, ao longo dos seus mais de 50 anos de existência, provavelmente o programa de Saúde Pública mais universal e mais custo-efetivo do País. No entanto, não podem ser ignoradas outras estratégias vacinais para a proteção da saúde pública e de grupos de risco ou em circunstâncias especiais, como a vacinação anual contra a gripe, a vacinação de viajantes e ainda a prescrição de vacinas baseada em critérios de proteção individual.
Em Portugal, desde 1965, ano em que se iniciou o PNV, milhões de crianças e de adultos foram vacinados com vacinas de qualidade, eficazes e seguras, com enorme impacto na Saúde Pública. Não criar barreiras no acesso à vacinação é imperativo numa época em que, um pouco por todo o mundo, se manifestam fenómenos de hesitação vacinal, incluindo a existência de movimentos anti vacinação. Para contornar estes movimentos, é fundamental a motivação e um elevado nível de formação dos profissionais nele envolvidos bem como a perceção dos cidadãos de que a vacinação é uma mais-valia para a saúde individual e para a saúde da comunidade, sendo, ao mesmo tempo, um direito e um dever, quer cívico quer ético.
O êxito do Programa Nacional de Vacinação (PNV) depende de diversos fatores, tais como a disponibilização de vacinas de qualidade e o empenho das equipas de saúde familiar. É a estes profissionais que cabe assegurar a disponibilidade de vacinas em tempo útil nos serviços de saúde, proceder ao seu armazenamento em condições adequadas de forma a manter as condições de termoestabilidade, divulgar o PNV, motivando as famílias e a comunidade e aproveitando todas as oportunidades para vacinação. É também necessária uma monitorização ágil, possível através de sistemas de informação que permitem o registo centralizado das vacinas, e acessível, com respeito pela proteção de dados pessoais, aos profissionais do Serviço Nacional de Saúde.

No âmbito do PNV, devem ser garantidos os seguintes princípios:
a) Gratuitidade para o utilizador;
b) Acessibilidade;
c) Equidade;
d) Abrangência, destinando-se a todas as pessoas presentes em Portugal que tenham indicação para vacinação;
e) Aproveitamento de todas as oportunidades de vacinação para iniciar ou completar esquemas vacinais;
f) Acesso a informação e esclarecimento prévios à vacinação, dos cidadãos ou dos seus responsáveis, permitindo-lhes a tomada de decisões informadas.
A vacinação deve ser entendida como um direito e um dever dos cidadãos, participando ativamente na decisão de se vacinarem com a consciência que estão a defender a sua saúde, a Saúde Pública e a praticar um ato de cidadania.

Fontes:
Diário da República n.º 105/2015, Série II de 2015-06-01
– DGS – https://www.dgs.pt/paginas-de-sistema/saude-de-a-a-z/programa-nacional-de-vacinacao/programa-nacional-de-vacinacao.aspx
– DGS – Norma nº 016/2016 de 16/12/2016 atualizada a 31/07/2017 – Novo Programa Nacional de Vacinação – PNV 2017

Viver com a demência

Projeto “Viver com Demência”

A área da Saúde Mental, pela sua importância e necessidade atual, é uma área estratégica de intervenção das Unidades de Cuidados na Comunidade (UCCs) do Aces Matosinhos, assegurada por enfermeiros especializados e vocacionados para o acompanhamento do utente e família no seu contexto, na sua comunidade. A preservação da autonomia do utente — pelo maior tempo possível — é um dos principais objetivos deste projeto “Viver com Demência”.

1- Como surgiu este projeto?

O projeto Viver com Demência surgiu em 2010, na UCC da Senhora da Hora, em resposta à necessidade crescente de intervir junto dos nossos utentes com demência e seus cuidadores/família. Atualmente, está a ser também dinamizado na UCCs de Matosinhos, de São Mamede de Infesta e de Leça da Palmeira por Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria com projetos que visam garantir à população uma maior proximidade dos cuidados necessários, de uma forma rigorosa, diferenciada e adequada a cada situação.

2- A área da Saúde Mental é estratégica, mas quais os objetivos deste projeto de intervenção em concreto?

O projeto abrange todos os utentes com diagnóstico de demência e défice cognitivo ligeiro, suas famílias e cuidadores. Pretendemos detetar o mais precocemente possível situações de demência ou défice cognitivo ligeiro e acompanhar os utentes e suas famílias, capacitando-os para a gestão da doença e de todas as alterações cognitivas, comportamentais e funcionais que lhe estão inerentes.

3 – De que forma os utentes podem ter acesso a este apoio?

Os utentes podem ser referenciados pelo médico de família, enfermeiro de família ou por parceiros da comunidade. Após uma avaliação rigorosa, é estabelecido um plano terapêutico personalizado e contextualizado, em parceria com o utente e família/cuidadorl. Discutem-se as preocupações e necessidades, definem-se prioridades e exploram-se as opções disponíveis sobre os cuidados necessários.

4- Que atividades são dinamizadas?

A estimulação cognitiva individual e em grupo do utente é um pilar integrante deste projeto, com o objetivo de permitir manter ou mesmo recuperar funções cognitivas, como a memória, a orientação, concentração, atenção, a capacidade de reconhecer objetos e pessoas, a capacidade intelectual, a capacidade para desenvolver tarefas simples ou complexas, entre outras.

5- A proximidade de cuidados passa pelas visitas domiciliárias, por conhecer as rotinas do doente/família e ajudar a mantê-las. Ir a casa do utente faz a diferença?

A preservação da autonomia do utente — pelo maior tempo possível — é uma das nossas principais preocupações, pelo que a estimulação das atividades de vida diária através da orientação guiada, do uso de indicadores do ambiente, da aprendizagem por repetição e do ensino aos cuidadores, é uma intervenção psicoterapêutica utilizada ao longo de todo o acompanhamento. O acompanhamento em contexto domiciliário permite-nos ter a real noção do contexto do utente e sua família/cuidador, facilitando uma intervenção mais direcionada às necessidades reais.

6-Esta intervenção valoriza o envolvimento da família e/ou cuidador no processo terapêutico. De que forma se faz esse “ensino”?

O cuidador e família são essenciais para o sucesso do desenvolvimento do plano terapêutico definido. Deste modo, o acompanhamento do cuidador passa essencialmente por ir ao encontro das suas necessidades no desempenho deste seu papel tão importante. Neste sentido, o suporte emocional, a psicoeducação com o ensino e treino de estratégias compensatórias para gerir a comunicação, gerir o comportamento e reações emocionais, gerir as alterações funcionais e promover a estimulação nas atividades de vida diária são técnicas e intervenções psicoterapêuticas essenciais para prevenir a sobrecarga física e emocional, e o stress do cuidador.
Com esta nossa intervenção queremos envolver utente, cuidador e família numa parceria de saúde, que leva a uma melhoria da qualidade de vida. Também realizamos momentos e partilha para os cuidadores, como tertúlias, workshops, exposições e outras iniciativas.

Enfermeira Rita Costa e Enfermeiro Sérgio Pimenta durante uma das atividades do projeto.